Spotify e Universal Music fecham acordo para usuários criarem remixes com IA

A parceria marca uma nova fase do uso de inteligência artificial na indústria da música

Spotify
O acordo libera uso de IA para criar versões personalizadas de músicas licenciadas. Foto: Unsplash

Lilian Campos 2 minutos de leitura

O Spotify e a Universal Music Group (UMG) anunciaram um novo acordo voltado para o uso de inteligência artificial (IA) dentro da plataforma de streaming. A parceria permitirá que usuários premium criem remixes e covers personalizados de músicas utilizando ferramentas baseadas em IA.

O anúncio marca um dos primeiros grandes acordos entre uma plataforma de streaming e uma gravadora para liberar oficialmente conteúdos musicais gerados por inteligência artificial. Segundo nota do Spotify, o sistema será lançado para assinantes premium.

ENTENDA A PROPOSTA

A proposta permitirá que usuários criem novas versões de músicas licenciadas a partir de ferramentas integradas diretamente ao Spotify. Em resumo, os assinantes poderão gerar remixes, alterações de estilo musical e covers utilizando inteligência artificial aplicada ao catálogo de artistas participantes do acordo.

No entanto, as empresas ainda não anunciaram quais artistas participarão do projeto e nem os termos financeiros por trás da liberação de músicas para este novo projeto. É importante ressaltar que a Universal tem contrato com músicos importantes, como Ariana Grande e Taylor Swift.

NOVA FONTE DE RENDA PARA ARTISTAS

Segundo a Universal, os remixes gerados pelos usuários poderão criar novas formas de monetização dentro da indústria musical, além de aumentar a descoberta de novos talentos musicais. 

O acordo surge em um momento de crescimento acelerado da música produzida por inteligência artificial. Nos últimos meses, ferramentas capazes de criar vozes, instrumentais e versões alternativas de músicas passaram a ganhar espaço nas redes sociais e plataformas digitais.

O avanço dessas ferramentas aumentou a preocupação das grandes gravadoras com direitos autorais e uso não autorizado de catálogos musicais.

Segundo a Reuters, empresas do setor vêm buscando novos modelos de licenciamento para tentar controlar o uso de músicas geradas por IA, principalmente diante da dificuldade crescente de diferenciar composições humanas de conteúdos produzidos artificialmente.

SPOTIFY TAMBÉM APOSTA EM DJ DE IA

O novo acordo com a Universal Music acontece em um momento em que o Spotify vem acelerando o uso de inteligência artificial dentro da plataforma.

Nas últimas semanas, por exemplo, o serviço expandiu para o Brasil o recurso de DJ com IA, ferramenta que cria recomendações musicais personalizadas e interage com usuários por comandos de voz e texto. Conforme mostramos aqui na Fast Company Brasil, o sistema utiliza um histórico de reprodução, hábitos de escuta e preferências do usuário para montar sequências mais personalizadas.

SELO PARA ARTISTAS REAIS

No fim de abril, o Spotify lançou o selo “Verified by Spotify”, criado para ajudar usuários a identificarem artistas considerados autênticos dentro da plataforma.

O selo aparece nos perfis verificados e também nos resultados de busca, funcionando como uma espécie de confirmação de que aquele músico, banda ou projeto musical atende aos critérios de autenticidade definidos pela empresa. Segundo o Spotify, perfis que representem majoritariamente artistas criados por inteligência artificial não são elegíveis para a verificação.

Para receber o selo, os artistas precisam demonstrar atividade consistente na plataforma, presença identificável fora do streaming (como shows, redes sociais e produtos oficiais), além de cumprir as políticas do Spotify.


SOBRE A AUTORA

Lilian Campos é jornalista colaboradora da Fast Company Brasil. saiba mais