O que é “Taxonomia Sustentável” e como fazer parte dela
A iniciativa busca orientar investimentos, evitar práticas enganosas e direcionar recursos para projetos que gerem benefícios ambientais, sociais e econômicos de longo prazo

Em meio ao avanço das mudanças climáticas, à pressão por transparência no mercado financeiro e às exigências de investidores globais, o Brasil estruturou a Taxonomia Sustentável Brasileira, um sistema que define, com critérios científicos e objetivos, quais atividades econômicas podem ser consideradas sustentáveis. O conceito também existe em outros países.
A iniciativa busca orientar investimentos, evitar práticas enganosas e direcionar recursos para projetos que gerem benefícios ambientais, sociais e econômicos de longo prazo.
O QUE É A TAXONOMIA SUSTENTÁVEL?
Segundo o Ministério da Fazenda, a Taxonomia Sustentável Brasileira funciona como um grande catálogo oficial. Ela classifica atividades, ativos e projetos de acordo com o seu impacto positivo para a sociedade e o meio ambiente, estabelecendo parâmetros claros para identificar o que, de fato, contribui para a transição para uma economia de baixo carbono e socialmente inclusiva.
Na prática, a taxonomia cria uma linguagem comum entre governo, empresas, investidores e instituições financeiras. Ao definir critérios e indicadores objetivos, ela permite avaliar se uma atividade econômica está alinhada a metas ambientais, climáticas e sociais reconhecidas nacional e internacionalmente.
Esse modelo segue padrões adotados globalmente e dialoga com outras taxonomias internacionais, o que ajuda a reduzir ruídos regulatórios e facilita o acesso do Brasil a fluxos internacionais de capital sustentável.
COMO FAZER PARTE DA TAXONOMIA
A adesão à Taxonomia Sustentável Brasileira não acontece por meio de um cadastro único ou selo automático. O processo ocorre na prática, quando empresas, projetos e ativos passam a ser avaliados à luz dos critérios definidos pela taxonomia.
Para fazer parte desse ecossistema, organizações precisam alinhar suas atividades aos objetivos estabelecidos, comprovar impactos positivos mensuráveis e adotar práticas de transparência na divulgação de informações ambientais, sociais e econômicas.
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Instituições financeiras, por sua vez, utilizam a taxonomia como referência para estruturar produtos, avaliar riscos e direcionar crédito e investimentos.
Quanto mais uma empresa demonstra aderência aos critérios técnicos da taxonomia, maior tende a ser sua atratividade para investidores interessados em finanças sustentáveis.
POR QUE É IMPORTANTE?
A principal função da taxonomia é dar credibilidade ao mercado de finanças sustentáveis. Com regras claras, o sistema reduz o risco do chamado greenwashing, quando empresas se apresentam como sustentáveis sem comprovação real.
Além disso, a ferramenta atua como um instrumento estratégico de política pública e financeira. Ela ajuda a redirecionar investimentos para setores essenciais no enfrentamento da crise climática, apoia o cumprimento dos compromissos brasileiros de redução de emissões e diminui o risco de barreiras ambientais em exportações e investimentos externos.
Ao alinhar sustentabilidade, competitividade e desenvolvimento, a taxonomia também responde a desafios estruturais do país, como desigualdades regionais, sociais e de renda.
TAXONOMIA SUSTENTÁVEL BRASILEIRA
O sistema brasileiro incorpora uma visão ampla de sustentabilidade. Entre os objetivos ambientais e climáticos estão a mitigação e adaptação às mudanças do clima, a proteção da biodiversidade, o uso sustentável do solo, das florestas e dos recursos hídricos, a transição para a economia circular e o controle da poluição.
No campo econômico e social, a taxonomia considera critérios como geração de trabalho decente, redução das desigualdades socioeconômicas, raciais e de gênero, diminuição das disparidades regionais e promoção da qualidade de vida, com ampliação do acesso a serviços sociais básicos.
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Essa combinação reforça a ideia de que sustentabilidade não se limita ao meio ambiente, mas envolve desenvolvimento econômico com inclusão social.
QUEM COORDENA A TAXONOMIA SUSTENTÁVEL BRASILEIRA?
O desenvolvimento e a implantação do sistema são conduzidos por uma estrutura de governança interinstitucional. O Comitê Interinstitucional da Taxonomia Sustentável Brasileira reúne ministérios e tem caráter deliberativo. Já o Comitê Supervisor coordena os trabalhos técnicos, articulando os grupos especializados e o diálogo com a sociedade.
Os Grupos Técnicos, organizados por setores e temas, são responsáveis pela construção dos critérios, enquanto o Comitê Consultivo garante a participação da sociedade civil, incluindo representantes do sistema financeiro, da economia real, de movimentos sociais, do terceiro setor e da academia.
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Ao estabelecer regras claras sobre o que é sustentável, a Taxonomia Sustentável Brasileira cria um novo padrão para investimentos no país. Para empresas e investidores, entender e se alinhar à taxonomia passou a ser um passo fundamental para atuar em um mercado cada vez mais atento à sustentabilidade.