Marca de sapatos de Trump vira meme nas redes

Presentes de sapatos dados por Donald Trump a aliados e membros do governo acabaram transformando uma marca tradicional em alvo de memes na internet

Marca de sapatos de Trump vira meme nas redes
Florsheim, Gage Skidmore via Flickr, Clay Banks via Unsplash

Rob Walker 4 minutos de leitura

Numa época em que as marcas tradicionais temem ser arrastadas para um cenário político contencioso, há algo curiosamente benigno, quase reconfortante, no “Florsheimgate”.

Caso você tenha perdido, este exemplo específico de uma aparição involuntária de uma marca da cultura pop americana surgiu após reportagens da semana passada sobre o presidente Donald Trump ter se tornado um entusiasta — e embaixador de fato — dos sapatos sociais Florsheim, presenteando integrantes do gabinete e aliados da mídia. O resultado é que os Florsheims, que custam menos de US$ 150 (mais precisamente US$ 145, o equivalente na cotação de segunda-feira 16 a R$ 763,30), se tornaram “o símbolo de status MAGA mais desejado e exclusivo”, segundo o The Wall Street Journal.

Mas, indo direto ao ponto, integrantes do governo que não acham a marca "bacana" nem um pouco, e que provavelmente prefeririam calçados mais luxuosos, estão usando os sapatos que Trump lhes dá — mesmo, estranhamente, se não servirem. Isso, naturalmente, chamou a atenção dos críticos do MAGA, que prontamente inundaram as redes sociais com zombaria do gosto do presidente de 79 anos e da suposta intimidação estalinista de seus subordinados submissos.

o modelo de sapato da Florsheim que Trump usa e distribuiu de presente à parte da equipe. Entre os presenteados, Marco Rubio.
(Reprodução/site/Florsheim)

E isso incluiu alguns danos colaterais para a venerável, e alguns diriam antiquada, Florsheim. Mas, na verdade, até mesmo as inevitáveis ​​críticas (que marca de shopping ultrapassada!) pareceram bem-humoradas. "Florsheim", escreveu um usuário do Bluesky. "Quando um presente da Wicks n' Sticks simplesmente não é suficiente." Outros acrescentaram comentários como "a Florsheim não faliu lá por 1978?" e "Sapatos Florsheim? Nossa, o cérebro desse cara está mesmo preso nos anos 80" e "Ok, me rendo. O que é Florsheim?". E, claro, muitos memes.

Os memes depois da foto da Getty Images mostrar o tamanho do sapato de Marco Rubio presenteado por Trump
(Reprodução/https://bsky.app/profile/carlquintanilla.bsky.social/Blusky)

Engraçado, mas bem longe de uma reação negativa perigosa contra a marca. Ninguém está demonizando os usuários de Florsheim em geral, publicando vídeos de tiros em mocassins ou organizando uma campanha popular contra a marca em nome dos mocassins da Vuitton.

Os memes depois da foto da Getty Images mostrar o tamanho do sapato de Marco Rubio presenteado por Trump
(Reprodução/@sundaedivine.lol/Bluesky)

O QUE MOSTRAM OS NÚMEROS DA FLORSHEIM

Pelo contrário, parece, na pior das hipóteses, ser uma lembrança de publicidade gratuita, quase charmosa, para aqueles que não sabem que a marca ainda existe — e, aparentemente, está prosperando. Acontece que a Florsheim teve vendas no atacado "recordes" de US$ 92 milhões em 2025, de acordo com o relatório de resultados mais recente da controladora Weyco Group e a teleconferência realizada no início deste mês, "demonstrando resiliência em um mercado em declínio para sapatos marrons não esportivos".

A marca Florsheim tem uma história conturbada que remonta a 1892. Usada por personalidades como Harry Truman e Michael Jackson, é uma marca profundamente enraizada na cultura de consumo americana, um ícone dos shoppings centers suburbanos da época áurea. Mas também enfrentou um pedido de falência em 2002. Atualmente, faz parte do Grupo Weyco, cujo CEO é Thomas Florsheim Jr., da quinta geração da família Florsheim. (As vendas de outras marcas da Weyco, como Nunn Bush, Stacy Adams e Bogs, caíram no ano passado, impactando negativamente a receita e os lucros da empresa como um todo.)

A Weyco não respondeu ao contato da Fast Company, mas o CEO Florsheim disse ao The Wall Street Journal que não tinha conhecimento das ordens de Trump (e se recusou a fazer mais comentários).

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Na teleconferência (que antecedeu as notícias da semana passada sobre o apoio de Trump à marca), o CEO se mostrou otimista, afirmando que a Florsheim é “uma das poucas marcas de calçados masculinos fora da categoria esportiva a manter esse nível de crescimento pós-pandemia. Enquanto a categoria de calçados marrons não esportivos vem sofrendo um declínio secular, a Florsheim contrariou a tendência e ganhou participação de mercado”.

SERIA MAIS UM ENTRETENIMENTO PASSAGEIRO DE TRUMP?

Verdade ou não, a associação com Trump parece mais um entretenimento passageiro do que uma controvérsia de marca. Em um momento de profunda tensão provocada pela guerra e pela ameaça de uma nova crise global do petróleo, o caso Florsheim não foi visto como um ponto de discórdia; foi mais como um alívio cômico.

Em uma nota interessante, a Weyco observou em sua teleconferência de resultados que os impactos das tarifas — sobre as quais o CEO Florsheim já havia reclamado no passado — “afetaram significativamente as margens brutas” em 2025. Essas tarifas foram posteriormente consideradas ilegais pela Suprema Corte dos EUA, e a empresa “está otimista em recuperar US$ 16 milhões em reembolsos de tarifas”.

Talvez os integrantes do gabinete de Trump devessem manter um par de mocassins de outra marca no escritório, só por precaução, caso a Florsheim saia de moda na Casa Branca.


SOBRE O AUTOR

Rob Walker assina Brended, coluna semanal sobre marketing e branding. Também escreve sobre design, negócios e outros assuntos. saiba mais