As vacinas Pfizer/BioNtech, Moderna e Johnson & Johnson/Janssen podem ser milagres da medicina atual, mas também foram desenvolvidas em tempo recorde em meio a desinformação e teorias da conspiração. Então é compreensível que algumas pessoas se sintam inseguras de tomar a vacina.

Embora exista uma necessidade imediata de vacinar o máximo de pessoas para reduzir as taxas de infecção e, ao mesmo tempo, mitigar as chances de mutação do vírus, convencer os hesitantes leva tempo.

Ouvir de maneira genuína as preocupações que algumas pessoas possam ter, e dar respostas somente quando você as tem é o melhor caminho para abordar a importância da vacinação contra a Covid-19. Se você tem dúvidas sobre algum fato, é melhor direcionar a pessoa para uma fonte confiável de informações ou fazer a pesquisa por conta própria.

Com tanta desinformação circulando, reunimos sete mitos recorrentes que podem dissuadir as pessoas de tomarem a vacina. Veja o que a ciência nos diz sobre as vacinas contra Covid-19:

MITO 1: AS VACINAS FORAM FEITAS COM PRESSA, ENTÃO NÃO SABEMOS OS EFEITOS DE LONGO PRAZO

É verdade que as vacinas foram desenvolvidas em tempo recorde: menos de um ano em vez dos 10 a 15 anos que se costuma levar para fabricar e testar um imunizante.

A urgência se deve à gravidade da pandemia, à quantidade de financiamento global e à dedicação de pesquisadores que trabalharam incansavelmente.

Todas as vacinas foram feitas com tecnologias existentes há anos. A Pfizer e a Moderna lançaram a mRNA, que estava em desenvolvimento há anos. A vacina está sendo pesquisada para ser aplicada para combater outras doenças, como Zika, gripe, raiva, entre outras, segundo o CDC. “Foi possível impulsionar uma tecnologia que era utilizada para outros fins terapêuticos”, disse Rupali Limaye, cientista da Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health, à Fast Company. De forma similar, a vacina da Johnson & Johnson foi construída com base em anos de pesquisas sobre vacinas contra o adenovírus.

Portanto, é improvável que existam efeitos de longo prazo para essas vacinas que já não tenham sido vistos em testes. “Os efeitos de longo prazo que ocorreram depois que as vacinas foram aprovadas são aqueles que vimos depois de semanas e meses após a vacinação”, explica a jornalista de ciência Tara Haelle na Elemental. “Se a vacina da Covid-19 causasse efeitos de longo prazo além dos efeitos colaterais reportados nos testes, a esta altura já saberíamos.”

MITO 2: TOMAR A VACINA SIGNIFICA RECEBER UM POUCO DO VÍRUS NO CORPO

Nenhuma das doses injeta o vírus SARS-Cov-2, que provoca a doença Covid-19. Na verdade, as vacinas aprovadas funcionam assim: ensinam seu corpo a produzir a proteína spike, que é parte do vírus SARS-Cov-2. Essa substância aciona a resposta imunológica do seu corpo. Desta forma, se você se expõe ao vírus depois da vacina, seu corpo poderá reagir contra ele.

No caso da Pfizer e da Moderna, o corpo é ensinado por meio da RNA ou mRNA. A vacina da J&J faz o mesmo por meio de um adenovírus inofensivo, que contém a informação genética para a proteína spike.

MITO 3: VACINAS PODEM ALTERAR O DNA

Isso pode parecer assustador, mas a mRNA utilizada na Pfizer e na Moderna nunca interagem com o DNA, e se quebra rapidamente uma vez que ajuda o corpo a desenvolver anticorpos para a proteína spike do vírus. A vacina da J&J tampouco altera o DNA.

MITO 4: VACINAS PODEM AFETAR A FERTILIDADE

Em um depoimento conjunto, especialistas das instituições American College of Obstetricians and Gynecologists, American Society for Reproductive Medicine, e Society for Maternal-Fetal Medicine enfatizaram que não há evidência que a vacina afeta a fertilidade. “Embora a fertilidade não tenha sido estudada nos testes clínicos da vacina, nenhuma perda de fertilidade foi reportada entre os participantes dos testes ou entre as milhões de pessoas vacinadas desde então. E nenhum sinal de infertilidade apareceu em estudos com animais. A perda de fertilidade é cientificamente improvável.”

Como ter certeza disso? Taxas de pessoas que engravidaram depois de tomarem a vacina nos testes se equiparam às taxas de gravidez entre os participantes que receberam placebo. O que sugere que receber a vacina não compromete a fertilidade. Pessoas grávidas correm mais risco de contraírem sintomas sérios da Covid-19, porém.

MITO 5: MUITA GENTE ESTÁ TENDO REAÇÕES ALÉRGICAS À VACINA

Somente um número muito baixo de pessoas está tendo reações severas o bastante a ponto de receberem tratamento hospitalar. Há um sistema dos provedores de vacina que reporta reações graves, então o CDC mantém registros muito bons sobre isso. Se você tem alergias, fale para o médico antes de ser vacinado. Efeitos colaterais são possíveis, assim como com qualquer outro medicamento, mas os benefícios da vacina ultrapassam – e muito – os riscos.

MITO 6: AS VACINAS SÃO INÚTEIS PARA AS NOVAS VARIANTES

Embora seja verdade que algumas variações do vírus tornem a vacina menos eficaz, especialistas ainda acham que a vacinação é crucial. “Mesmo em anos que não temos um match significativo com a vacina da gripe, vemos o benefício da imunização,”, afirmou a Dr. Annabelle De St. Maurice ao Los Angeles Times. “E isso também vale para o SARS-Cov-2. Mesmo quando as vacinas são menos eficientes, tomá-las é melhor do que não tomá-las.”

MITO 7: TOMAR A VACINA NÃO REDUZ O RISCO DE INFECTAR OUTTRAS PESSOAS

Mais pesquisas estão sendo feitas para entender como – e se – pessoas vacinadas ainda podem espalhar o vírus, mesmo que não fiquem doentes (ou tenham sintomas leves). Até agora, pesquisas iniciais de Israel sugerem que a vacinação reduz amplamente o risco de transmissão assintomática do vírus. Essa é uma ótima notícia!

Claro que mesmo que as vacinas não reduzissem a chance de espalhar o vírus, ainda vale proteger a si mesmo. Por enquanto, o CDC ainda recomente o uso de máscaras e o distanciamento social após a vacinação para proteger ao próximo. É importante lembrar que você não fica protegido assim que toma a vacina: a pessoa fica imune cerca de duas semanas após a vacinação.

SOBRE A AUTORA

Julia Herbst é editora sênior da seção Worklife da Fast Company. Anteriormente, ela trabalhou como editora da Los Angeles Magazine e da Breaker Magazine.