Veículos elétricos: Tesla desacelera e BYD termina 2025 na liderança
BYD informou ter chegado a 2,26 milhões de carros elétricos globalmente, uma alta de 28% em relação a 2024; já a montadora de Elon Musk entregou 1,64 milhão de veículos

A Tesla, de Elon Musk, terminou 2025 fora do trono. Suas vendas de veículos elétricos recuaram 16% no último trimestre do ano, conforme divulgado pela empresa. A queda tem a ver com o corte dos créditos fiscais que incentivavam a compra dos carros elétricos no mercado americano
Com isso, a maior vendedora de veículos elétricos do mundo de 2025 foi a chinesa BYD, pela primeira vez na história.
No Brasil, a BYD passou de 200 mil veículos emplacados no ano passado, entre elétricos e híbridos plug-in - o número leva em consideração o acumulado desde abril de 2022, quando começaram as vendas no país. Aqui, segundo a Fenabrave, entidade que representa as distribuidoras de veículos, a marca chegou a novembro de 2025 (dados mais recentes) a 73,62% de participação de mercado no segmento dos eletrificados.
TESLA SE DISTANCIA DA PROMESSA
Os números de 2025 mostram que a Tesla está se distanciando de sua antiga meta de se tornar a maior montadora do mundo, com a venda de até 20 milhões de carros por ano até 2030. Seria cerca do dobro do que a Toyota vende atualmente.
Mas o que está acontecendo no mercado americano para que as vendas da Tesla apresentem um recuo? Em 2025, o presidente Donald Trump e os republicanos no Congresso cortaram os créditos fiscais de até US$ 7.500 para quem comprasse ou alugasse os modelos elétricos - em um claro sinal à indústria dos combustíveis fósseis. Em dezembro, governo americano avançou com a estratégia de enfraquecer as regulamentações de ar limpo que levaram as montadoras instaladas nos EUA a fabricarem mais modelos a bateria.
A Tesla sentiu o baque, já que é altamente dependente das vendas nos EUA - responsável por 45% do mercado de veículos elétricos. Vale lembrar que Musk foi grande apoiador de Trump durante a campanha presidencial americana e fez parte do atual governo.
A montadora de Musk entregou um total de 1,64 milhão de carros em todo o mundo em 2025. O número ficou abaixo dos cerca de 1,8 milhão de unidades comercializados em 2024.
BYD AVANÇA FORA DA CHINA
Na quinta-feira (1º), a BYD informou ter chegado a 2,26 milhões de carros elétricos globalmente no ano passado. O volume representa um aumento de 28% em relação a 2024. Segundo a montadora, proporcionalmente as vendas avançaram mais fora da China, em especial na Ásia, Europa e América Latina. Nos EUA, os carros elétricos chineses estão sob altas tarifas, o que compromete a competitividade em relação aos fabricantes do países.
“A viabilidade econômica acabará surgindo com a queda dos preços das baterias”
Stephanie Valdez Streaty, da Cox Automotive Mobility
Em entrevista do The New York Times, Stephanie Valdez Streaty, diretora da consultoria Cox Automotive Mobility e especialista em veículos elétricos, apontou que os carros elétricos deverão representar 8,5% do mercado de veículos novos dos EUA em 2026. Isso significaria uma recuperação dos 5,4% registrados em novembro passado. Ainda segundo Stephanie, até 2030, sua participação no mercado deverá chegar a 17% ou mais até 2030. “A viabilidade econômica acabará surgindo com a queda dos preços das baterias”, disse ao jornal.
Ainda de acordo com a reportagem, o crescimento vai acelerar nos estados americanos onde há a oferta de incentivos para a compra de veículos elétricos. É o caso da Califórnia, Colorado e Nova York. A especialista lembra ainda que a rede de recarga se expandirá no país mesmo sem o apoio federal. Isso deve acontecer graças a instalação de mais carregadores em condomínios residenciais e em locais de trabalho, o que vai tornar o acesso à energia elétrica mais fácil.