Por que o Google quer soltar 32 milhões de mosquitos nos EUA

Projeto pretende liberar machos estéreis para reduzir populações de mosquitos transmissores de doenças como a dengue

doenças causadas por mosquitos
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Jude Cramer 2 minutos de leitura

Esqueça mecanismos de busca, assistentes de IA e smartphones: o próximo lançamento do Google pode ser um enxame de milhões de mosquitos.

Por meio de sua controladora, Alphabet, o Google busca aprovação do governo federal dos EUA para liberar 32 milhões de mosquitos na Califórnia e na Flórida ao longo dos próximos dois anos.

A medida faz parte de uma iniciativa chamada Projeto Debug, criada para controlar populações de mosquitos e reduzir doenças transmitidas por esses insetos.

Adicionar milhões de mosquitos ao ambiente pode parecer contraditório, mas o Projeto Debug gira justamente em torno de inserir os chamados “insetos bons” em populações consideradas problemáticas.

mosquito aedes aegypti, transmissor da  dengue
Aedes aegypti

Esses “insetos bons” são mosquitos machos infectados com uma bactéria natural chamada Wolbachia. A bactéria torna os machos estéreis. Assim, quando cruzam com fêmeas já presentes no ambiente, os ovos não eclodem.

Ao longo de várias gerações, isso pode reduzir drasticamente a população de mosquitos, dificultando a disseminação de doenças perigosas. Enquanto isso, os machos não picam. Ou seja: os milhões adicionais de insetos circulando não transmitem doenças nem representam risco direto para humanos.

Técnica semelhante já vem sendo usada no Brasil há mais de uma década.

A iniciativa do Projeto Debug utiliza uma metodologia conhecida como Técnica do Inseto Estéril, já usada com sucesso em espécies como moscas-das-frutas, vermes-parafuso e traças-das-maçãs.

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“Mosquitos são frágeis e difíceis de criar nas quantidades necessárias. Com o Debug, estamos desenvolvendo novas tecnologias para tornar isso possível”, informa o site.

Entre essas tecnologias estão sistemas automatizados de criação capazes de produzir milhões de mosquitos estéreis, além de ferramentas avançadas de separação por sexo, projetadas para garantir que apenas machos sejam liberados na natureza.

PERNILONGO DOMÉSTICO

O Projeto Debug surgiu em 2016 e, na década desde seu lançamento, acumulou resultados que sugerem haver método nessa aparente loucura baseada em mosquitos.

Uma das iniciativas anteriores, chamada Debug Fresno, liberou 48 milhões de mosquitos machos estéreis no condado de Fresno, na Califórnia, durante três anos, entre 2017 e 2019.

os ovos do mosquito não eclodem quando as fêmeas cruzam com machos estéreis.

A cada ano, cientistas registraram quedas expressivas nas populações de fêmeas que picam humanos, incluindo uma redução de 95% em 2018.

Historicamente, o projeto se concentrou no Aedes aegypti, espécie responsável pela transmissão de doenças como zika, dengue, febre amarela e chikungunya. A nova proposta mira o Culex quinquefasciatus, conhecido como pernilongo doméstico do sul.

Essa espécie pode transmitir encefalite de St. Louis e o vírus do Nilo Ocidental, atualmente a principal causa de doenças transmitidas por mosquitos nos Estados Unidos.

A Agência de Proteção Ambiental dos EUA está analisando a proposta e recebendo comentários do público antes de decidir se via conceder ao Google autorização experimental para o projeto.

Com informações da redação da Fast Company Brasil


SOBRE O AUTOR

Jude Cramer é um jornalista e crítico premiado pela NLGJA e indicado ao GLAAD Media Award, com foco em histórias sobre entretenimento,... saiba mais