Pinguins feridos ganharam um colete que pode salvar suas vidas
Empresa têxtil transformou um tecido pós-operatório com cobre e zinco em coletes que protegem pinguins feridos e favorecem sua reabilitação

O pinguim-de-Humboldt, que vive na costa do oceano Pacífico do Chile e do Peru, enfrenta muitos desafios, incluindo o aquecimento das águas, a gripe aviária, acidentes com embarcações e redes de pesca nas quais pode ficar preso e se afogar.
Esses perigos tiveram um efeito catastrófico sobre a população da espécie. Pesquisadores constataram que as principais colônias reprodutivas da ave no Chile diminuíram 63% em três anos.
É uma época perigosa para o pinguim-de-Humboldt. Mas uma companhia têxtil chilena está fazendo sua parte para ajudar a salvar a espécie. A empresa adaptou um de seus tecidos pós-operatórios, que, segundo ela, pode ajudar os animais a se recuperar mais rapidamente.
O projeto começou com a Conservación Humboldt, uma organização dedicada à proteção de pinguins, leões marinhos e tartarugas marinhas na região costeira de Coquimbo, no Chile, cerca de 480 quilômetros ao norte de Santiago, a capital do país.

O grupo afirma que muitos dos pinguins que chegam ao centro apresentam ferimentos no peito ou nas costas, provocados por ataques de outros animais ou acidentes com embarcações, por exemplo. Essas lesões precisam ser limpas e, às vezes, suturadas – e os animais parecem não conseguir deixar os ferimentos em paz.
Cães e gatos costumam usar colares em formato de cone para proteger feridas em processo de cicatrização. Mas os profissionais de conservação se perguntaram se haveria outra solução.
Eles entraram em contato com a Textil Kimba, uma empresa que fabricava produtos infantis para roupas como macacões de bebê e pijamas antes de mudar de rumo, na década de 2010, e passar a produzir roupas veterinárias pós-operatórias para cães e gatos.
O tecido que a empresa desenvolveu é chamado BodyCobre no Chile, em outros países da América Latina e na Itália, e Copperbody no restante do mundo. Ele incorpora zinco e cobre. Este último é um agente antimicrobiano, ou seja, pode eliminar microrganismos como bactérias e vírus.
A empresa transformou o Copperbody em camisetas, macacões e outras peças para animais domésticos submetidos a cirurgias. Adaptar o tecido para pinguins, em vez de animais de quatro patas, exigiu tirar medidas, desenvolver moldes e, depois, testar e ajustar o caimento das peças.
“O que muda completamente é a anatomia”, afirma Carolina Momares, sócia e gerente de produção da Kimba. “Estamos acostumados a trabalhar com cães e gatos, mas o pinguim tem uma estrutura corporal muito diferente. As asas, as proporções e a maneira como se movimenta tornam o desenvolvimento um desafio completamente distinto.”

Os coletes da Kimba para pinguins foram projetados, antes de tudo, como uma barreira física para impedir que as aves removam ou danifiquem os pontos. Mas também foram desenvolvidos para serem fáceis de vestir e retirar, reduzindo o tempo de manipulação e o contato humano direto com os animais.
“Isso é importante porque não trabalhamos com animais que ficam conosco, mas com animais silvestres que ficam temporariamente sob nossos cuidados”, afirma Tomás Pino Damke, presidente da Conservación Humboldt.
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Depois de se recuperarem, os pinguins precisam voltar à natureza, mantendo o mínimo possível de costume com a presença humana, explica ele.
Não é exatamente um smoking, mas o colete da Kimba oferece aos pinguins um visual estiloso que ajuda na recuperação dos ferimentos e, ao mesmo tempo, reduz o contato com os humanos. E é muito mais fofo do que um colar de cone.