Violência digital aumenta no Brasil e as mulheres negras são as mais atingidas

Denúncias de violência digital cresceram 188,6% em um ano. Quase metade das vítimas atendidas pelo Ligue 180 são mulheres negras

violência digital contra mulheres
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Beatriz Felizardo 3 minutos de leitura

Dados divulgados pelo Ministério das Mulheres nesta segunda-feira (22de junho) mostram que o número de ocorrências de violência contra mulheres no ambiente digital praticamente triplicou de 2025 para 2026.

Nos cinco primeiros meses deste ano, a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 registrou 16.725 denúncias, em comparação com as 5.795 contabilizadas no mesmo período no ano passado – um crescimento de 188,6%. 

As agressões, antes restritas aos espaços físicos, passaram a ganhar novas formas. A violência de gênero também está presente nas redes sociais, em perfis anônimos e em aplicativos, tornando a internet uma extensão dos ataques já vivenciados no cotidiano. 

O Ministério das Mulheres e a Secretaria de Comunicação da Presidência da República  definem "violência pela internet" quando alguém usa celulares, redes sociais, aplicativos de mensagem, jogos online ou espaços digitais para controlar, humilhar, expor, perseguir, chantagear ou ferir a dignidade de mulheres e meninas.

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Atos como divulgação não consentida de imagens íntimas, difamação e exposição de dados pessoais estão entre as principais práticas registradas. 

Em entrevista publicada pela Agência Brasil, a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, afirmou que o crescimento das denúncias está atrelado à redução da subnotificação. Segundo ela, a melhoria no acolhimento e o aumento da confiança no serviço podem ter contribuído para o aumento dos registros. 

QUEM SÃO AS VÍTIMAS?

A violência digital não afeta todas as mulheres da mesma forma. Ao fazer um recorte racial, quase metade das vítimas atendidas (48%) é composta por mulheres negras, sendo 37,5% pardas e 10,5% pretas. As brancas representam 34,2% dos registros. 

Quando falamos de faixa etária, o maior número de denúncias foi registrado entre mulheres de 35 a 44 anos, que são 21,6% dos casos. Ao ampliar para a faixa dos 25 aos 49 anos, esse grupo corresponde à metade (50,8%) do total. 

cresce a violência contra mulheres no ambiente online
Crédito: solidcolours/ iStock

Segundo pesquisas do  Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), 85% das mulheres têm acesso à internet. O aumento da presença feminina nesses espaços amplia o alcance desse tipo de violência, já que a internet passou a fazer parte da rotina de trabalho, estudos e lazer.  

COMO ENFRENTAR A VIOLÊNCIA DIGITAL

Diante da escalada dos casos de violência digital, o protocolo de atendimento do Ligue 180 foi atualizado com o intuito de orientar melhor as vítimas sobre como agir em casos de crimes praticados online. 

Além da capacitação das atendentes, o serviço também está realizando uma atualização do formulário de atendimento, incluindo os tipos de crimes virtuais que o público feminino pode enfrentar. 

Para a coordenadora geral do canal de denúncias, Ellen Costa, a atualização do protocolo demonstra que o serviço não se limita às orientações da Lei Maria da Penha, mas busca acompanhar a realidade e as novas formas de violência enfrentadas pelas vítimas. 

o maior número de denúncias foi registrado entre mulheres de 35 a 44 anos.

Toda a qualificação e atualização do protocolo de atendimento seguem as orientações do decreto presidencial nº 12.976/2026 que visa reforçar a proteção feminina em meios digitais.

O texto estabelece os deveres das plataformas diante de crimes de violência contra mulheres na internet e institui mecanismos para a prevenção e combate dessas práticas online. 

Para a diretora da Secretaria de Políticas Digitais da Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom), Marina Pita, o decreto é inovador na perspectiva da proteção dessas vítimas e uma garantia para que elas possam continuar se manifestando sem que sejam expulsas dos espaços digitais por meio da violência.


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