As 10 empresas mais inovadoras da América Latina em 2026

Três empresas brasileiras estão entre as mais inovadoras, segundo ranking da Fast Company; conheça mais sobre os destaques latino-americanos

Ilustração mostra duas mãos estilizadas segurando uma esfera luminosa no centro, atravessada por linhas curvas que lembram fluxos de energia ou dados. Ao fundo, uma paisagem urbana aparece parcialmente, sugerindo tecnologia, controle e conexão sobre a cidade.
Moor Studio via Getty Images / Mariana Boscan Fernandez, Steve Johnson via Unsplash

Redação Fast Company 6 minutos de leitura

Em 2026, já não surpreende ouvir um CEO se gabar do uso de inteligência artificial — mesmo quando isso significa apenas adicionar um novo chatbot a um site. Mas algumas empresas da América Latina foram além e encontraram aplicações realmente úteis para as tecnologias mais recentes, como mostra ranking da Fast Company.

No Brasil, o iFood lançou o “Large Commerce Model”, que ajuda restaurantes a criar ofertas capazes de atrair novos clientes. No Chile, a Ainwater desenvolveu um software com IA para ajudar concessionárias de água a tomar decisões melhores e economizar energia. Na Colômbia, a Dapper criou uma plataforma que oferece a multinacionais uma nova forma de navegar pelo labirinto de regulações locais. E no México, a Niko Energy usou IA e visão computacional para avaliar imóveis e viabilizar a instalação de painéis solares em telhados — abrindo caminho para as chamadas “usinas virtuais”.

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Outras empresas inovaram por meio de aquisições e novas frentes de negócio. A brasileira WEG, gigante de motores elétricos, comprou um aplicativo para conectar motoristas a pontos de recarga. A Petlove&Co, também do Brasil, adquiriu uma empresa de exames laboratoriais para levar tecnologia de imagem de ponta ao seu ecossistema veterinário. Já a exportadora colombiana de ácido cítrico Sucroal transformou um de seus resíduos em insumo para cervejarias.

Também há quem esteja aplicando ciência de ponta para resolver problemas persistentes. Na Argentina, a Puna Bio utiliza bactérias extremófilas para desenvolver fertilizantes e pesticidas de nova geração. Na Colômbia, a NanoFreeze recorre à bionanotecnologia para tornar a refrigeração mais eficiente.

As 10 mais inovadoras da América Latina

1. Cobre (Colômbia)
Por facilitar transferências de dinheiro entre bancos e empresas de forma fluida

2. WEG (Brasil)
Por preparar o terreno para a expansão dos veículos elétricos

3. Niko Energy (México)
Por acelerar instalações solares com mapeamento de telhados via IA

4. Dapper (Colômbia)
Por usar IA para ajudar empresas a lidar com a complexa burocracia da região

5. Puna Bio (Argentina)
Por aumentar a produtividade agrícola na América do Sul com biofertilizantes de bactérias extremófilas

6. Sucroal (Colômbia)
Por transformar subprodutos da produção de ácido cítrico em insumos para cervejarias

7. iFood (Brasil)
Por ajudar restaurantes a oferecer refeições mais acessíveis sem comprometer margens

8. NanoFreeze (Colômbia)
Por reduzir emissões e melhorar a refrigeração com bionanotecnologia

9. Petlove&Co (Brasil)
Por tornar o cuidado com a saúde dos pets mais acessível

10. Ainwater (Chile)
Por aplicar inteligência artificial ao tratamento de água

OS DETALHES SOBRE AS 3 EMPRESAS BRASILEIRAS

Saiba um pouco mais sobre o que levou iFood, WEG e Petlove&Co a se destacarem entre as mais inovadoras na América Latina.

WEG

A WEG é a maior fabricante de motores elétricos da América Latina. Literal e metaforicamente, ela está ajudando a impulsionar a transição para energia limpa na região. Mas ela não fabrica apenas motores.

A WEG teve um ano de 2025 bastante movimentado. Adquiriu a Tupi Mob, um aplicativo que 370 mil pessoas usam para encontrar e carregar seus veículos elétricos no Brasil — um segmento considerável do pequeno, porém crescente, mercado de veículos elétricos do país.

recarga de carros elétricos
Crédito: Freepik

A companhia também lançou um centro de reparos e manutenção para veículos elétricos, incluindo as centenas de ônibus elétricos que a empresa fornece com baterias. Fez parceria com a Volvo para instalar novas estações de recarga para veículos elétricos no Peru. E revelou planos para começar a vender carregadores na Europa ainda este ano.

Segundo a empresas, todos esses esforços fazem parte de “uma estratégia integrada que combina eficiência energética, eficiência operacional, energias renováveis ​​e mobilidade elétrica” para impulsionar a transição energética na América do Sul e além.

iFood

Fundada em 2011, a iFood é hoje a plataforma de delivery dominante na maior economia da América Latina, o Brasil. Ao longo do tempo, expandiu-se muito além de "comida", incluindo desde entregas de medicamentos até serviços financeiros.

Em agosto de 2025, a empresa lançou um programa com o objetivo de tornar os serviços de delivery mais acessíveis: o iFood Hits. "Não se trata de uma campanha de descontos; é um novo formato de delivery que cria nova demanda, trazendo novos usuários para a economia do delivery e ajudando os restaurantes a alcançar públicos que nunca haviam atingido antes", afirma um porta-voz da iFood.

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Crédito: Divulgação

O processo funciona da seguinte forma: a iFood coleta dados de restaurantes parceiros e orienta os operadores a selecionar itens do cardápio que podem ser oferecidos a preços mais baixos sem prejudicar as margens de lucro. Essas recomendações são feitas por um "Modelo de Grande Comércio" que, segundo a iFood, aplica inteligência artificial a bilhões de interações passadas para identificar os padrões de compra e a sensibilidade a preços dos clientes.

O iFood afirma que mais de 8 milhões de pessoas experimentaram o iFood Hits desde o seu lançamento no verão passado, incluindo 323 mil que fizeram seus primeiros pedidos. O iFood diz que os restaurantes participantes registraram um crescimento médio de 32% nos pedidos.

Petlove&Co

A Petlove&Co começou no Brasil no final da década de 90 como um site de e-commerce para donos de animais de estimação, lançado por um veterinário que foi forçado a fechar sua clínica devido à expansão de grandes concorrentes. Nas décadas seguintes, cresceu e se tornou um ecossistema completo para animais de estimação, incluindo serviços de banho e tosa, clínicas, planos de saúde e, agora, centros de diagnóstico líderes do setor.

comida de pets gera poluição
Créditos: kenko/ Andrea Obzerova/ Getty Images

No passado, a Petlove&Co relatava que seus clientes enfrentavam atrasos frequentes para remarcação de consultas e exames de ressonância magnética. Então, no final de 2024, adquiriu a Provet, a primeira empresa de laboratórios veterinários do Brasil. Em 2025, a empresa integrou a Provet e o moderno equipamento de ressonância magnética Signa Victor 1.5T, dobrando a capacidade de exames e melhorando a precisão diagnóstica.

A integração exigiu muito trabalho, desde a reformulação de fluxos de trabalho e a automação de processos em testes imunológicos até a expansão da frota de coleta domiciliar, que realiza visitas às casas dos donos de animais de estimação. Mas valeu a pena. A PetLove afirma ter registrado um aumento de 116% nos exames diagnósticos e um crescimento de 50% na receita. Os clientes se beneficiaram com menos atrasos e exames de imagem de maior qualidade para o milhão de animais de estimação cobertos pelos planos de saúde da PetLove&Co.

“A aquisição da Provet foi absolutamente estratégica para o nosso negócio e para democratizar o acesso a cuidados veterinários avançados e de alta qualidade para os nossos clientes”, afirma Bruna Hakan, porta-voz da PetLove&Co.


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