Banco Central é alvo de ataques coordenados nas redes sociais; entenda o que aconteceu

As publicações divulgadas no ataque questionavam a credibilidade de instituições envolvidas na liquidação do Banco Master

Embora dirigentes de diferentes órgãos tenham sido citados, o foco principal recaiu sobre um ex-diretor do Banco Central. Crédito: imagem criada com auxílio de IA via Copilot

Guynever Maropo 2 minutos de leitura

Às vésperas da virada do ano, o Banco Central se tornou alvo de um ataque coordenado nas redes sociais. O ataque digital ocorreu em meio à liquidação extrajudicial do Banco Master e levantou suspeitas sobre a atuação da autoridade monetária no processo.

Segundo levantamento da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), havia indícios de mobilização artificial. A Febraban apontou um pico concentrado de publicações em um intervalo de cerca de 36 horas, entre os dias 27 e 29 de dezembro.

Neste período, o volume de postagens críticas cresceu de forma rápida e utilizou perfis de grande alcance. Parte do conteúdo circulou em redes como X, Instagram, Facebook e YouTube, inclusive em páginas voltadas a entretenimento e celebridades.

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O que falavam nas redes?

O monitoramento indicou mais de 4,5 mil publicações no período. As mensagens questionavam a credibilidade de instituições envolvidas na liquidação do Banco Master e apresentavam um padrão de linguagem semelhante, o que demonstrou a hipótese de coordenação.

Embora dirigentes de diferentes órgãos tenham sido citados, o foco principal recaiu sobre um ex-diretor do Banco Central. O ataque concentrou esforços em associar decisões técnicas a supostos prejuízos institucionais.

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As postagens miraram Renato Dias Gomes, ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução. Ele foi o responsável por vetar a proposta de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília, o BRB.

Imagens editadas, frases de impacto e comparações irônicas foram usadas para tentar descredibilizar sua atuação. As críticas buscaram transformar decisões regulatórias em narrativa de cunho político.

Quem mais sofreu ataque?

Além do Banco Central, o ataque digital incluiu críticas ao Supremo Tribunal Federal e ao Tribunal de Contas da União. Os dois órgãos passaram a analisar desdobramentos relacionados ao caso Master.

A narrativa nas redes tentou enquadrar a liquidação como uma decisão política. Internamente, o BC sustenta que todas as etapas seguiram critérios técnicos e recomendações da área de fiscalização.

O episódio ganhou novos destaques após relatos de influenciadores e agentes políticos. Segundo eles, houve abordagens para a publicação de conteúdos críticos ao regulador e favoráveis ao Banco Master.

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Diante do ataque, a Febraban avalia medidas institucionais, incluindo possível acionamento da Polícia Federal. Entidades do setor financeiro também divulgaram nota conjunta em defesa da autonomia e das decisões técnicas do Banco Central.


SOBRE A AUTORA

Jornalista, pós-graduando em Marketing Digital, com experiência em jornalismo digital e impresso, além de produção e captação de conte... saiba mais