Melinda Gates investe US$ 215 milhões em pesquisas sobre menopausa

Filantropa quer ampliar acesso a cuidados femininos e atrair mais recursos para temas negligenciados

Melinda Gates faz doação para pesquisa sobre menopausa
Créditos: Chona Kasinger/ Jessica Neves/ Unsplash

Glenn Gamboa 3 minutos de leitura

A filantropa Melinda French Gates vai ampliar seus investimentos globais em saúde da mulher, destinando mais US$ 215 milhões para ampliar o acesso a contraceptivos, fortalecer cuidados maternos e apoiar iniciativas voltadas a mulheres de meia-idade — incluindo novos estudos sobre menopausa.

Com o novo anúncio, divulgado na quinta-feira, os aportes de French Gates em saúde feminina ultrapassam US$ 600 milhões nos últimos dois anos.

Em entrevista à Associated Press, ela afirmou que a saúde da mulher é a base do trabalho realizado por meio da Pivotal, grupo de organizações criado para administrar sua filantropia e investimentos.

“É absurdamente evidente que a saúde da mulher é fundamental — ela precisa estar bem para conseguir viver bem”, disse.

Desde 2024, quando deixou a Fundação Gates — criada ao lado do ex-marido Bill Gates e transformada em uma das maiores financiadoras privadas de saúde do mundo — French Gates vem refinando sua estratégia de apoio às mulheres.

A nova rodada de financiamento mostra uma abordagem cada vez mais direcionada para áreas que ela considera negligenciadas.

Entre os investimentos está uma doação de US$ 40 milhões para a Co-Impact, destinada a uma iniciativa que incorpora suporte à saúde mental nos cuidados maternos e primários, especialmente na África.

Outro foco é a menopausa.

French Gates espera que sua doação de US$ 10 milhões para a Sociedade da Menopausa — voltada a melhorar o atendimento à menopausa nos Estados Unidos por meio da capacitação de profissionais de saúde e expansão do atendimento em regiões carentes — incentive outros financiadores a entrar nesse campo.

Segundo o Fórum Econômico Mundial, embora mulheres representem metade da população, problemas de saúde que afetam especificamente esse grupo recebem apenas 2% dos recursos privados destinados à saúde.

Essa escassez de financiamento resultou em menos produtos, tratamentos e serviços dedicados a essas condições.

“Na minha visão, o papel da filantropia é olhar para problemas sociais que ficaram para trás, iluminá-los, mostrar caminhos de progresso e, assim, atrair outros doadores e, eventualmente, financiamento governamental”, afirmou.

“Parte do que estou fazendo aqui, espero, é enviar um sinal: ‘Isso é realmente importante. Vamos fazer algo a respeito.’ Minha esperança é conseguir trazer outras pessoas comigo.”

Stephanie Faubion, diretora médica da Sociedade da Menopausa e diretora do Centro de Saúde da Mulher da Mayo Clinic, afirma que os Estados Unidos têm atualmente cerca de 6 mil condados onde pacientes têm acesso criticamente baixo a profissionais capacitados para tratar menopausa.

Segundo ela, a doação permitirá expandir recursos educacionais para regiões que mais precisam.

“A menopausa continua sendo uma das áreas mais negligenciadas e mal atendidas da medicina, e acreditamos que as mulheres merecem mais”, afirmou. “Estamos prontas para fazer essas mudanças com apoio de financiadores como a Pivotal.”

Faubion ressalta que pesquisas sobre tratamentos para menopausa já sofriam com falta de recursos antes mesmo dos cortes recentes promovidos pelo governo Donald Trump em financiamento científico.

“Acho que a filantropia terá um papel maior do que nunca porque simplesmente não teremos o mesmo tipo de financiamento governamental que tínhamos antes”, disse.

“Conseguir recursos está muito mais difícil hoje. Muito mais difícil do que era antes. E a necessidade continua existindo. Ainda precisamos fazer essa pesquisa de alguma forma.”

Para Faubion, o tamanho da doação é importante — mas a visibilidade gerada talvez seja ainda mais.

“Mostra que alguém como Melinda Gates e a Pivotal consideram isso uma questão importante”, afirmou.

“Isso ilumina as lacunas que ainda existem… e faz as pessoas não apenas perceberem o problema, mas talvez se sentirem motivadas a agir.”

Para French Gates, aumentar a atenção dedicada a essas questões femininas é quase tão importante quanto ampliar o financiamento.

“Quero que os problemas de saúde das mulheres deixem de ser invisíveis”, afirmou.

“Não quero que o padrão continue sendo esperar que mulheres lidem sozinhas com dor e sofrimento. Quero que elas sejam vistas pelo que estão vivendo, por suas experiências reais, e que essas questões sejam tratadas para que possam viver suas melhores vidas.”


SOBRE O AUTOR

Glenn Gamboa é jornalista de negócios da Associated Press. saiba mais