Relógio do Juízo Final avança e fica no ponto mais crítico da história
O indicador passou a marcar 85 segundos para a meia-noite, quatro segundos a menos do que no ajuste anterior

Cientistas atômicos avançaram o Relógio do Juízo Final para o ponto mais próximo já registrado da meia-noite, marco simbólico que representa o risco de aniquilação global. O indicador passou a marcar 85 segundos para a meia-noite, quatro segundos a menos do que no ajuste anterior, despertando um alerta sobre o agravamento das ameaças globais.
Segundo reportagem da Reuters, o Boletim dos Cientistas Atômicos atribuiu a mudança ao comportamento mais agressivo de potências nucleares como Rússia, China e Estados Unidos, além do enfraquecimento de acordos de controle de armas e do avanço de tecnologias com potencial destrutivo.
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QUAIS SÃO OS RISCOS?
A organização sem fins lucrativos, sediada em Chicago, destacou que o cenário internacional atual reflete uma falha generalizada de liderança. A intensificação de conflitos armados, a pressão sobre estruturas diplomáticas históricas e o aumento do nacionalismo entre grandes potências ampliam o risco de escaladas militares com consequências irreversíveis.
A especialista em política nuclear Alexandra Bell, presidente e CEO do Boletim, disse a Reuters, que avaliou o risco de uso de armas nucleares permanece em nível considerado inaceitável. Ela apontou que não houve avanços concretos em 2025 capazes de reduzir as ameaças, enquanto cresce a possibilidade de retomada de testes nucleares e de proliferação de armamentos.
O Novo Tratado Start, último acordo remanescente entre Estados Unidos e Rússia para limitar ogivas nucleares, expira em 5 de fevereiro. O pacto estabelece um teto de 1.550 ogivas (parte de um míssil, projétil, torpedo, foguete ou outra munição que compõe um sistema nuclear) por país, mas ainda não há definição sobre sua prorrogação, o que amplia a incerteza no cenário estratégico global.
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CONFLITOS RECENTES
Além do risco nuclear, os cientistas alertaram para conflitos em curso na Ucrânia, no Oriente Médio e em regiões sensíveis da Ásia, como a Península Coreana e o entorno de Taiwan. Tensões entre Índia e Paquistão e o aumento da instabilidade no Hemisfério Ocidental também entraram na avaliação.
Outro fator de preocupação envolve a integração não regulamentada da Inteligência Artificial em sistemas militares e seu uso potencial na disseminação de desinformação em larga escala. O avanço dessas tecnologias, sem governança adequada, pode acelerar decisões críticas e ampliar crises já existentes.
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A jornalista Maria Ressa, vencedora do Prêmio Nobel da Paz, participou do anúncio e alertou sobre o impacto da tecnologia na erosão da confiança pública. Segundo ela, a velocidade com que informações falsas se espalham supera a capacidade de verificação, aprofundando divisões sociais e políticas.
Abaixo, o vídeo sobre o anúncio do Boletim dos Cientistas Atômicos, feito na terça-feira, 27 de janeiro (versão original)
Criado em 1947, durante a Guerra Fria, o Relógio do Juízo Final tem como objetivo alertar a sociedade sobre a proximidade de ameaças existenciais. Esta foi a terceira vez, nos últimos quatro anos, que os cientistas decidiram aproximar o ponteiro da meia-noite, indicando um cenário cada vez mais instável.