Por que o novo CEO da Disney precisa ser o rosto da empresa
Ao assumir o cargo, Josh D’Amaro herda mais do que a gestão da Disney: o papel histórico de figura pública da marca

Nos últimos seis anos, Josh D'Amaro supervisionou experiências como parques temáticos e cruzeiros na Walt Disney Company. A partir de 18 de março, ele adicionará o restante da empresa às suas responsabilidades.
A Disney nomeou D'Amaro como seu novo diretor executivo, assumindo o cargo de Bob Iger e se tornando apenas a nona pessoa a comandar a centenária gigante do entretenimento.
D'Amaro venceu uma disputa acirrada pelo cargo, superando a co-presidente de entretenimento da Disney, Dana Walden, que permanecerá na empresa no cargo recém-criado de presidente e diretora de criação.
Ao ser indicado como CEO, D'Amaro também se torna a figura pública da Disney, um papel que vai muito além de uma mera formalidade. Desde que Walt Disney fundou a empresa, o CEO tem sido uma presença marcante não apenas em Hollywood e Wall Street, mas também na cultura pop.
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CEOs anteriores, como Iger e Michael Eisner, eram quase tão famosos quanto as estrelas dos filmes da Disney.
PREPARADO PARA UM CLOSE-UP DELE?
D'Amaro tem assumido uma presença cada vez mais pública nos últimos anos, com aparições na mídia e eventos de grande repercussão, como a recente cerimônia de batismo do navio de cruzeiro Disney Destiny.

Ele também esteve intimamente envolvido em alguns dos maiores projetos da empresa, incluindo a expansão de US$ 60 bilhões da divisão de parques e experiências e o recém-anunciado parque temático em Abu Dhabi.
“Há cerca de um ano”, disse D’Amaro durante uma conversa com a Fast Company e outros veículos de comunicação em 2024, “eu estava no escritório do Bob e conversávamos sobre os últimos 100 anos e tudo o que havia acontecido com nossos produtos ao redor do mundo. Falamos sobre a quantidade de histórias que ainda não tínhamos conseguido contar, o espaço disponível que poderíamos explorar e o número de fãs que gostariam de participar disso. Bob olhou para mim e disse: ‘Vai em frente’”.
UMA LONGA TRAJETÓRIA
D’Amaro ingressou na Disney em 1998, trabalhando em diversas posições de liderança na Disneylândia. Ele chegou à presidência do Walt Disney World e, em 2020, foi nomeado presidente da Disney Experiences, onde supervisiona todos os 12 parques temáticos e os 57 hotéis da empresa, além das linhas de cruzeiro, da Disney Consumer Products e, talvez crucialmente, da unidade Imagineering da empresa.
Entre as atrações dos parques temáticos construídas sob sua supervisão estão Star Wars: Galaxy’s Edge, o Avengers Campus (com temática da Marvel) e a Mickey and Minnie’s Runaway Railway.
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O executivo ajudou a liderar o investimento de US$ 1,5 bilhão da empresa na Epic Games no ano passado e pode fazer com que os videogames se tornem uma parte ainda maior do foco da empresa nos próximos anos.
O novo CEO também foi responsável por conduzir os parques da Disney durante a pandemia, uma tarefa que parecia quase impossível em 2020. Quando a decisão de reabrir os espaços de entretenimento foi tomada, ele supervisionou as mudanças que permitiram à empresa recuperar uma fonte crucial de receita, mantendo os visitantes em segurança.
“Sabíamos que teríamos de mudar, mas a única coisa com a qual não abriríamos mão era da nossa narrativa, garantindo que qualquer visitante que passasse por aqueles portões sentisse a mesma experiência Disney de sempre”, diz D’Amaro.
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Para isso, a Disney teve que inovar. Os desfiles foram descartados, já que aglomerações ao longo do percurso representavam um risco. Mas as paradas de personagens — menores, com personagens da Disney caminhando, em veículos, em mini carros alegóricos ou até mesmo a cavalo pelo parque — passaram a ocorrer com uma frequência muito maior do que a antiga programação de desfiles.
Outros personagens apareceram em novos locais. (O Pateta, por exemplo, às vezes era visto pescando no píer do California Adventure.) Esse período também marcou o lançamento do sistema de filas virtuais da empresa.
Desde então, os parques se tornaram uma potência financeira ainda maior para a empresa.
REAÇÃO NO CAIXA DA DISNEY
Em seu relatório de resultados mais recente, divulgado na última segunda-feira (2), a Disney anunciou que a divisão de experiências ultrapassou US$ 10 bilhões em receita trimestral pela primeira vez. Somente os parques temáticos nos EUA geraram US$ 6,91 bilhões em receita, apesar da queda no número de visitantes internacionais.
“Josh D’Amaro é um líder excepcional e a pessoa certa para se tornar nosso próximo CEO”, disse Iger em um comunicado na terça-feira (3). “Ele tem uma apreciação instintiva da marca Disney e uma profunda compreensão do que ressoa com nosso público, além de uma grande capacidade de adaptação e planejamento estratégico, com o rigor e a atenção aos detalhes necessários para entregar alguns dos nossos projetos mais ambiciosos.”
QUANDO O CHEFE NÃO PEDE DEMISSÃO
D'Amaro é a segunda pessoa a suceder Iger como CEO. Em 2020, Bob Chapek, que era responsável pela Disney Parks and Experiences, foi nomeado CEO, mas a transição foi tudo menos tranquila.
Wall Street ficou surpresa com a escolha de alguém da área de parques e não da unidade de streaming da empresa. O estilo de gestão de Chapek foi alvo de críticas e causou algumas tensões políticas.
Em 2022, quando o preço das ações da empresa começou a cair, o conselho o substituiu, trazendo Iger de volta.
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James Gorman, presidente do conselho da Disney, que liderou a busca pelo novo líder da empresa, declarou à CNBC na terça-feira que a situação não se repetirá com a escolha de D'Amaro. "Não teremos o drama que tivemos. Da última vez. Isso eu posso garantir”, disse ele.
Em um comunicado, D’Amaro ressaltou seu bom relacionamento com Iger, agradecendo-lhe pela amizade e mentoria, e delineando sua visão para o futuro da Disney.
“Não há limites para o que a Disney pode alcançar”, afirmou D'Amaro. “E estou entusiasmado para trabalhar com nossas equipes em toda a empresa e com nossos brilhantes parceiros criativos para honrar o legado notável da Disney, enquanto continuamos a inovar, crescer e oferecer valor excepcional aos nossos consumidores e acionistas.”