Após dez anos sem investir em comunicação, a marca de guaraná Kuat, da Coca-Cola, lança um novo posicionamento que inclui o início de uma nova fase de investimento em marketing e publicidade. A partir deste projeto, a conta de Kuat passa a ser atendida pela agência Gana. Criada a partir de um coletivo nascido em 2019, Gana foi oficializada em março deste ano sob a liderança de Felipe Silva, CEO, e tem como premissa a composição integral de profissionais pretos e periféricos.

Felipe Silva, CEO da Gana (Crédito: Reprodução)

Além do reposicionamento de Kuat, a agência será responsável pelas iniciativas criativas e estratégicas nas áreas de comunicação e ativações. “A Gana veio para trazer o poder da criatividade preta e periférica para o mercado de comunicação. É muito significativo que o nosso primeiro cliente seja a Coca-Cola Brasil com o Guaraná Kuat. Uma das empresas que mais entende de marketing no mundo apostou sua marca mais brasileira em uma parceria com a Gana. A expectativa é construir uma marca com conexão com o nosso povo, com as vivências do Brasil”, explica Felipe.

Ainda de acordo com o CEO, “a criatividade preta produz hits todos os dias em diversos ambientes. E agora, a Gana quer trazer isso para as marcas. Logo, esse olhar criativo preto e periférico vai ajudar a fazer de Kuat uma marca que não só fala de Brasil, mas que fala junto com o Brasil”, afirma, reforçando que a agência “acredita na junção de mentes e de olhares na construção de marcas baseada na descentralização do eixo sul-sudeste.”

REPRESENTATIVIDADE COMO FATOR DECISIVO

Camila Libório, brand manager da Coca-Cola Brasil, explica que a escolha de uma agência com liderança e equipe 100% preta fez parte do movimento muito mais amplo e que vai além do marketing. “O time de marketing, que fala diretamente com os consumidores brasileiros, precisa ter parceiros e uma equipe interna que seja capaz de representar esse consumidor. Buscamos para Kuat um parceiro criativo, com um pensamento disruptivo e disposto a trabalhar de uma forma diferente, carregando em sua essência a responsabilidade de garantir que os vários consumidores brasileiros vão se sentir representados em cada detalhe desta nova campanha”, explica Camila.

Camila Libório, brand manager de Kuat, na Coca-Cola (Crédito: Divulgação) 

“Foi uma concorrência que teve muito cuidado em escolher agências que tivessem políticas claras de inclusão e foco em proporcionalidade hierárquica para seus funcionários negros, uma vez que o Brasil é composto por 56% de pretos e pardos. Gana entregou não só um 360° criativo que atendia o nível de excelência e qualidade que esperávamos como sistema Coca-Cola, como também mostrou que sim, conseguimos trabalhar com equidade e ter responsabilidade social através das nossas marcas e parceiros”, completa a executiva.

Sobre a essência desse movimento de diversidade, Camila explica que, “as marcas que vão conseguir manter diálogo e conexão com o consumidor no mundo atual precisam entender que não é mais sobre falar sobre eles, mas sim falar com eles, dar voz ao que já existe não como protagonista mas sim como parceiro que escuta, faz parte e sabe o que está acontecendo. Para fazer isso, um primeiro passo vem através da identificação, da representatividade através de gênero, corpos, raças e sexualidade. Mas, tão importante quanto representar, para garantir a legitimidade é necessário construir uma comunicação que sai do lugar de contar história para o lugar de construção da história, e isso só é possível através de uma comunicação que tenha um storydoing maior que o storytelling”, explica.

Por fim, Camila pontua que essa responsabilidade vai além da marca, mas deve se estender para todo o ecossistema de negócios. “Sabemos que muitos dos nossos parceiros, assim como o próprio sistema Coca-Cola, ainda estão evoluindo nessa jornada, mas uma forma de acelerar essa mudança é ir além de trabalhar as as ações internas e influenciar a cadeia escolhendo parceiros que tragam essa representatividade. Isso ajuda a desenvolver o ecossistema e endereça nossa promessa de beneficiar todos os que são tocados pelo nosso negócio. Esse foi o critério para escolher as agências da concorrência”, reforça.

SOBRE O AUTOR

Luiz Gustavo Pacete é editor-contribuinte da Fast Company Brasil