Mercado de canetas emagrecedoras pode quintuplicar no Brasil até 2030

Medicamentos para perda de peso avançam e redesenham hábitos de consumo

Mercado de canetas emagrecedoras pode chegar a R$ 50 bilhões até 2030
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Guynever Maropo 2 minutos de leitura

As canetas emagrecedoras se tornaram um dos produtos de saúde mais comentados e usados nos últimos anos. Medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro ganharam espaço como alternativa para a perda de peso e passaram a influenciar hábitos de consumo.

Segundo informações de relatório oficial do Itaú BBA, os agonistas de GLP-1, grupo que reúne as canetas emagrecedoras, movimentaram no Brasil cerca de R$ 10 bilhões em 2025. O valor representa aproximadamente 4% do mercado de varejo farmacêutico no país.

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SETOR FARMACÊUTICO

Ainda que haja um mercado paralelo de falsificações e contrabando, as canetas já têm peso relevante no faturamento das farmácias. Hoje, esses medicamentos respondem por algo entre 8% e 9% da receita de redes como RD Saúde, Pague Menos e Panvel.

A projeção do Itaú BBA indica ainda que essa participação pode chegar a 20% até 2030, consolidando o produto como um dos pilares do setor farmacêutico.

O relatório estima que o mercado brasileiro de GLP-1 pode alcançar R$ 50 bilhões até 2030. A expectativa é de cerca de 15 milhões de usuários no país.

O avanço está ligado tanto à eficácia clínica quanto à ampliação do acesso, com a chegada de novos produtos e versões mais baratas.

Até abril de 2025, a semaglutida, presente no Ozempic e no Wegovy, concentrava 96,6% das vendas. Liraglutida e dulaglutida somavam menos de 4% do mercado.

A entrada do Mounjaro, com a tirzepatida, alterou o cenário. Em agosto de 2025, o medicamento já respondia por 49,6% das vendas totais.

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USO DE GENÉRICOS

Com a quebra da patente da liraglutida, versões nacionais ganharam espaço rapidamente. Produtos mais baratos alcançaram 3,5% das vendas em unidades logo na estreia.

A expectativa é de novo impulso com o fim da patente da semaglutida em 2026. O Itaú BBA projeta queda de 30% no preço no primeiro ano e até 50% em cinco anos, com um mercado potencial de R$ 8,4 bilhões já em 2027.

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O avanço das canetas também afeta outros setores. Estudos citados pelo Itaú BBA indicam queda no consumo de salgadinhos (-10,1%), doces de padaria (-8,8%) e biscoitos (-6,5%) entre usuários desses medicamentos.

A tendência da caneta emagrecedora impacta diretamente no consumo, na indústria e no sistema de saúde.


SOBRE A AUTORA

Jornalista, pós-graduando em Marketing Digital, com experiência em jornalismo digital e impresso, além de produção e captação de conte... saiba mais