Somente no mês de janeiro deste ano, o e-commerce brasileiro cresceu mais de 45% em relação ao mesmo período de 2020, de acordo com a Câmara Brasileira da Economia Digital (camara-e.net). O termo utilizado para classificar compras online, inclusive, deixou de se associar apenas a uma indústria para se tornar um conceito. Em meio à digitalização acelerada pela pandemia, outras derivações nasceram: voice-commerce, shopstream e live-commerce são expressões que estão na ordem do dia para quem trabalha com marketing e vendas.

Para lançar a Decifrei, a Ogilvy criou uma animação que narra a experiência imersiva do usuário na plataforma  (Crédito: Divulgação)

A cada novo experimento, outros termos vão surgindo, como é o caso do sound commerce. Nesta semana, a Magalu, em parceria com a Deezer, lança uma plataforma que se propõe, por meio de data intelligence, identificar instrumentos utilizados em trechos de música e permitir que eles sejam comprados na hora que a faixa estiver sendo tocada.

“Em um primeiro momento, fizemos uma seleção dos maiores hits na plataforma. Para isso, foram usadas metodologias de data intelligence e social listening”
Stefan Habergritz, da Deezer

A plataforma Decifrei permite que usuários ouçam seus artistas favoritos e, ao mesmo tempo, comprem instrumentos originais e similares usados em hits nacionais e internacionais. O recurso foi idealizado pela Ogilvy e mapeia instrumentos como guitarra, violão, baixo, bateria, piano e microfone.

A tecnologia usou como base clássicos nacionais e internacionais de grandes estúdios, entre eles, as gravadoras Universal, Sony e Warner permitindo que o recurso mobile decifre instrumentos originais usados por artistas como Anitta, Metallica e Queen. Com a plataforma, a Magalu estrela na categoria de instrumentos musicais. No total, a varejista oferece 110 mil produtos deste segmento.

Além da plataforma digital, o projeto contempla uma animação que narra a experiência imersiva de um personagem ao acessar o Decifrei, abordando os principais estilos musicais, como soul, jazz, rock e samba. “Utilizar um aplicativo de música para fazer e-commerce cria um novo formato de mídia. Este formato é mais uma das possibilidades que podemos fazer para conectar categorias com os seus respectivos públicos”, explica Rafael Montalvão, diretor de marketing e e-commerce do Magalu.

Stefan Habergritz, head de publicidade da Deezer Brasil, explica que foi necessário o desenvolvimento de uma tecnologia proprietária para esse projeto. “Ao descobrirmos o potencial de vender instrumento dentro da própria música, em um primeiro momento, fizemos uma seleção dos maiores hits na plataforma, dos atemporais aos mais modernos. Para isso, foram usadas metodologias de data intelligence e social listening. Depois da seleção, passamos a trabalhar com uma extensa equipe de produtores musicais que cruzaram informações diversas para chegar aos instrumentos de cada música. Foram selecionados os principais modelos usados em cada uma delas e mapeamos o momento exato em que os instrumentos tocam.”

Recursos de AI  e social listening foram utilizados para identificar gêneros e produtos de interese (Crédito: Divulgação)

Daniel Schiavon, diretor executivo de criação da Ogilvy Brasil, afirma que, se antes as marcas tinham um objetivo primário de gerar awareness, com essa iniciativa, o foco é  converter vendas de forma direta. “O shopstreaming é uma realidade para o consumidor mobile first, algo que todos os players de mídia têm buscado oferecer. O e-commerce vem se aprimorando nesse sentido para oferecer a melhor experiência. Aqui, a tecnologia é o meio, mas a fortaleza está na na busca por oferecer novas experiências”, afirma.

“O shopstreaming é uma realidade para o consumidor mobile first, algo que todos os players de mídia têm buscado oferecer”
Daniel Schiavon, da Ogilvy Brasil

Na semana passada, a Magalu anunciou a compra da ToNoLucro e Grandchef com o objetivo de integrar o ecossistema de conteúdo e transações. Ainda em 2021, a empresa já havia adquirido a plataforma de moda Steal the Look. O mercado de instrumentos musicais, da qual a empresa passa a fazer parte a partir de agora, movimenta mais de R$ 2 bilhões anualmente no Brasil.

SOBRE O AUTOR

Luiz Gustavo Pacete é editor-contribuinte da Fast Company Brasil