Amazon fecha lojas Go e Fresh e redefine estratégia no varejo físico

Gigante do varejo vai fechar cerca de 70 lojas físicas e concentrar sua presença offline na Whole Foods e no supermercado online

Amazon fecha lojas Go e Fresh e redefine estratégia no varejo físico
JHVEPhoto via Getty Images, engin akyurt via Unsplash

Taylor Hatmaker 3 minutos de leitura

A Amazon vai investir ainda mais na marca Whole Foods, encerrando dois de seus próprios experimentos de varejo físico no processo.

A gigante do varejo online anunciou na última terça-feira (27) que fechará todas as suas lojas de conveniência Amazon Go e supermercados físicos Amazon Fresh. No total, cerca de 70 unidades das duas submarcas serão fechadas, a partir de fevereiro, com algumas reabrindo posteriormente sob a marca Whole Foods.

As lojas Amazon Fresh funcionavam como uma versão física do serviço de entrega de supermercado online da Amazon, de mesmo nome, enquanto as lojas Amazon Go ofereciam produtos básicos de conveniência com um toque de tecnologia nos caixas.

"Após uma avaliação cuidadosa do negócio e de como podemos melhor atender os clientes, tomamos a difícil decisão de fechar nossas lojas físicas Amazon Go e Amazon Fresh, convertendo várias unidades em lojas Whole Foods Market", escreveu a Amazon em uma atualização em seu blog, acrescentando que "coletou informações valiosas" durante a operação dessas lojas.

SEM PLANO B

A marca Amazon pode ficar um plano b em sua estratégia de varejo físico, mas as ambições da gigante do varejo no mundo real permanecem. A Amazon também anunciou planos para abrir mais de 100 novas lojas Whole Foods nos próximos anos.

Quando os fechamentos das lojas Go e Fresh forem concluídos, a rede de lojas Whole Foods da Amazon servirá como a única presença física de varejo da empresa — pelo menos por enquanto.

Com os fechamentos, a Amazon está abandonando seu longo experimento com as lojas físicas Fresh e Go, que testou tecnologias emergentes de varejo e impulsionou sua marca para novas categorias de compras.

A Amazon Go era conhecida por permitir que os clientes pegassem o que desejavam e simplesmente saíssem da loja.

A Amazon Go era conhecida por permitir que os clientes pegassem o que desejavam e simplesmente saíssem da loja, em vez de escanear os itens individualmente em um caixa tradicional. Esse sistema utilizava sensores e câmeras suspensas para rastrear as compras dos clientes e vinculá-las às suas contas digitais.

PLANOS MENOS AMBICIOSOS

Embora a Amazon já tenha tido um ambicioso plano para uma vasta rede de lojas físicas centrada em sua tecnologia Just Walk Out, a empresa reduziu seus planos consistentemente nos últimos anos. Em 2018, a Amazon planejava abrir até 3.000 lojas sem caixas, utilizando a tecnologia, nos três anos seguintes. Mas, no início de 2026, a Amazon Go havia se reduzido a apenas 14 lojas.

O alto custo de equipar as lojas com uma sofisticada gama de sensores acabou por frustrar essas ambições, levando a empresa a optar por um sistema que permite aos clientes escanear itens para carrinhos inteligentes enquanto fazem compras. A Amazon agora licencia a tecnologia Just Walk Out para terceiros, incluindo diversas lojas de produtos, alimentos e bebidas no Lumen Field, casa do Seattle Seahawks.

A Amazon claramente ainda quer abocanhar uma fatia do sucesso das compras do dia a dia e dos supermercados.

A Amazon ainda está explorando maneiras de levar sua vitrine digital para o mundo das compras físicas. Mesmo reduzindo alguns planos de varejo em menor escala, a empresa claramente ainda quer abocanhar uma fatia do sucesso das compras do dia a dia e dos supermercados, mercado que marcas como Walmart e Costco desfrutam.

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Já no próximo ano, a Amazon planeja inaugurar sua primeira loja gigante, no estilo "big box" — abastecida com artigos para o lar, alimentos e comidas prontas — na região de Chicago. "Foi projetado especificamente para atender às demandas atuais dos clientes do varejo", disse um advogado da Amazon às autoridades locais, que aprovaram o projeto na semana passada.


SOBRE A AUTORA

Taylor Hatmaker é fotógrafa e jornalista especializada em mídia social, games e cultura digital. saiba mais