Gucci, Kering e Pandora: indústria da moda aposta na sustentabilidade, mas enfrenta novo paradoxo
As marcas de luxo tentam unir o discurso ambiental, exclusividade e durabilidade

A indústria da moda continua acelerando os investimentos em sustentabilidade, reciclagem de materiais e economia circular, especialmente entre marcas de luxo. Empresas como Gucci, Kering e Pandora vêm ampliando projetos ligados à reutilização de matérias-primas e redução de emissões de carbono.
O movimento ganhou força nos últimos anos com a pressão crescente sobre o impacto ambiental da indústria da moda, considerada uma das que mais consomem os recursos naturais no mundo.
Segundo a CNBC, grandes grupos do setor continuam tratando a sustentabilidade como prioridade estratégica, mesmo em meio ao enfraquecimento do consumo global.
A Gucci, por exemplo, vem reforçando iniciativas ligadas à produção circular e ao reaproveitamento de matérias-primas. A estratégia também envolve reduzir desperdícios e ampliar o uso de cadeias produtivas mais sustentáveis.
Já a Pandora tem apostado fortemente em metais reciclados na fabricação de joias e em metas ambientais ligadas à redução de carbono. O tema passou a fazer parte da identidade comercial da empresa, principalmente entre os consumidores mais jovens.
CONSUMIDOR ESTÁ ATENTO AOS PREÇOS
Ao mesmo tempo, a indústria enfrenta um novo paradoxo: mesmo com campanhas sustentáveis mais agressivas, consumidores estão cada vez mais seletivos e sensíveis aos preços.
O cenário ficou mais evidente após a desaceleração do mercado de luxo nos últimos meses. De acordo com a Bloomberg, a Gucci, principal marca da Kering, registrou queda de 8% nas vendas no primeiro trimestre de 2026.
Parte desse movimento está ligada ao comportamento do consumidor pós-pandemia. O público passou a avaliar mais custo-benefício, durabilidade e utilidade prática dos produtos, inclusive no segmento premium.
Em suma, o comportamento mostra que muitos compradores continuam apoiando pautas ambientais, mas não necessariamente aceitam pagar muito mais caro apenas pelo discurso sustentável.
Esse fenômeno cria um desafio para marcas de luxo, pois as empresas mantêm os investimentos ambientais elevados enquanto enfrentam consumidores mais cautelosos com gastos.
MARCAS CONTINUAM APOSTANDO NA SUSTENTABILIDADE
Mesmo com o cenário mais difícil, as empresas do setor continuam tratando a sustentabilidade como prioridade de longo prazo.
O principal motivo é regulatório. Países da Europa e outros mercados vêm ampliando exigências ambientais sobre produção, descarte de resíduos, rastreabilidade e emissão de carbono.
Além disso, grandes marcas tentam proteger a reputação e fortalecer o valor de marca em um mercado cada vez mais competitivo. A sustentabilidade passou a funcionar também como uma ferramenta de posicionamento institucional e diferenciação.
Outro fator importante envolve investidores e fundos internacionais, que pressionam empresas globais a adotar metas ambientais mais rígidas.
No caso das marcas de luxo, a aposta também está ligada à tentativa de reforçar a exclusividade, qualidade e durabilidade, características associadas ao consumo mais consciente e à chamada moda circular.