Por que a Johnnie Walker está criando um whisky para fãs de bourbon
O novo Johnnie Walker Black Cask chega em um momento em que a Diageo enfrenta resultados irregulares em seus negócios globais e o consumidor americano revê as contas

A renomada marca de whisky escocês Johnnie Walker lançou recentemente a primeira adição permanente à sua linha principal em 15 anos — e ela é voltada para os apreciadores de bourbon.
Chamado Johnnie Walker Black Cask, o novo whisky escocês blended é envelhecido inteiramente em barris de carvalho branco americano que antes continham bourbon, uma escolha que tem como objetivo tornar o whisky mais familiar e acessível, especialmente para os consumidores americanos que podem ser novos no mundo do whisky escocês. (Se for da Irlanda e dos EUA, escreve-se "whiskey". Se for da Escócia e da maioria dos outros países, escreve-se "whisky", sem o "e".)
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O lançamento ocorre em um momento em que a empresa controladora, Diageo, busca fortalecer sua posição nos EUA, em uma época em que as vendas de bebidas destiladas diminuíram e os consumidores estão gastando com mais cautela.
PRODUTO VEIO PARA FICAR
O Black Cask está sendo lançado como um produto permanente, e não como uma edição sazonal. Essa decisão foi tomada em um momento em que a Diageo enfrenta resultados irregulares em seus negócios globais.
As ações da Diageo PLC (NYSE: DEO), negociadas nos EUA, registraram sua pior queda desde 1997 em 25 de fevereiro, despencando mais de 12% após a empresa anunciar um corte significativo nos dividendos, reduzir suas projeções para o ano fiscal de 2026 e divulgar resultados fracos para o primeiro semestre do ano fiscal que termina em 31 de dezembro de 2025.
As ações estavam cotadas a bem mais de US$ 200 no início da pandemia, quando as medidas de confinamento impulsionaram o consumo de bebidas alcoólicas, mas fechou a pouco menos de US$ 76,75por ação na quinta-feira (12).

Nos EUA, a pressão sobre os orçamentos familiares está tornando os consumidores mais cautelosos com a compra de bebidas destiladas. Walker afirma que o Black Cask foi criado pensando nesses apreciadores. Uma garrafa de 750 ml custa US$ 34,99.
“Embora este lançamento seja uma inovação, acredito que ele agrade ao paladar americano de uísque de uma forma que garantirá o prazer contínuo”, diz Emma Walker, mestre de mistura da Johnnie Walker. “Eles têm mais em comum do que diferenças.”
A ESTRATÉGIA EM UM MERCADO CAUTELOSO
Produzir um uísque como o Black Cask em escala global exige planejamento, especialmente porque a Diageo trabalha para melhorar o fluxo de caixa e reduzir a dívida.
O CEO Dave Lewis afirmou que o foco da Diageo agora é tornar suas marcas mais relevantes e competitivas, à medida que os consumidores reduzem seus orçamentos.
Sob essa perspectiva, o Black Cask busca transmitir familiaridade em vez de ostentação. Ele oferece uma porta de entrada fácil para o mundo do whisky escocês para novos apreciadores, ao mesmo tempo que proporciona aos fãs de longa data uma maneira um pouco diferente de desfrutar de uma marca consagrada.
O QUE A ESCOLHA DO BARRIL SIGNIFICA
Se você é novo no mundo do uísque, o barril em que um uísque envelhece importa quase tanto quanto o próprio líquido. O uísque Black Cask é envelhecido apenas em barris de carvalho americano que anteriormente continham bourbon, uma escolha que tende a criar sabores que muitos apreciadores de uísque nos EUA já reconhecem, como baunilha e caramelo, caracterizados por uma doçura suave.
Emma, a pessoa responsável por moldar o sabor dos uísques Johnnie Walker, diz que a ideia surgiu da curiosidade, e não do desejo de reformular a marca.
“É certamente uma abordagem diferente, mas reflete o espírito de experimentação da Johnnie Walker."
Emma Walker
“É certamente uma abordagem diferente, mas reflete o espírito de experimentação da Johnnie Walker — estamos sempre a expandir os limites do que é possível no mundo do whisky”, disse Walker (sem parentesco com o fundador da empresa) à Fast Company. “Ao criar o Johnnie Walker Black Cask, nos inspiramos no Johnnie Walker Black Label, na sua profundidade de sabor e carácter, e a equipe usou isso como ponto de partida para explorar e criar uma nova expressão arrojada.”

Embora o Johnnie Walker Black Label já utilize alguns barris de carvalho americano, também recorre a outros tipos de barris. O Black Cask elimina essa mistura e concentra-se apenas num estilo de barril.
“Tal como no Black Cask, o carvalho americano ex-bourbon é utilizado no Johnnie Walker Black Label, mas não exclusivamente”, afirma Walker. “Começamos com alguns dos whiskies mais expressivos do coração do Johnnie Walker Black Label, escolhendo barris que libertam um novo nível de profundidade, calor e riqueza.”
“O envelhecimento nesses barris nos permitiu encontrar aquele caráter doce e suave que alcançamos com o Johnnie Walker Black Cask, aproveitando as notas de baunilha já existentes no Johnnie Walker Black Label para realçar sabores adicionais empolgantes, como marshmallow tostado, caramelo e toffee”, diz ela.
O QUE NÃO MUDOU
Se esse nome soa familiar, é porque a Johnnie Walker já vende um whisky chamado Black Label. Para quem conhece o Johnnie Walker Black Label, o Black Cask não deve parecer estranho ou intimidante. Walker afirma que a base do whisky permanece intacta.
“Quando descrevo o Johnnie Walker Black Cask como vindo do ‘coração do Johnnie Walker Black Label’, estou falando de proteger o DNA característico que torna o Johnnie Walker Black Label instantaneamente reconhecível — seu equilíbrio, profundidade e inconfundível caráter defumado e adocicado”, observa ela.
“Isso significava preservar a estrutura central do blend: as camadas de fruta e doçura de Speyside, a cremosidade e riqueza do malte e, claro, aquele defumado característico da Costa Oeste (dos EUA) que lhe confere persistência e corpo. Esses elementos são inegociáveis”, afirma Walker.
Em vez de mudar tudo, a equipe optou por realçar certos sabores com mais clareza. “O que exploramos foi como amplificar certos aspectos por meio da influência do barril, particularmente explorando um caráter de carvalho mais profundo e intenso e uma doçura caramelizada, garantindo que o defumado e a fruta ainda estivessem em perfeito equilíbrio”, acrescenta.