Entenda o IPCA e como a inflação impacta o dia a dia

Em janeiro de 2026, em todo o país, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,33%

Mão segurando um gráfico
O índice é calculado mensalmente pelo IBGE a partir da coleta de aproximadamente 430 mil preços. Foto: Freepik

Joyce Canelle 4 minutos de leitura

Em janeiro de 2026, em todo o país, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,33%, refletindo o aumento médio dos preços de produtos e serviços consumidos pelas famílias brasileiras.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA é referência oficial da inflação usada pelo governo para orientar políticas econômicas, como metas inflacionárias e decisões sobre juros.

Inflação é o nome dado ao aumento generalizado dos preços de bens e serviços ao longo do tempo. Quando a inflação sobe, o dinheiro perde valor, já que a mesma quantia passa a comprar menos produtos do que antes.

Para acompanhar esse movimento, são utilizados índices de preços, que medem a variação mensal do custo de vida da população. No Brasil, os dois principais indicadores produzidos pelo IBGE são o IPCA e o INPC.

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O QUE É O IPCA?

O IPCA, sigla para Índice de Preços ao Consumidor Amplo, é considerado o índice oficial da inflação brasileira. Ele mede a variação de preços de uma cesta de produtos e serviços consumidos por famílias com renda mensal entre 1 e 40 salários mínimos.

Por abranger um público mais amplo, o IPCA é utilizado como referência pelo governo federal, pelo Banco Central e pelo mercado financeiro. Ele serve de base para o sistema de metas de inflação e influencia diretamente decisões sobre a taxa básica de juros da economia.

Em janeiro de 2026, o IPCA ficou em 0,33%, enquanto o acumulado dos últimos 12 meses atingiu 4,44%.

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COMO O IPCA É CALCULADO

O índice é calculado mensalmente pelo IBGE a partir da coleta de aproximadamente 430 mil preços em cerca de 30 mil estabelecimentos comerciais e prestadores de serviços. A pesquisa é realizada em 13 áreas urbanas do país.

Os preços coletados são comparados aos do mês anterior, gerando um percentual que indica se o custo de vida subiu ou caiu no período analisado.

A CESTA DE CONSUMO E O PESO DOS GASTOS

A composição da cesta usada no cálculo do IPCA é definida com base na Pesquisa de Orçamentos Familiares, também realizada pelo IBGE. Esse levantamento identifica quais produtos e serviços a população consome e quanto cada item pesa no orçamento doméstico.

Itens como alimentos, transporte, energia elétrica, mensalidades escolares, consultas médicas e lazer fazem parte da cesta. O índice considera não apenas a variação de preço, mas também a importância de cada gasto para as famílias.

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DIFERENÇA ENTRE IPCA E INPC

Embora tenham o mesmo objetivo, medir a inflação, IPCA e INPC diferem no público pesquisado. O INPC, Índice Nacional de Preços ao Consumidor, acompanha o custo de vida de famílias com renda mensal de 1 a 5 salários mínimos.

Essas famílias costumam gastar a maior parte da renda em itens básicos, o que as torna mais sensíveis às oscilações de preços. Em janeiro de 2026, o INPC registrou alta de 0,39%.

Os índices variam conforme a região do país. Em janeiro, o IPCA teve altas mais expressivas em cidades como Rio Branco, Salvador e Campo Grande, enquanto Belém e Goiânia apresentaram variações mais moderadas.

Essas diferenças refletem fatores locais, como custos de transporte, abastecimento e serviços.

O IPCA também é usado como referência para avaliar o poder de compra da população. Quando os salários crescem menos do que a inflação, ocorre perda de renda real.

Se o reajuste salarial acompanha o IPCA, o poder de compra se mantém. Já aumentos acima do índice indicam ganho real.

INFLAÇÃO

Além do IPCA e do INPC, o IBGE divulga outros índices, como o IPCA-15, considerado uma prévia da inflação, o IPCA-E, de caráter trimestral, o IPP, voltado à indústria, e o SINAPI, usado no setor de construção civil.

Outras instituições também calculam índices próprios, como o IGP-M, da FGV, frequentemente utilizado em contratos de aluguel, e o IPC-Fipe, que mede o custo de vida no município de São Paulo.

Divulgado de forma contínua desde 1980, o IPCA atravessou diferentes fases da economia brasileira, antes do Plano Real, o país viveu períodos de hiperinflação, com variações mensais extremas.

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Desde então, o IPCA se consolidou como o principal instrumento para acompanhar o comportamento dos preços e orientar políticas econômicas no Brasil.


SOBRE O(A) AUTOR(A)

Bacharel em Jornalismo, com trajetória em redação, assessoria de imprensa e rádio, comprometida com a comunicação eficiente e a produç... saiba mais