A parceria começou em 2018 com projetos bem-sucedidos, como o que envolveu o álbum Bluesman, do rapper Baco Exu do Blues. Junto ao artista, AKQA e Coala.Lab construíram identidade visual, estratégia de lançamento do disco e um clipe – que conquistou um Grand Prix na categoria Entertainment for Music no festival Cannes Lions no ano seguinte.

Depois de três anos trabalhando em diversos projetos, a plataforma de música e a agência anunciam, nesta quinta-feira, 8, a criação de uma joint venture para elevar a conexão entre marcas e artistas no Brasil e no mundo (já que a AKQA possui escritórios em diversos países).

Segundo o sócio e fundador do Coala.Lab Gabriel Andrade, e agora também music lead da AKQA\Coala.Lab, o principal desafio hoje é encontrar o equilíbrio entre os lados comercial e artístico. “Queremos ajudar as marcas a pertencerem às ações culturais e vice-versa. É comum ver muito do processo sendo pensado pelo marketing, por uma agência, e indo até o artista. Mas, muitas vezes, o artista tem um projeto que pode ser levado até a marca”, afirma.

Cena de Bluesman, clipe de Baco Exu do Blues, produzido por AKQA e Coala.Lab (Crédito: Divulgação)

Ao conseguir achar essa linha tênue, a joint venture espera entregar mais impacto ao artista, e, ao mesmo tempo, dar mais relevância cultural às marcas. Na prática, o foco da operação será a construção de histórias criativas que podem ser traduzidas em clipes, revistas, filmes, séries, experiências ou até mesmo produtos. Andrade gosta de traçar um paralelo com o que é feito nos esportes: no Brasil, o futebol é influente e bem explorado há anos, marcas patrocinam times, campeonatos e existem diversos produtos relacionados a este universo. A Nike, por exemplo, se insere na cultura da corrida para vender seus produtos. Se o raciocínio for transportado para as turnês de shows e potencial que a música tem de influenciar a vida das pessoas, muitas oportunidades se abrem.

Para Luiza Baffa, managing diretor da AKQA, muitas marcas ainda têm um olhar egocêntrico, que resulta em trabalhos que desviam de um olhar mais comportamental. “Mas muitas marcas, por outro lado, já estão nesse lugar de virada de percepção, cientes da necessidade de que precisam fazer algo que as pessoas queiram ver, que as conectem com o público. Existe um gap de mercado nesse sentido, e a música é uma das principais fontes de conexão com as pessoas”, diz.

O relatório Music in the air, da Goldman Sachs, prevê uma nova ‘golden era’ para a indústria musical, cujo ápice ocorrerá em 2030. As estimativas são de que a receita da música chegue a US$ 131 bilhões em dez anos. Em 2020, as receitas de música gravada totalizaram US$ 21,6 bilhões, alta de 7,4% em relação a 2019 (e o sexto ano consecutivo de crescimento). A ascensão foi impulsionada pelas receitas de streaming, especialmente as assinaturas pagas desses serviços, que compensam, de certa forma, as quedas nas receitas em outros formatos.

Além dos streamings de música, Luiza e Andrade veem com bons olhos a influência de redes sociais como o Tik Tok, que tem atuado como uma espécie de catalisador de hits, graças ao recurso de criação de coreografias da plataforma. Outro exemplo que veio da internet foi Daquan, conta do Instagram que tem Drake, The Weekend, Justin Bieber entre seus seguidores e que foi adquirida pela Warner Music por US$ 85 milhões.

SOBRE A AUTORA

Isabella Lessa é redatora-chefe da Fast Company Brasil