Quanto da nossa necessidade de energia poderá ser suprido por fontes renováveis?

Crédito: Heliogen

Talib Visram 3 minutos de leitura

A energia renovável está mais barata que os combustíveis fósseis. Já custa menos construir e operar um parque solar ou eólico do que uma usina de carvão. Essas são grandes vitórias no caminho para reduzir as emissões de carbono e ampliar as oportunidades de inovação na geração de energia. Uma das questões em discussão é se o custo continuará a ser um fator que interfere na popularidade dessas alternativas.

A Clearloop é uma organização que usa compensações de carbono doadas por empresas privadas para financiar projetos locais de energia solar, principalmente em áreas que ainda dependem de fontes de energia com alto teor de carbono.

“Qualquer empresa que queira compensar uma parte de sua pegada de carbono pode nos apoias subsidiando vários watts, o que nos ajuda, basicamente, a financiar a construção de um projeto solar”, explica a CEO Laura Zapata, que fundou a Clearloop com o parceiro Phil Bredesen, ex-governador do Tennessee.

Laura Zapata, CEO da Clearloop

Os dois projetos lançados até agora aproveitam áreas com sol abundante. Em Jackson, no Tennessee, a empresa pretende construir um milhão de watts de capacidade solar, o suficiente para abastecer 200 residências por 40 anos

Já em Panola County, no Mississippi, a empresa pretende atingir a capacidade de 10 milhões de watts, o suficiente para abastecer duas mil casas nos Montes Apalaches e no Delta do Mississippi. Estima-se que esses projetos recuperem, respectivamente, 27 mil e 256 mil toneladas de CO2.

É claro que o sol – e o vento, aliás – nem sempre estão disponíveis, e certamente não estão presentes em todos os lugares. “A indústria pesada funciona 24 horas por dia, sete dias por semana. Não se encontra fábricas que fecham e funcionam apenas em um turno”, diz Bill Gross, fundador e CEO da Heliogen, empresa que armazena o máximo de energia térmica possível para depois converter em hidrogênio verde, um combustível alternativo.

REFINARIA DE LUZ SOLAR

“Sinto que tudo vai depender de usarmos a ciência e a tecnologia para encontrar uma maneira de superar o preço do combustível fóssil”, diz Gross. A Heliogen construiu uma espécie de “refinaria de luz solar”. É uma configuração na qual milhares de espelhos usam inteligência artificial e visão computacional para refletir os raios de luz de meio hectare de terra em um único ponto no topo de uma torre, do tamanho de uma cesta de basquete. Essa concentração permite que a luz solar coletada atinja temperaturas de mais de mil graus Celsius.

Bill Gross, da Heliogen

Em seguida, a energia térmica é armazenada em tanques de cascalho. “Imagine mil tabuleiros de pedra para pizza em um forno onde você fecha a porta depois de aquecê-las”, diz Gross. “Eles vão ficar quentes por muito tempo.”

Essa energia pode ser facilmente transportada para climas menos ensolarados, onde quer que seja necessário. “Isso nos permite funcionar em dias nublados ou passar por qualquer outro tipo de interrupção, o que é crucial, porque todos queremos ter energia ininterrupta”, explica o executivo da Heliogen.

A energia é convertida em hidrogênio verde por meio de eletrólise, que essencialmente separa o hidrogênio da água (uma distinção importante do hidrogênio sujo, que é tradicionalmente produzido a partir do metano). “Quando você queima hidrogênio, não libera nada”, diz Gross. “A magia do hidrogênio é que ele libera apenas vapor de água para a atmosfera.”

O hidrogênio ainda é relativamente caro. Mas muitos especialistas acreditam que o custo provavelmente se tornará competitivo até 2025 em setores como o de transporte. “À medida que a economia melhorar, o capital fluirá para os projetos que geram maiores retornos”, aposta Gross.

“É importante que a humanidade resolva essa questão energética. Esse é o caminho para construir uma civilização sustentável.”


SOBRE O AUTOR

Talib Visram escreve para a Fast Company e é apresentador do podcast World Changing Ideas. saiba mais