Pesquisa revela qual geração gasta mais do que as outras; confira

O levantamento mostra que a melhora está concentrada na avaliação do presente, sensação de estabilidade e maior disposição para consumir

Montanha de moedas com um homem no topo, representando a conquista de dinheiro
Foto: DNY59 via Getty Images

Joyce Canelle 5 minutos de leitura

Os consumidores iniciaram o ano com percepção mais positiva sobre a própria situação financeira e o mercado de trabalho, segundo pesquisa da Ipsos. O grupo demonstra cautela em sua maioria, mas uma geração específica chamou mais atenção.

O levantamento, que integra o Índice de Confiança do Consumidor, aplicado em 30 países, mostra que a melhora está concentrada na avaliação do presente, impulsionada por maior sensação de estabilidade no emprego e maior disposição para consumir. O resultado ajuda a explicar por que parte da população decidiu tirar planos do papel agora, mesmo sem enxergar com clareza o cenário do segundo semestre.

O índice geral atingiu 55,1 pontos, o melhor patamar em 18 meses, houve crescimento tanto na comparação com o mês anterior quanto em relação ao mesmo período de 2025.

O avanço indica recuperação gradual da confiança, refletindo um ambiente em que renda, emprego e capacidade de compra parecem mais favoráveis do que estavam há um ano. Ainda assim, a melhora não se distribui de maneira uniforme entre as faixas etárias, o que revela comportamentos distintos diante do mesmo contexto econômico.

GERAÇÃO Z LIDERA DISPOSIÇÃO PARA GASTAR

O recorte por idade revela que a geração Z, formada por nascidos entre 1996 e 2010, é a mais inclinada ao consumo neste início de ano. Esse grupo demonstra maior confiança tanto na estabilidade profissional quanto na capacidade de realizar planos imediatos. Entre eles, 62% afirmam estar mais confiantes em relação ao emprego, índice superior à média nacional.

A disposição para gastar entre os mais jovens está associada à percepção de que o momento é favorável para aproveitar oportunidades.

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Com maior segurança na renda e menor receio imediato de perda de trabalho, esse público tende a transformar a melhora da confiança em decisões concretas de compra, o comportamento indica que a geração Z assume papel relevante na movimentação do consumo no curto prazo.

PRESENTE EM ALTA

Os chamados termômetros que medem a percepção atual sobre finanças pessoais, mercado de trabalho e coragem para gastar apresentaram elevação, segundo o Sindicato dos Bancários.

Isso significa que mais brasileiros avaliam que a situação financeira melhorou, que o emprego está mais seguro e que existe espaço no orçamento para consumir. Esse conjunto de fatores fortalece decisões de compra e incentiva a retomada de projetos adiados, como aquisição de bens, viagens ou investimentos pessoais.

Por outro lado, o indicador que mede as expectativas para os próximos seis meses registrou recuo. Mesmo com a melhora no quadro atual, há incerteza quando o assunto é o médio prazo.

Essa combinação revela um comportamento de aproveitar as oportunidades do momento, sem criar projeções excessivamente otimistas. A confiança existe, mas vem acompanhada de prudência, o que explica a diferença entre a avaliação do presente e a visão sobre o futuro.

EMPREGO COMO BASE DA CONFIANÇA

A segurança no trabalho aparece como elemento central para sustentar essa melhora no humor do consumidor. Cerca de 55% afirmaram estar mais confiantes no emprego na comparação com seis meses antes, enquanto 45% relataram redução dessa confiança. O dado indica que, embora a maioria perceba estabilidade, ainda há uma parcela significativa que mantém preocupação.

Quando questionados sobre a possibilidade de perder o trabalho nos próximos seis meses, 73% afirmaram não acreditar nessa hipótese, e outros 27% veem risco de demissão diante das condições econômicas.

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Essa divisão ajuda a compreender por que o índice do presente avança, mas o de expectativas apresenta queda, o emprego é o principal fator de sustentação do consumo, e qualquer sinal de instabilidade futura interfere diretamente no planejamento das famílias.

35 ANOS MOSTRAM OTIMISMO

Entre os brasileiros de até 35 anos, 61% demonstram otimismo quanto à possibilidade de economizar e investir no futuro. O dado aponta que, além do consumo, há perspectiva positiva em relação à organização financeira. Esse grupo combina disposição para gastar com expectativa de manter capacidade de poupança, o que sugere visão equilibrada entre presente e planejamento.

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O percentual é significativamente superior ao observado entre as faixas etárias mais altas, reforçando a diferença geracional na leitura do cenário econômico. A confiança maior entre os mais jovens pode estar ligada à percepção de oportunidades profissionais e à expectativa de crescimento de renda ao longo dos próximos anos.

MAIORES DE 50 ANOS

Entre os brasileiros com mais de 50 anos, o nível de otimismo em relação a economizar e investir no futuro cai para 47,1 %, o menor índice entre as faixas etárias analisadas. Embora também tenham sido impactados pela melhora geral da confiança, esses consumidores demonstram postura mais cautelosa diante das incertezas.

A experiência acumulada em períodos de instabilidade econômica pode influenciar essa avaliação mais prudente. Esse grupo tende a observar com mais atenção os riscos associados ao cenário externo e às projeções de médio prazo, o que se reflete em menor disposição para ampliar gastos ou assumir compromissos financeiros mais longos.

GERAÇÃO X

A geração X, composta por nascidos entre 1965 e 1980, apresentou avanço na percepção de que a situação econômica é positiva. Houve alta de 14 pontos em relação ao ano anterior nesse indicador. O crescimento demonstra recuperação do sentimento em comparação com 2025, acompanhando a tendência geral de melhora do índice.

Apesar desse avanço, esse grupo ainda não demonstra o mesmo nível de entusiasmo para gastar observado entre os mais jovens. A geração X equilibra reconhecimento da melhora atual com atenção às projeções futuras, adotando postura intermediária entre o otimismo da geração Z e a cautela dos mais velhos.

Ao mesmo tempo, a queda no índice de expectativas indica que o consumidor mantém vigilância sobre os próximos meses. As diferenças entre as gerações evidenciam que o impacto da melhora econômica não é homogêneo.

Enquanto a geração Z lidera a disposição para gastar e demonstra maior confiança, os mais velhos adotam postura mais conservadora.


SOBRE O(A) AUTOR(A)

Bacharel em Jornalismo, com trajetória em redação, assessoria de imprensa e rádio, comprometida com a comunicação eficiente e a produç... saiba mais