Canva demite 1.200 pessoas, mas pacote de saída recebe elogios
Empresa oferece seis meses de salário, mantém benefícios e cria fundo de US$ 10 mil para ajudar ex-funcionários a começar novos projetos

A empresa de tecnologia de design Canva está passando por uma grande reestruturação. A mudança afetará mais de 1,2mil funcionários, ou cerca de 22% de sua equipe. Mas a companhia também está chamando a atenção pela maneira como está tratando os profissionais que serão demitidos.
Na terça-feira (3 de novembro), a CEO Melanie Perkins anunciou a notícia em uma publicação no LinkedIn, compartilhando a carta que enviou a todos os funcionários com os detalhes de um generoso pacote de indenização, que vem recebendo elogios nas redes sociais.
A carta explica que todos os desligados receberão o equivalente a seis meses de salário, independentemente de onde estejam localizados. A Canva, cuja sede fica em Sydney, também vai eliminar o período de carência de um ano para a aquisição de ações daqueles que ingressaram na empresa nos últimos 12 meses. Isso significa que mesmo os profissionais contratados recentemente poderão sair da companhia com participação acionária.
Os ex-funcionários vão continuar recebendo assistência médica, além de suporte dedicado para recolocação profissional, ajuda na elaboração de currículos, orientação de carreira e preparação para entrevistas. Também terão direito a um ano de assinatura do LinkedIn Premium.
Além disso, a empresa criou um fundo para conceder subsídios de US$ 10 mil a quem quiser abrir um negócio, desenvolver um projeto ou iniciar um empreendimento próprio.
"Seja para abrir uma empresa ou fazer algo pela comunidade local, o fundo foi criado para ajudar a tirar essas ideias do papel", explicou Perkins na carta. A empresa também vai permitir que todos os funcionários demitidos fiquem com seus notebooks MacBook.

"Estamos fazendo mudanças conside- ráveis na nossa estrutura organizacio- nal, o que infelizmente significa nos despedir de muitas pessoas excepcionalmente talentosas que ajudaram a transfor- mar a Canva no que ela é hoje", escreveu Perkins no LinkedIn.
Ela acrescentou que a empresa dedicou tempo e esforço à criação de um "diretório voluntário de ex-funcionários", no qual os profissionais poderão encontrar oportunidades de trabalho. Perkins também divulgou seu endereço de e-mail e pediu que líderes com vagas disponíveis entrem em contato diretamente com ela.
A notícia chega no momento em que a Canva se prepara para uma possível abertura de capital, após vários anos de investimentos em seu conjunto de produtos baseados em inteligência artificial.
UMA MANEIRA MAIS CUIDADOSA DE DEMITIR
Na maioria das vezes, quando empresas passam por grandes reestruturações – como a demissão de quase um quarto de seus funcionários –, as notícias destacam as dificuldades que esses profissionais podem enfrentar para conseguir um novo emprego ou a falta de apoio oferecido pela companhia.
Na era das demissões intermináveis, tornou-se comum empresas dispensarem abruptamente funcionários com décadas de dedicação em uma chamada coletiva pelo Zoom. E pronto. Mas a Canva parece ter adotado uma abordagem mais humana do que aquela a que estamos acostumados.
a Canva se prepara para uma possível abertura de capital, após vários anos de investimentos em inteligência artificial.
Os comentários na publicação da CEO não demoraram a aparecer. Muitos destacaram como a empresa está mostrando a outros líderes uma maneira mais cuidadosa de conduzir demissões.
"Uma maneira realmente impressionante, empática, transparente e generosa de comunicar uma decisão que, sem dúvida, foi muito difícil", escreveu um usuário do LinkedIn. "Especialmente considerando o que esse setor viu no último ano, este é um exemplo para outras organizações de como fazer a coisa certa diante de uma situação difícil."
Outro usuário acrescentou: "Muitas empresas farão demissões este ano. Poucas farão isso dessa maneira."
Provavelmente é verdade. Mas, diante de toda a repercussão positiva em torno da abordagem da Canva para sua reestruturação, é difícil imaginar que ela não inspire pelo menos alguns líderes a prestar atenção. Ou talvez incentive mais trabalhadores a exigir um tratamento melhor no futuro, caso chegue a vez de serem dispensados.