Bilionários não são os vilões da história, diz Jeff Bezos
Fundador da Amazon criticou impostos pagos pela classe média, mas evitou defender taxação dos super ricos

Jeff Bezos está falando abertamente sobre desigualdade de renda nos Estados Unidos. Considerando que o fundador da Amazon frequentemente é acusado de tratar mal os próprios funcionários – com relatos de horas extras obrigatórias e problemas de segurança no trabalho –, seus comentários mais recentes chamam atenção.
Em uma entrevista ao programa "Squawk Box", da CNBC, conduzida por Andrew Ross Sorkin, Bezos, um dos homens mais ricos do mundo, afirmou que estamos vivendo em uma “história de duas economias”. De um lado estão os ultra ricos, prosperando financeiramente; do outro, o restante da população, que não está exatamente na mesma situação.
Pressionado sobre como resolver o problema, Bezos disse que parte da razão pela qual ninguém enfrenta uma desigualdade tão grande é o fato de os políticos estarem ocupados culpando uns aos outros, em vez de assumir um compromisso real com a solução.
“Eles estão usando a velha técnica de escolher um vilão e apontar o dedo”, afirmou, sugerindo que ninguém está buscando a “causa raiz” da questão.
Questionado sobre quais ideias teria para resolver o problema, Bezos falou sobre impostos. “Uma enfermeira no Queens que ganha US$ 75 mil por ano paga mais de US$ 12 mil em impostos”, disse, observando que isso não faz sentido do ponto de vista prático.
“São US$ 1 mil por mês que poderiam ajudar com aluguel, compras de supermercado ou qualquer outra coisa”, afirmou, sugerindo que alguém que ganha “apenas” US$ 75 mil não deveria pagar imposto algum.
Ao mesmo tempo, destacou que essa arrecadação representa troco para o governo e poderia ser compensada facilmente em outro lugar. “A metade mais pobre dos trabalhadores deste país paga 3% dos impostos”, disse. “É meio absurdo que estejamos fazendo isso.”
Ainda assim, Bezos não explicou como esse dinheiro poderia ser recuperado e evitou defender explicitamente a ideia de “taxar os ricos”.

Questionado sobre se ele próprio deveria pagar mais impostos, desviou da pergunta ao afirmar que “isso é um debate de política pública” que poderia ser discutido. Fez questão de acrescentar, porém, que transformar os ricos em vilões é apenas mais uma “distração”.
Independentemente das discussões sobre impostos, Bezos demonstrou otimismo em relação às oportunidades de trabalho capazes de oferecer estabilidade aos trabalhadores em um momento no qual muita gente teme o desaparecimento dessas oportunidades. Segundo ele, a IA vai criar tantos empregos que o problema será "escassez de mão de obra”, e não falta de vagas.
“O que realmente vai acontecer é que ela vai elevar todas essas pessoas”, afirmou sobre as capacidades da tecnologia. O magnata da tecnologia disse ainda que a produtividade nos Estados Unidos vai disparar e que o país poderá até experimentar um cenário de “deflação” nos custos.
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Está claro que Bezos é um grande entusiasta da IA. Pressionado sobre as demissões em massa – que algumas empresas atribuem diretamente à inteligência artificial –, ele se recusou a admitir que a tecnologia seja a verdadeira culpada.
Em vez disso, afirmou que cabe ao trabalhador identificar problemas e que “não existe escassez de problemas”. Embora milhares de profissionais recentemente demitidos por causa da IA provavelmente discordem dessa visão, Bezos comparou trabalhar com inteligência artificial a trocar uma “pá” por um “trator”.