Devemos desligar o Wi-Fi ao sair de casa? Entenda recomendação

A recomendação de desligar o Wi-Fi ao sair de casa foi destacada em guias de boas práticas divulgados por órgãos de segurança

Celular com o iconi do wifi
A medida é considerada preventiva e faz parte de um conjunto mais amplo de ações voltadas à proteção de dados pessoais. Foto: Freepik

Joyce Canelle 4 minutos de leitura

Agências internacionais têm reforçado, nos últimos anos, uma orientação simples e prática para reduzir riscos cibernéticos: desligar o Wi-Fi e conexões desnecessárias ao sair de casa.

A recomendação, destacada em guias de boas práticas divulgados por órgãos de segurança, busca diminuir as brechas que podem ser exploradas por criminosos virtuais em redes domésticas e dispositivos móveis.

A medida é considerada preventiva e faz parte de um conjunto mais amplo de ações voltadas à proteção de dados pessoais, financeiros e corporativos.

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POR QUE DESLIGAR O WI-FI AO SAIR DE CASA?

Ao deixar o Wi-Fi ativo, especialmente em dispositivos que permanecem conectados automaticamente a redes conhecidas, o usuário pode ampliar a exposição a tentativas de interceptação de dados ou conexões indevidas.

Segundo a America´s Cyber Defense Agency, redes sem fio possuem um alcance que pode ultrapassar os limites físicos da residência, atingindo ruas e áreas vizinhas.

Em locais densamente povoados, isso facilita a identificação da rede por terceiros. Se a configuração de segurança for fraca ou estiver desatualizada, há risco de uso indevido da conexão, monitoramento de tráfego ou exploração de vulnerabilidades.

Desligar o Wi-Fi quando não há necessidade de uso reduz a janela de oportunidade para esse tipo de abordagem.

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RISCOS MAIS COMUNS EM REDES SEM FIO

Entre as ameaças apontadas por especialistas estão o uso não autorizado da rede, a interceptação de dados e a criação de redes falsas para enganar usuários.

Um dos golpes mais conhecidos é o chamado “gêmeo maligno”, quando um criminoso cria uma rede com nome semelhante ao de um ponto de acesso legítimo, utilizando sinal mais forte para atrair conexões. Ao se conectar, a vítima pode ter dados sensíveis capturados.

Outro risco envolve redes públicas abertas, onde o tráfego pode não estar criptografado. Nesses casos, informações como senhas, dados bancários e mensagens podem ser interceptadas com o uso de ferramentas específicas.

Também há preocupação com o compartilhamento indevido de arquivos em conexões públicas e com o roubo físico de dispositivos, que pode dar acesso direto a dados armazenados se não houver criptografia adequada.

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SEGURANÇA VAI ALÉM DO WI-FI

Desligar o Wi-Fi é apenas uma das recomendações, relatórios de boas práticas também sugerem reiniciar o celular periodicamente como forma de dificultar determinadas ameaças móveis.

A simples ação de desligar e ligar o aparelho pode interromper alguns tipos de exploração temporária, embora não substitua outras medidas de proteção.

As orientações incluem ainda manter o sistema operacional e aplicativos atualizados, instalar programas apenas de lojas oficiais, evitar clicar em links suspeitos recebidos por mensagem e utilizar autenticação multifator sempre que possível.

Outra recomendação frequente é desativar o Bluetooth quando não estiver em uso e evitar estações públicas de carregamento USB, que podem ser exploradas para transferência indevida de dados.

CUIDADOS COM O ROTEADOR DOMÉSTICO

A segurança da rede começa na configuração do roteador, de acordo com a National Cyber Security Centre, entre as medidas consideradas essenciais estão:

  • Alterar a senha padrão de administrador do equipamento.
  • Utilizar criptografia forte, preferencialmente WPA3.
  • Modificar o nome da rede para evitar identificação do modelo do aparelho.
  • Atualizar regularmente o firmware do dispositivo.
  • Ativar firewall no roteador e, se possível, também nos dispositivos conectados.

A adoção de listas de permissão, que permitem acesso apenas a dispositivos autorizados, também é recomendada em ambientes corporativos ou domésticos com maior necessidade de controle.

ATENÇÃO REDOBRADA FORA DE CASA

Conforme o ZDNet, ao utilizar redes públicas, a cautela deve ser ainda maior. Especialistas orientam confirmar o nome correto da rede antes de se conectar e evitar o acesso a serviços bancários ou plataformas sensíveis em conexões abertas.

Quando o uso de Wi-Fi público for inevitável, o ideal é evitar compartilhamento de arquivos e manter recursos como localização e conexões automáticas desativados.

CONVENIÊNCIA X SEGURANÇA

Órgãos de segurança alertam que muitos recursos que facilitam o dia a dia também ampliam a superfície de ataque. Conexões automáticas, compartilhamentos ativos e múltiplos aplicativos com permissões amplas podem comprometer a privacidade.

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A recomendação de desligar o Wi-Fi ao sair de casa segue essa lógica preventiva. Trata-se de uma ação simples, sem custo, que pode reduzir riscos em um cenário de ameaças cada vez mais frequentes e sofisticadas.


SOBRE O(A) AUTOR(A)

Bacharel em Jornalismo, com trajetória em redação, assessoria de imprensa e rádio, comprometida com a comunicação eficiente e a produç... saiba mais