Axe muda fórmula e embalagem para acabar com o excesso que virou piada

Marca reformula tecnologia do spray para reduzir o “efeito nuvem” que inspirou memes e críticas ao longo dos anos

Axe muda fórmula e embalagem para acabar com o excesso que virou piada
diego_cervo via Getty Images, Denny Sachtleben via Unsplash

Grace Snelling 3 minutos de leitura

Existem alguns odores da adolescência que ficaram gravados na memória da maioria dos americanos que cresceram depois da década de 1980: o aroma de pizza recém-assada na cantina da escola, o cheiro acre de um vestiário e o inconfundível perfume de adolescentes usando uma quantidade imperdoável de desodorante Axe.

O fenômeno de adolescentes se banhando em Axe tornou-se tão onipresente desde a fundação da marca, em 1983. Nos últimos anos, O comportamento inspirou seu próprio subgênero de memes (veja este e este, por exemplo).

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Agora, a Axe mira uma nova geração de consumidores com um mecanismo de spray redesenhado para seu produto principal.

Para marcar a ocasião, a marca anunciou recentemente sua campanha autorreferencial "História de Exageros". “Axe sempre fez parte da conversa cultural sobre homens que exageram”, e por anos isso “incluiu a forma como nosso desodorante corporal era usado”, disse Dolores Assalini, chefe da Axe nos EUA, em um comunicado à imprensa.

DESIGN CAUSAVA EXCESSO DE SPRAY

Finalmente, a Axe está oferecendo uma solução. De acordo com a marca pertencente à Unilever, o excesso de spray sempre foi um problema de design — e para resolvê-lo, a equipe inventou uma nova “tecnologia de spray” para manter os odores desagradáveis ​​sob controle.

Brajin Vazquez, gerente sênior de tecnologia de formatos de desodorante da Unilever — e um dos idealizadores da reformulação da Axe — afirma que o excesso crônico de spray do antigo produto era influenciado por alguns fatores do design da embalagem. A fórmula do spray, combinada com o design da válvula e do bico da embalagem, resultava em uma nuvem densa e difusa de fragrância, criando aquele cheiro forte e característico.

"Percebemos que melhorar a experiência do usuário não se resumia apenas à mensagem, mas também exigia a atualização da tecnologia do spray.”

Brajin Vazquez, da Unilever

“Durante anos, ouvimos que, embora as pessoas gostassem das fragrâncias, o spray do Axe podia parecer muito pesado ou criar muita nuvem”, diz Vazquez. “Esse feedback nos fez analisar atentamente o próprio sistema de aplicação. Percebemos que melhorar a experiência do usuário não se resumia apenas à mensagem, mas também exigia a atualização da tecnologia do spray.”

AXE E SEU BANHO DE LOJA

A equipe de Vazquez começou repensando os ingredientes do produto. Eles reduziram a quantidade de gás propelente no spray e adicionaram nitrogênio à mistura, o que, explica Vazquez, abriu espaço para uma proporção maior de fórmula líquida e “criou espaço na formulação para aumentar os ativos de controle de odor e liberar mais fragrância por borrifada”. Essencialmente, isso significa que os usuários podem usar menos produto e ainda obter o mesmo efeito de mascaramento do odor corporal.

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Essa nova formulação é combinada com um sistema de pulverização reformulado. O design antigo, diz Vazquez, operava em alta pressão, o que resultava em um “jato mais forte e de maior velocidade”. O novo componente da válvula atenua o problema, mantendo o fluxo do spray leve. O frasco também conta com um borrifador com um bico 25% menor que o da versão anterior, permitindo que os usuários apliquem a fragrância em áreas mais específicas sem aquele temido efeito de "nuvem".

Sendo realista, o novo design da Axe provavelmente não resolverá completamente o problema crônico de excesso de perfume, mas pelo menos agora existem algumas medidas para contornar algo que assola os corredores das escolas há décadas.


SOBRE A AUTORA

Grace Snelling é colaboradora da Fast Company e escreve sobre design de produto, branding, publicidade e temas relacionados à geração Z. saiba mais