A guerra dos remédios para emagrecer tem uma nova líder?

Novo anúncio da farmacêutica Eli Lilly impulsiona ações enquanto a principal rival enfrenta queda expressiva no mercado

A guerra dos remédios para emagrecer tem uma nova líder?
Eli Lilly/Galina Nelyubova via Unsplash

Grace Snelling 4 minutos de leitura

É um bom dia para a gigante farmacêutica Eli Lilly.

Na manhã da última segunda-feira (23), a empresa apresentou sua mais recente inovação na guerra dos medicamentos para perda de peso: a KwikPen. De acordo com um comunicado à imprensa, a KwikPen contém um mês de Zepbound, o produto GLP-1 da Eli Lilly para combater a obesidade, e foi projetada para tornar a administração do medicamento mais conveniente.

Juntamente com o anúncio dessa inovação, a principal concorrente da Eli Lilly, a Novo Nordisk, divulgou a notícia de que seu medicamento experimental, CagriSema, apresentou desempenho inferior na perda de peso em um estudo comparativo direto com o medicamento patenteado da Eli Lilly, a tirzepatida.

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Cerca de 1 em cada 8 adultos americanos utilizava um GLP-1 para perda de peso ou para tratar uma condição crônica

Um estudo de novembro da organização sem fins lucrativos de políticas de saúde KFF constatou que cerca de 1 em cada 8 adultos americanos utilizava um GLP-1 para perda de peso ou para tratar uma condição crônica. À medida que o mercado de medicamentos para emagrecimento dispara, seus dois principais concorrentes — Eli Lilly e Novo Nordisk, fabricante do Ozempic — disputam para oferecer as versões mais convenientes, eficazes e acessíveis de seus respectivos medicamentos.

No momento, a Eli Lilly parece estar na liderança na corrida dos GLP-1, em meio a diversos desafios para a Novo Nordisk. Na segunda-feira (23), até o momento da redação deste texto, as ações da Novo Nordisk caíram quase 16% desde a abertura do mercado, enquanto as da Eli Lilly subiram quase 5%.

MEDICAMENTOS GANHAM NOVAS FORMAS MAIS CONVENIENTES


Nos últimos meses, tanto a Eli Lilly quanto a Novo Nordisk investiram em formatos inovadores de medicamentos para fidelizar clientes e alcançar novos públicos.

Em dezembro, a Novo Nordisk recebeu a aprovação do FDA (agência americana similar à Anvisa, do Brasil) para um comprimido inédito de uso diário para emagrecimento. A pílula, que é uma forma oral do GLP-1 Wegovy da Novo Nordisk, oferece uma maneira menos invasiva para os usuários administrarem medicamentos para perda de peso, que normalmente são administrados por injeção. A Eli Lilly está atualmente na fase de testes de seu próprio GLP-1 oral, mas ainda não oferece nada semelhante à pílula Wegovy.

Enquanto isso, o KwikPen provavelmente facilitará a administração do Zepbound para os clientes da Eli Lilly. Atualmente, os pacientes usam um autoinjetor separado para cada dose semanal do medicamento. Cada KwikPen, por outro lado, vem pré-carregado com quatro doses, o que significa que uma caneta dura um mês inteiro. Está disponível em seis dosagens, variando de 2,5 miligramas a 15 miligramas. Para pacientes que pagam em dinheiro, o KwikPen estará disponível no site de venda direta ao consumidor da Eli Lilly, o LillyDirect.

ELI LILLY SAI NA FRENTE


A Eli Lilly pode estar ficando para trás da Novo Nordisk no desenvolvimento de comprimidos de GLP-1, mas conquistou diversas vitórias significativas contra sua principal concorrente nos últimos meses.

A Novo Nordisk vem enfrentando uma batalha árdua à medida que o mercado de medicamentos para perda de peso se torna mais competitivo, inclusive devido à proliferação de versões manipuladas (ou seja, genéricas) do Ozempic e do Mounjaro, produzidas por fabricantes menores.

Em seu relatório do quarto trimestre, divulgado no início de fevereiro, a Novo Nordisk anunciou uma receita robusta de US$ 12,34 bilhões, mas alertou que o crescimento de suas vendas e lucros diminuiria entre 5% e 13% em 2026, em meio à crescente concorrência e à queda dos preços nos EUA. Essas mesmas dificuldades fizeram com que o preço das ações da empresa despencasse mais de 55% em relação ao ano anterior.

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O LANCE DA ELI LILLY

Enquanto isso, a Eli Lilly tem se beneficiado do grande sucesso do Zepbound desde seu lançamento em 2023, com clientes optando pelo medicamento devido à sua maior eficácia na perda de peso em comparação com o Ozempic.

Créditos: Douglas Cliff/ aprott/ iStock

Em seu relatório do quarto trimestre, divulgado em fevereiro, a Eli Lilly anunciou uma receita de US$ 19,3 bilhões e estimou um crescimento de vendas de impressionantes 25% em 2026. As ações da empresa subiram mais de 25% em relação ao ano anterior.

Agora, a Novo Nordisk sofre mais um revés, já que um relatório de 23 de fevereiro mostrou que seu novo medicamento experimental, CagriSema, não conseguiu demonstrar não inferioridade em relação à tirzepatida da Eli Lilly.

De acordo com o relatório da Novo Nordisk, "se todos os participantes aderissem ao tratamento, aqueles tratados com CagriSema 2,4 mg/2,4 mg alcançariam uma perda de peso de 23% após 84 semanas, em comparação com 25,5% com tirzepatida 15 mg". À medida que o uso de GLP-1 se torna mais comum, as gigantes farmacêuticas enfrentarão uma batalha cada vez mais acirrada pela participação de mercado.


SOBRE A AUTORA

Grace Snelling é colaboradora da Fast Company e escreve sobre design de produto, branding, publicidade e temas relacionados à geração Z. saiba mais