Elon Musk se torna primeiro trilionário do mundo após IPO da SpaceX

Empresário acumula riqueza maior do que grande parte das economias do planeta. Mas o que isso significa?

com oferta pública de ações da SpaceX, Elon Musk torna-se trilionário
Créditos: Daniel Torok/ Wikimedia Commons/ Eyestetix Studio/ SpaceX/ Unsplash

Camila de Lira 5 minutos de leitura

Elon Musk se tornou o primeiro trilionário da história após a abertura de capital da SpaceX, avaliada em US$ 2 trilhões. A marca coloca sua fortuna acima do PIB da maioria dos países do planeta e reacende o debate sobre concentração de riqueza, desigualdade econômica e o poder das gigantes de tecnologia.

Musk acaba de se tornar o primeiro trilionário do mundo após a abertura de capital (IPO, na sigla em inglês) da sua companhia espacial, a SpaceX. A empresa foi avaliada em US$ 2 trilhões em sua estreia na Nasdaq, num dos IPOs mais esperados do ano pelo setor tecnológico.

Com o valor combinado de sua participação na Tesla (US$ 280 bilhões) e o do seu quinhão na SpaceX (US$ 780 bilhões), Musk acumula US$ 1,05 trilhão em riqueza.

Uma análise da Oxfam, organização que estuda desigualdade econômica, indica que ele já acumula mais riqueza do que 46% da população mundial combinada. Ou seja, um homem acumula mais dinheiro do que 3,8 bilhões de pessoas.

Uma taxa de 10% sobre a fortuna de Musk poderia acabar com a pobreza extrema do mundo por um ano, tirando 800 milhões de pessoas da linha de extrema pobreza.

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O valor é mais do que o dobro do Produto Interno Bruto (PIB) da África do Sul, país onde Musk nasceu. Na realidade, apenas 21 países do planeta tem um PIB que ultrapassa a marca do US$ 1 trilhão.

O segundo homem mais rico do mundo é o fundador do Google, Larry Page, com uma fortuna de US$ 293 bilhões. O que significa que Musk está US$ 700 bilhões na frente. 

O QUE SIGNIFICA UM TRILHÃO?

A casa do trilhão é de difícil compreensão para os olhos humanos; é uma quantidade que não conseguimos imaginas. Segundo cálculos da Oxfam, se Musk gastar US$ 1 milhão por dia, demoraria 2,7 mil anos para acabar com US$ 1 trilhão.

Para entender a escala da marca do trilhão, especialistas costumam recorrer a comparações temporais.Um milhão de segundos atrás foi há cerca de duas semanas. Um bilhão de segundos atrás foi quando o Brasil ganhou o tetracampeonato da Copa do Mundo de 1994.

E um trilhão de segundos? Foi quando o Homo sapiens se estabeleceu. Há um trilhão de segundos, os neandertais, mamutes lanudos e tigres de dente de sabre vagavam pelo planeta, que vivia a sua última era glacial.

MAS A SPACEX VALE TUDO ISSO?

A SpaceX abriu capital nesta sexta-feira (12 de junho) com um valor de mercado de US5 2 trilhões, o que posiciona a empresa como a oitava maior companhia de capital aberto do mundo. O preço inicial das ações estava próximo dos US$ 135, subindo para US$ 150 depois dos primeiros momentos no mercado. 

Analistas não concordam com o sarrafo tão alto colocado para a empresa espacial de Musk. Em entrevista para a Fast Company, analistas e investidores expressaram preocupação com essa avaliação altíssima.

O principal motivo das preocupações é que, enquanto a maioria das outras empresas no clube do trilhão de dólares apresenta lucratividade sólida trimestre após trimestre, a SpaceX registrou um prejuízo líquido de cerca de US$ 4,9 bilhões no último trimestre.

Embora a companhia seja mais conhecida por seus veículos espaciais, como os foguetes Falcon 9, Falcon Heavy e Starship, a empresa também tem outros negócios de destaque.

Entre esses negócios está a xAI, a startup de inteligência artificial que desenvolve hardware e software para o setor. A participação da SpaceX na xAI explica por que a empresa também é frequentemente chamada de empresa de IA.

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A SpaceX também é proprietária da Starlink, provedora de internet via satélite. Embora seja lucrativa, os investimentos pesados em foguetes, satélites e infraestrutura continuam pressionando os resultados consolidados da companhia.

De acordo com análise da firma de investimento Morningstar, mesmo se a SpaceX alcançar seu potencial de lucro e crescimento para os próximos anos, ela não deveria valer mais que US$ 780 bilhões – o que já é alto. 

A ERA DOS TRILIONÁRIOS JÁ COMEÇOU

A fortuna da fatia mais rica do mundo cresceu nos últimos anos. De acordo com pesquisa do Observatório Internacional de Impostos da Escola de Economia de Paris, os ultrarricos acumulavam US$ 4,5 trilhões há 15 anos.

Em 2024, o valor foi para US$ 20,1 trilhões, o equivalente a um quinto de toda a economia global dividido por 0,0001% da população. 

Uma das razões para o súbito crescimento no topo da escala de riqueza é o boom da inteligência artificial, que canalizou trilhões de dólares em investimentos para um pequeno grupo de empresas de tecnologia.

Uma taxa de 10% sobre a fortuna de Musk poderia acabar com a pobreza extrema do mundo por um ano inteiro.

Nvidia, Apple, Microsoft, Alphabet, Meta e TSMC, por exemplo, valem mais de US$ 1 trilhão cada. Seus fundadores e investidores iniciais colheram a maior parte dos lucros.

Para defensores do livre mercado, a fortuna de Musk reflete a valorização de empresas consideradas estratégicas para os setores espacial, tecnológico e de inteligência artificial. Já organizações como a Oxfam argumentam que o crescimento acelerado da riqueza dos ultrarricos evidencia o aumento da desigualdade global.

Análise da Oxfam indica que atingir US$ 1 trilhão significaria que a riqueza de Musk cresceu mais de US$ 550 bilhões no último ano, o equivalente a uma taxa média de mais de US$ 1 milhão por minuto.

De acordo com a organização, essa extrema concentração de riqueza é sintomática de décadas de políticas pró-bilionários que permitiram aos ultrarricos ditar as regras econômicas a seu favor.

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“A ascensão de Elon Musk ao status de trilionário marca um novo ápice da oligarquia e um dia sombrio para a democracia. Mas esse momento de concentração dramática de riqueza não era inevitável”, disse Nabil Ahmed, diretor sênior de justiça econômica da Oxfam America, em comunicado à imprensa.


SOBRE A AUTORA

Camila de Lira é é editora chefe da Fast Company, jornalista formada pela ECA-USP, early adopter de tecnologias (e curiosa nata). saiba mais