Shein perdeu 75% do valor antes de chegar à bolsa
Desaceleração das vendas, custos maiores, tarifas e tensões geopolíticas pressionaram os resultados e reduziram a avaliação da companhia

A Shein Global Holdings, gigante da fast fashion, planeja finalmente fazer sua tão aguardada estreia na bolsa de valores de Hong Kong, em setembro.
Conhecida por produzir e vender roupas e peças de vestuário a preços baixos, a Shein foi fundada em 2008 na China, mas hoje tem sede em Cingapura. A empresa conquistou especialmente os consumidores mais jovens e viu suas vendas e sua base de usuários dispararem durante os períodos de isolamento da pandemia.
Sua avaliação de mercado teria chegado a cerca de US$ 100 bilhões em 2022. No entanto, vendas mais fracas, custos mais altos e tensões geopolíticas cobraram seu preço.
Com a estreia na bolsa, a Shein agora mira uma avaliação mais próxima de US$ 27 bilhões, segundo um documento apresentado nesta segunda-feira (24 de agosto) – uma queda de quase 75% em quatro anos.
A empresa chegou a considerar fazer sua oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) em Londres e Nova York, mas abandonou esses planos por diversos motivos, incluindo questionamentos feitos por parlamentares dos EUA.
Leia mais: Adeus, roupa da moda: cansado de tendências, consumidor volta ao básico
Quando ainda era senador, o atual secretário de Estado, Marco Rubio, liderou os esforços para pressionar os reguladores norte-americanos a interromper o processo de IPO da Shein no início de 2024, argumentando que os relatórios da empresa não seriam transparentes.
Quase três anos depois, a Shein parece finalmente pronta para abrir seu capital, embora com uma avaliação consideravelmente menor.
POR QUE A AVALIAÇÃO DA SHEIN CAIU?
Em julho, a Shein registrou prejuízo trimestral devido à desaceleração das vendas e aos efeitos de uma mudança nas isenções de impostos de importação para pequenas encomendas promovida pelo presidente Trump.
A alteração acabou com a chamada “isenção de minimis”, que permitia que produtos avaliados em menos de US$ 800 entrassem nos EUA sem o pagamento de tarifas.

Como resultado, no primeiro trimestre de 2026, a Shein registrou prejuízo de US$ 99 milhões sobre uma receita de US$ 9,05 bilhões. No mesmo período do ano anterior, a empresa havia registrado lucro líquido de US$ 395 milhões sobre uma receita de US$ 8,95 bilhões, segundo o prospecto da Shein.
O documento apresentado pela empresa alerta que ela pode continuar sofrendo impactos negativos em seus negócios por causa das tarifas, da guerra no Irã e de outros fatores. “Crescemos rapidamente desde nossa fundação e não há garantia de que nosso crescimento continuará”, afirma o documento.
Ainda assim, para investidores que esperam há algum tempo pela oportunidade de comprar ações de uma empresa com 281 milhões de usuários ativos, a tão aguardada chance finalmente está próxima. A expectativa é que a Shein seja listada na bolsa na próxima terça-feira (1º de setembro).