POR ADELE PETERS 

Pouca gente se lembra, mas no dia 4 de novembro de 2020, quase no frigir dos ovos, Trump retirou os EUA oficialmente do Acordo do Clima de Paris. O que acontecerá na gestão Biden?

É consenso entre os especialistas que ele planeja, logo no primeiro dia de mandato (20 de janeiro), juntar-se a ele novamente. Seria um primeiro passo para colocar os EUA num caminho de enfrentamento da mudança climática – algo que o ainda candidato Biden chamou de “o problema número um da Humanidade”.

A eleição foi um momento crítico não apenas para os EUA, mas para o resto do mundo. Na possibilidade de um segundo mandato de Trump, seria muito improvável que as emissões de poluentes pudessem sofrer uma queda suficiente para evitar os piores impactos nas mudanças climáticas. Mesmo com a presidência de Biden, manter o aquecimento global abaixo de 1,5º ainda será um grande desafio. E mesmo com a vitória democrata no Senado, a margem de manobra do novo mandatário será pequena. Em vez de aprovar um grande plano climático, Biden provavelmente terá que fazer a maior parte do trabalho por meio de ações executivas – o equivalente americano às nossas Medidas Provisórias.

“Grande parte da ambiciosa agenda climática do presidente Biden terá de ser alcançada por meio de caminhos alternativos”, afirma Dan Lashof, diretor da ONG World Resources Institute. Segundo ele, depois que Biden aderir novamente ao acordo de Paris, ele poderia começar a desfazer os 125 recuos ambientais que Trump implementou em seu mandato. “Espero que logo no primeiro dia de trabalho, Biden emita ordens executivas para termos sistemas de proteção ambiental críticos. Não apenas restabelecê-los como eram, mas fortalecê-los”, diz ele.

Sob a autoridade da Lei do Ar Limpo, por exemplo, Biden poderia restabelecer as regras da era Obama – que estabeleceram metas para as montadoras tornarem os carros mais eficientes, economizando gasolina e reduzindo a poluição. Ele poderia ainda dar um passo adiante, definindo novas metas para veículos elétricos. “Agora é a hora de colocar em prática um conjunto de padrões para criar novos veículos, estabelecendo um novo alicerce para a indústria e renovando a frota até 2035”, diz Lashof.

Como parte do acordo de Paris, é esperado dos países signatários estabelecer novas metas para reduzir as emissões até a próxima reunião do grupo, em novembro. Qual seria a meta de Biden? De acordo com Lashof, reduzir a poluição climática em 50% até 2030, em comparação com os níveis de 2005, é “uma faixa ambiciosa, mas razoável para os EUA se comprometerem”. Segundo o especialista, Biden também pode trabalhar para zerar emissões líquidas até a metade do século – algo que até a China, o país mais poluidor do mundo, já se comprometeu a fazer.

Os EUA podem ir ainda mais longe com novas leis, incluindo a eliminação gradual dos hidrofluorocarbonos, um superpoluente encontrado em aparelhos de ar-condicionado.  De acordo com Lashof, para manter o aquecimento global abaixo do limite de 1,5º, o mundo tem apenas cerca de nove anos para cortar as emissões pela metade.

Biden deveria estar com pressa.

Adele Peters é redatora da Fast Company. Ela se concentra em fazer reportagens para solucionar alguns dos maiores problemas do mundo, desde mudanças climáticas até a falta de moradia.