Walmart quer construir lojas mais rápido com impressão 3D

Impressoras robóticas estão sendo usadas pelo Walmart para acelerar obras, reduzir custos e transformar a construção comercial

Walmart começa a imprimir suas lojas em 3D
Crédito: FMGI

Patrick Sisson 4 minutos de leitura
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O Walmart ficou famoso por promover sua “garantia de preço baixo”, mostrando como a escala da varejista ajudava os clientes a economizar. Agora, em uma tentativa de reduzir os próprios custos, o Walmart está imprimindo suas lojas em 3D.

Nos últimos dois anos, empreiteiras que trabalham para o Walmart usaram construção com impressão 3D em algumas unidades nos Estados Unidos. Até agora, as paredes de cinco ampliações de lojas existentes foram construídas dessa maneira.

A escala da varejista está impulsionando o crescimento e a adoção da tecnologia, que promete construir edifícios de forma mais rápida e econômica.

O uso da impressão 3D na construção civil tem se concentrado principalmente em estruturas residenciais, devido ao tamanho menor dessas construções e ao estágio ainda inicial da tecnologia. Expandir a impressão 3D para o setor comercial pode ajudar a ampliar a escala da indústria.

Enquanto isso, concluir estruturas maiores, com orçamentos mais robustos, pode ajudar a comprovar a utilidade do processo e até contribuir para reduzir os custos. Para concluir suas construções impressas em 3D, o Walmart fez parceria com a Alquist, fabricante das impressoras 3D robóticas A1X, e com a construtora FMGI.

“É isso que me mantém animado”, diz Darin Ross, presidente e CEO da FMGI. “Há 30 anos, vejo a indústria da construção fazendo tudo exatamente da mesma maneira”, afirma. “Nós, como setor, estamos muito atrasados na adoção de novas tecnologias e novas formas de fazer as coisas.”

A FMGI é treinada para operar as impressoras 3D da Alquist – que depositam camadas de um composto de concreto, como pasta de dente sendo espremida de um tubo. Recentemente, concordou em ampliar um acordo com o Walmart para imprimir prédios em 3D. Isso inclui construções em escala real e mais de 30 projetos em andamento até 2027.

prédio comercial construído com a técnica de impressão 3D
Crédito: FMGI

A parceria começou com um projeto piloto na unidade do Walmart na cidade de Atenas, no estado do Tennessee, em setembro de 2024.

As impressoras da Alquist construíram as paredes de uma ampliação de 750 metros quadrados, com seis metros de altura, na superloja. A área adicional ajudou a unidade a atender melhor ao aumento da demanda por retirada e entrega de pedidos.

A empresa havia conquistado inicialmente o contrato de Atenas com o Walmart para realizar uma construção convencional em alvenaria, mas a varejista mudou de estratégia e disse à FMGI que queria experimentar a impressão 3D na ampliação.

O processo envolveu uma curva de aprendizado acentuada. Foi necessário descobrir como operar o robô de impressão montado sobre trilhos, que extruda camadas de concreto especial de cerca de 2,5 centímetros de espessura, misturado com fibras para evitar rachaduras durante a cura.

prédio comercial construído com a técnica de impressão 3D
Crédito: FMGI

Foram necessários 40 dias para descobrir como imprimir as paredes de seis metros de altura da ampliação, incluindo o domínio do novo sistema. A FMGI também precisou reapresentar os projetos à prefeitura para obter autorização para usar o novo método.

Mas os obstáculos serviram como oportunidades de aprendizado. A construção do próximo projeto de impressão 3D da FMGI para o Walmart – em uma loja no Alabama, concluída no fim de fevereiro de 2025 – levou apenas uma semana. Foi uma economia de tempo considerável.

prédio comercial construído com a técnica de impressão 3D
Crédito: FMGI

“Vi o robô imprimir as paredes e a velocidade e a precisão com que fazia isso”, diz Ross. “Foi quando a ficha caiu.” Atualmente, a FMGI possui quatro equipamentos robóticos da Alquist, que custam, em média, pouco menos de US$ 300 mil cada.

ECONOMIA DE TEMPO E DINHEIRO

A FMGI afirma que esses projetos reduzem em um terço o tempo de produção – permitindo que a varejista abra a loja e comece a vender muito mais rapidamente – e diminuem os custos de construção em 15%.

A técnica ainda enfrenta desafios. Assim como na construção convencional, o clima é um problema: a mistura de água e concreto enviada pelo braço robótico e pelo bico dispensador precisa ser mantida abaixo de 33ºC e acima do ponto de congelamento para evitar entupimentos ou derretimento.

Na obra de Atenas, onde a equipe trabalhou com uma versão anterior da impressora, o calor chegou a sufocantes 43ºC.

Ross se lembra de as mangueiras que transportavam a mistura de concreto até o bico estourarem devido ao controle inadequado da temperatura. Depois, os trabalhadores passaram a adicionar gelo à máquina para resfriá-la e realizar as impressões durante a noite.

Além disso, ventos fortes podem deixar a máquina instável e incapaz de depositar linhas precisas do composto de concreto. Mas, como argumenta Ross, as desvantagens são muito menores do que ter uma dúzia de pedreiros em um andaime, enfrentando frio ou calor extremos.

prédio comercial construído com a técnica de impressão 3D
Crédito: FMGI

A próxima rodada de projetos da FMGI e da Alquist para o Walmart será formada principalmente por postos de combustível independentes, além de mais ampliações para atender às operações de retirada e entrega de pedidos online.

Outras construtoras e varejistas estão acompanhando o que o Walmart está fazendo e se preparam para seguir o mesmo caminho. “Com o Walmart sendo o líder do setor varejista, muita gente vai adotar a tecnologia depois que a empresa descobrir como fazer isso”, diz ele.


SOBRE O AUTOR

Patrick Sisson é colaborador da Fast Company e cobre o setor de desenvolvimento urbano e mercado imobiliário para o ranking anual Most... saiba mais