Sem imigração, quem vai sustentar a economia dos EUA?

Com a queda da imigração, especialistas alertam para escassez de trabalhadores, aumento de custos e menor crescimento econômico

Sem imigração, quem vai sustentar a economia dos EUA?
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Sarah Bregel 3 minutos de leitura

O crescimento populacional dos EUA está desacelerando devido à queda na imigração em meio à política de deportação promovida pelo presidente Donald Trump e ao endurecimento das restrições na fronteira.

De acordo com novos dados do Censo, essa queda é a maior desde o início da pandemia de COVID-19. De julho de 2024 a julho de 2025, a população dos Estados Unidos cresceu em 1,8 milhão de pessoas (cerca de 0,5%). Esse crescimento foi impulsionado principalmente pela imigração: durante esse período, os EUA receberam 1,3 milhão de imigrantes. Trata-se de uma queda acentuada em relação ao ano anterior, quando 2,7 milhões de imigrantes chegaram ao país.

O Censo prevê que, até julho deste ano, o número de imigrantes poderá cair ainda mais, para apenas 321 mil. Enquanto isso, o número de deportações, incluindo autodeportações, totalizou quase 3 milhões até 20 de janeiro, segundo o Departamento de Segurança Interna.

ANTES, CRESCIMENTO ACELERADO

Anteriormente, a imigração nos EUA vinha crescendo há mais de 50 anos, até que novas políticas implementadas pelo governo o democrata Joe Biden — como o endurecimento das medidas de segurança nas fronteiras e a restrição de asilo para quem cruza a fronteira entre os pontos de entrada — entraram em vigor em 2024.

“A grande conclusão é: nossa, o governo Trump, e até mesmo o fim do governo Biden, fizeram uma grande diferença”, disse Steven Camarota, diretor de pesquisa do Centro de Estudos de Imigração, à CBS News. “Certamente parece que estamos vendo uma mudança fundamental que reflete as políticas adotadas.”

Além da queda na imigração, o crescimento populacional já vinha desacelerando há décadas devido à redução nas taxas de natalidade nos EUA.

COMO FICA A FORÇA DE TRABALHO?

Os impactos na força de trabalho serão inegáveis, dizem os especialistas. Juan Carlos Rivera, advogado de imigração em Miami, viu os efeitos das novas políticas americanas em primeira mão, dado o aumento nas deportações. Rivera afirma que a maioria das pessoas nos casos de deportação que acompanhou estava trabalhando e contribuindo para a economia do país.

"Quando há menos trabalhadores disponíveis, as empresas enfrentam custos trabalhistas mais altos, produtividade reduzida e expansão mais lenta."

Juan Carlos Rivera, advogado de imigração

É evidente que a deportação de funcionários terá consequências graves, segundo Rivera. "Quando há menos trabalhadores disponíveis, as empresas enfrentam custos trabalhistas mais altos, produtividade reduzida e expansão mais lenta", diz Rivera. "Essa pressão se reflete em preços mais altos para os consumidores e em um crescimento econômico geral mais fraco."

EUA E A PERDA DE COMPETITIVIDADE

Rivera também acredita que as atuais táticas de fiscalização da imigração afetarão a capacidade do país de se manter competitivo em relação ao resto do mundo.

"Outros países estão competindo ativamente por trabalhadores e talentos à medida que suas populações envelhecem. Se os Estados Unidos não mantiverem um sistema de imigração legal e confiável que apoie trabalhadores de todos os níveis de qualificação, correm o risco de perder terreno em inovação, estabilidade da cadeia de suprimentos e liderança econômica a longo prazo", explica Rivera.

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De acordo com um novo relatório da Sedgwick, administradora global de reclamações, a fiscalização da imigração já está criando alguns desses problemas econômicos mais amplos. De acordo com o relatório de 2026: “As interrupções no mercado de trabalho relacionadas à imigração afetam três quartos das organizações em diferentes graus”, o que o relatório classifica como “um entrave operacional crônico, e não uma crise aguda”.

Dave Arick, diretor administrativo de gestão de riscos globais da Sedgwick, disse à Fast Company que certos setores — como saúde, tecnologia e hotelaria, que “dependem mais de qualificações científicas e técnicas para funções-chave” — já estão enfrentando “um ambiente altamente competitivo para atrair e reter pessoas com conhecimentos e experiência específicos, especialmente quando aliado a um alto crescimento de mercado”.

Portanto, Arick afirma que novas mudanças nas leis de imigração, como aquelas que “restringem o acesso de imigrantes ao ensino superior e ao emprego”, irão “reduzir ainda mais o número de talentos disponíveis” — o que, por sua vez, “aumentará os custos para contratar os candidatos mais qualificados disponíveis”.


SOBRE A AUTORA

Sarah Bregel é uma escritora, editora e mãe solteira que mora em Baltimore, Maryland. Ela contribuiu para a nymag, The Washington Post... saiba mais