Startup testa transformar vulcão submarino em fonte de energia limpa

Após cinco operações no oceano, a Endurance Energy prepara um gerador comercial de 2 megawatts para um projeto no Pacífico

Startup testa transformar vulcão submarino em fonte de energia limpa
Créditos: Endurance Energy/ NOAA/ Wikimedia Commons

Adele Peters 3 minutos de leitura
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Em setembro, a startup Endurance Energy navegou 300 milhas mar adentro, no litoral do Oregon (costa leste dos EUA), para testar algo inédito: a geração de energia geotérmica em um vulcão submarino.

Em um campo de fontes hidrotermais a cerca de 1,5 mil metros de profundidade, a equipe perfurou um poço de quase cinco centímetros de diâmetro e 16 metros de profundidade, que alcançou temperaturas de 260 °C sob o leito oceânico – o primeiro poço desse tipo totalmente revestido.

Mais tarde, enquanto ondas de três metros atingiam a embarcação, a equipe baixou um gerador de três toneladas até o fundo do mar para testar sua capacidade de produzir eletricidade a partir desse calor.

O processo completo não funcionou exatamente como planejado e o experimento foi interrompido quando um cabo de energia falhou. Mas, quando a equipe conectou o gerador a uma fonte hidrotermal natural no leito oceânico, o equipamento produziu eletricidade brevemente. Durante 8,7 segundos, gerou mais energia do que consumiu.

A empresa afirma que esse resultado é uma demonstração importante para sua visão de longo prazo: uma rede de usinas submarinas capazes de fornecer energia limpa de base, disponível continuamente.

A startup, sediada em Seattle, já captou US$ 63 milhões e foi lançada no início de 2025. Desde então, realizou cinco operações de instalação e testes submarinos. O experimento de setembro foi o mais completo até agora, colocando em prática todas as etapas do processo desenvolvido pela empresa.

O sistema protótipo, chamado Adélie, está de volta ao laboratório da empresa, onde passa por ajustes e preparativos para uma nova operação, prevista para daqui a alguns meses. Ainda é cedo para saber se a tecnologia será realmente viável.

O fundador e CEO da Endurance Energy, Andrew Redd, argumenta que a abordagem oferece vantagens. Em terra, os melhores locais para a geração geotérmica têm rochas permeáveis, temperaturas elevadas e acesso à água. No ambiente offshore, todos esses elementos são encontrados com facilidade.

Startup testa transformar vulcão submarino em fonte de energia limpa
Crédito: Endurance Energy

“Temos essa vasta rede permeável nas dorsais mesoceânicas. Há, obviamente, água ilimitada para os reservatórios. Além disso, a espessura da crosta é muito pequena, de modo que temos uma crosta oceânica fina, que proporciona um gradiente geotérmico muito elevado”, explica o engenheiro.

Há outras questões a considerar, entre elas o impacto ambiental. A empresa, que vem trabalhando com a Universidade de Washington nos primeiros testes de seus protótipos, afirma monitorar cuidadosamente os efeitos ambientais e sustenta que eles são mínimos. O ruído da perfuração, por exemplo, é mais baixo do que o do motor da embarcação.

Ainda assim, é mais difícil prever os efeitos que a atividade poderá produzir ao longo do tempo. Além disso, a cultura de startups que avançam rapidamente e resolvem os problemas depois não combina necessariamente com a cautela exigida nesse tipo de empreendimento.

Startup testa transformar vulcão submarino em fonte de energia limpa
Crédito: Endurance Energy

Também não está claro quais obstáculos a empresa poderá enfrentar no licenciamento quando ampliar a operação para sistemas comerciais em escala plena.

Em teoria, se funcionar, a tecnologia poderá oferecer uma enorme capacidade de geração de energia. Ao longo do Anel de Fogo do Pacífico, Redd estima que existam cerca de seis terawatts de potência que poderiam ser desenvolvidos nos próximos cinco anos – supondo (e essa é uma grande suposição) que os equipamentos necessários estivessem disponíveis para viabilizar a construção das instalações. Isso representaria mais energia do que a demanda mundial atual.

equipamento para captar energia geotérmica no fundo do mar

“Onde a tecnologia for economicamente viável e houver recursos próximos à costa, poderemos atender a uma boa parcela da demanda futura por energia e começar também a substituir a geração existente baseada em fontes não renováveis”, afirma Redd.

“Essa é a missão da empresa: fazer com que a energia geotérmica offshore se torne a escolha economicamente óbvia.”

A Endurance Energy está desenvolvendo um sistema modular, concebido para ser reproduzido em fábrica e, assim, alcançar economia de escala. “Isso nos coloca no universo da fabricação de painéis solares, em que a mesma coisa é produzida repetidamente”, afirma.

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Enquanto reformula o protótipo Adélie, a startup também desenvolve seu gerador comercial de dois megawatts. O primeiro projeto está previsto para o Reino de Tonga, no Pacífico Sul, onde grande parte da rede elétrica funciona com diesel importado. Se tudo correr como planejado, a nova usina poderá entrar em operação no próximo ano.


SOBRE A AUTORA

Adele Peters é redatora da Fast Company. Ela se concentra em fazer reportagens para solucionar alguns dos maiores problemas do mundo, ... saiba mais