Em uma definição purista do termo martech, games representariam muito mais uma vertical de uma estratégia de marketing e tecnologia do que propriamente uma solução ou ferramenta. No entanto, de acordo com Robson Harada, head de growth marketing do Itaú Unibanco, as soluções de martech podem amplificar e melhorar a gestão de plataformas de games, conteúdo de criadores, automatização de processos e rotinas para se comunicar com o gamer.

Equipe da Loud, uma das maiores organizações de e-sports do Brasil  (Crédito: Divulgação)

Mas, por que o Itaú seria a marca mais indicada para servir como exemplo em uma estratégia de games? Por dois motivos em especial: o primeiro tem relação com a estreia do banco no segmento por meio de um patrocínio ao streamer Flakes Power e por meio do apoio à Loud, uma das maiores organizações de e-sports do Brasil. O segundo, está ligado ao fato de essas iniciativas serem lideradas por Harada, um embaixador de martech no banco e fora dele. “No curto prazo, buscamos impacto social e formação de base. Já o médio e longo prazo serão decorrentes da escuta ativa que iremos fazer com os expoentes desse ecossistema, para atuarmos com protagonismo por meio de produtos, soluções e narrativas”, diz Harada.

“De acordo com a Pesquisa Game Brasil 2021, 42,2% dos entrevistados disseram ter gasto mais dinheiro com jogos digitais durante o isolamento social”

Sobre a estratégia utilizada para entrar no ecossistema, Harada explica que o objetivo é aproximação com relevância. “Temos os patrocínios, que é uma frente importante para dar visibilidade para as histórias de transformação que os games proporcionam, mas também queremos trazer o que há de melhor em soluções financeiras que, de fato, tenham adesão e façam sentido para eles”, explica, destacando o quanto os games estão avançados em termos de dados, tecnologia e métricas. “Esse universo nasce mais do que digitalizado e tecnológico, então tudo se torna mensurável e acionável. Dados aqui funcionam como em qualquer outro universo: para entender quais as métricas que queremos mover, os KPIs que devem ser atingidos e orientar ações e evoluções baseadas em informações factuais e não achismos”, afirma.

Robson Harada, head de growth marketing do Itaú Unibanco (Crédito: Divulgação)

COMUNIDADES E PERFORMANCE

A primeira ação anunciada pelo Itaú no segmento, em 13 de maio, foi uma parceria com o streamer Flakes Power, especializado em conteúdo do jogo Fortnite, por meio do lançamento da Hero Base, organização de e-sports focada no desenvolvimento de novos criadores de conteúdo e no cenário competitivo do jogo da Epic Games. A Hero Base está localizada em Joinville, Santa Catarina.

Outro projeto anunciado foi com a Loud. O banco se tornou o novo patrocinador da organização estampando a camiseta dos times competitivos e apoiando o documentário Somos Loud, que mostra a influência dos games no desenvolvimento de produtores de conteúdo e jogadores profissionais. Para consolidar essas ações, o Itaú escolheu a agência Druid como parceira gamer que lançou o mote #IssoMudaOGame, adaptação do conceito institucional #IssoMudaOMundo. “Com os e-sports é mais que natural que isso atraia olhares, investimentos e esforços. É algo que se estabeleceu, veio para ficar e nós como setor, indo além da competição, temos muito a agregar no desenvolvimento, relevância e crescimento desse ecossistema.”

Hero Base, projeto desenvolvido em parceria com o Itaú e o streamer Flakes Power  (Crédito: Divulgação)

Nos últimos meses, o segmento financeiro é um dos que mais investe em games e e-sports. Santander, Banco do Brasil, Digio, BS2, Next e Trigg são algumas das marcas que ampliaram a atenção a este mercado. De acordo com a Pesquisa Game Brasil 2021, 42,2% dos entrevistados disseram ter gasto mais dinheiro com jogos digitais durante o isolamento social. Dos 83 milhões de gamers declarados no Brasil, 55 milhões fazem transações financeiras.

SOBRE O AUTOR

Luiz Gustavo Pacete é editor-contribuinte da Fast Company Brasil