Turismo internacional em queda pressiona resultados da Disney

Menos visitantes estrangeiros nos EUA afetam a divisão de parques da Disney e pressionam as projeções da empresa para 2026

Turismo internacional em queda pressiona resultados da Disney
kin-li via Unsplash e freepik.com

Jennifer Mattson 2 minutos de leitura

Os resultados da Disney foram divulgados e, ao que tudo indica, a gigante do entretenimento está começando 2026 com alguns pontos fortes em seu relatório do primeiro trimestre, impulsionados em parte por dois grandes sucessos de bilheteria. No entanto, algumas previsões decepcionantes para o segundo trimestre parecem ter assustado os investidores, fazendo com que as ações caíssem mais de 7%, para US$ 104,72, no pregão da tarde de segunda-feira (2).

Leia mais: Por que o novo CEO da Disney precisa ser o rosto da empresa

As ações da Walt Disney Company (NYSE: DIS) subiram brevemente na manhã de terça-feira após a notícia de que a Disney nomeou Josh D'Amaro como seu novo diretor executivo (a partir de 18 de março), mas voltaram a cair.

Primeiro, as boas notícias: os resultados do primeiro trimestre da Disney superaram as estimativas, com receita de US$ 25,98 bilhões, acima das expectativas dos analistas de US$ 25,74 bilhões. Além disso, o lucro por ação (LPA) ajustado também superou as expectativas, chegando a US$ 1,63, US$ 0,06 acima da estimativa de Wall Street de US$ 1,57.

Isso se deve, em grande parte, à unidade Experiences da gigante do entretenimento, que opera 12 parques temáticos em seis resorts ao redor do mundo, além de cruzeiros e clubes de férias. A unidade registrou receita trimestral superior a US$ 10 bilhões pela primeira vez.

Bilheteria de Zootopia 2 ajudou a melhorar os números da gigante de entretenimento (Divulgação/Disney)

Os resultados também foram impulsionados pelos sucessos da Disney, Zootopia 2 e Avatar: Fogo e Cinzas, que ultrapassaram a marca de US$ 1 bilhão em bilheteria mundial, segundo o relatório de resultados da companhia.

A empresa também destacou seus serviços de streaming e afirmou que o canal esportivo ESPN obteve fortes índices de audiência no trimestre (com a ESPN conquistando mais de 30% de toda a audiência esportiva entre as emissoras, incluindo a ESPN na ABC).

Agora, as más notícias: para o próximo segundo trimestre, a Disney prevê que seus parques temáticos provavelmente apresentarão um “crescimento modesto da receita operacional”, em parte devido à queda no número de turistas internacionais nos Estados Unidos, informou a Associated Press.

Leia mais: O que acontece quando o ICE bate à porta das empresas

Em resposta a uma pergunta sobre a queda durante a teleconferência de resultados de segunda-feira, o CEO da Disney, Bob Iger, disse que, como os visitantes internacionais tendem a se hospedar com menos frequência nos hotéis da Disney, a empresa conseguiu “lidar com isso por meio de outros indicadores”. E, como resultado, “redirecionou seus esforços de marketing e vendas… para um público mais doméstico” e conseguiu “manter altas taxas de ocupação”.

Essa queda geral no turismo estrangeiro para os EUA provavelmente se deve a diversos fatores, incluindo a política de imigração restritiva do presidente Donald Trump; a postura agressiva de seu governo em relação a países estrangeiros — incluindo os aliados europeus e o Canadá — em relação à invasão da Venezuela pelos EUA e sua tentativa de anexar a Groenlândia; e suas altas tarifas sobre nações globais, frequentemente acompanhadas de retórica xenófoba.


SOBRE A AUTORA

Jennifer Mattson é colaboradora da Fast Company e escreve sobre trabalho, negócios, tecnologia e finanças. saiba mais