Selo “Made in USA” já não convence e perde espaço para o preço
Após anos de inflação e tarifas mais altas, consumidores americanos priorizam o desembolso mesmo quando sabem a origem do produto

Na Dinamarca, uma rede de supermercados usou uma estrela preta. No Canadá, foi uma folha de bordo.
A guerra comercial do presidente americano Donald Trump inspirou novas etiquetas de país de origem "Fabricado em" este ano, à medida que os consumidores fora dos EUA procuravam evitar comprar produtos fabricados na maior economia do mundo e optar por produtos locais.
Nos EUA, porém, a marca "Fabricado nos EUA" está perdendo seu apelo interno.
A rotulagem de país de origem é concebida como um selo de autenticidade e qualidade. Os países fiscalizam suas próprias regras para garantir que os produtos rotulados como "fabricados" ou "montados" em seu território realmente foram feitos ou montados lá e que atendem aos padrões nacionais.
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Quando o think tank 21st Century, com sede em Copenhague, apresentou seu conceito para um possível futuro selo "Fabricado na Europa", seu diretor-geral afirmou que ele foi criado para estabelecer confiança, ou seja, se algo fosse fabricado na Europa, os consumidores poderiam ter certeza de que não haveria arsênico em sua composição.
MENOS CONFIANÇA NO SELO MADE IN USA
Nos Estados Unidos, neste ano, porém, o selo “Made in USA” não representa tanto confiança para um número crescente de consumidores, mas sim preços mais altos. E eles não querem pagá-los.
Uma pesquisa do Conference Board, divulgada em agosto de 2025, constatou que cerca de metade dos consumidores americanos afirma que saber que um produto foi fabricado nos EUA aumenta a probabilidade de comprá-lo novamente, uma queda de 18% desde 2022. O autor do relatório atribuiu a queda ao fato de os consumidores associarem o selo “Made in USA” a preços altos devido aos elevados custos de produção interna.
Os consumidores americanos enfrentam hoje uma taxa tarifária efetiva média de 16,8%, de acordo com o Laboratório de Orçamento de Yale. Essa é a taxa mais alta desde 1935 e ocorre em meio a um descontentamento econômico generalizado.
Leia mais: Por que a economia dos EUA vai bem, mas os americanos dizem que não é bem assim: Selo “Made in USA” já não convence e perde espaço para o preçoMetade dos adultos americanos afirma estar gastando mais tempo do que o habitual procurando o menor preço para os produtos, segundo uma pesquisa do Centro de Pesquisa de Assuntos Públicos da Associated Press-NORC. Esse número representa um aumento em relação aos 31% de 2021 e ajuda a explicar a ascensão de marcas genéricas voltadas para o público jovem e sofisticado. O preço é o que importa para os consumidores hoje em dia.
GOVERNO TRUMP VAI FICAR DE OLHO NO SELO
A Comissão Federal de Comércio (FTC) de Trump planeja tornar o selo "Fabricado nos EUA" uma de suas principais prioridades de fiscalização em 2026, mas para metade dos compradores que buscam o melhor negócio, o local de fabricação do produto não será um fator decisivo.
Uma pesquisa do Gallup realizada em outubro revelou que os americanos geralmente prestam atenção à origem de seus produtos, com 76% deles cientes do país de fabricação antes de comprá-los, seja às vezes, na maioria das vezes ou sempre.
Após anos de inflação, no entanto, o selo mais importante para muitos compradores americanos não é "Fabricado nos EUA". É o preço.