O Live Shopping, ShopStream ou Live Commerce, bem como as dezenas de outras derivações deste mesmo conceito, ganharam projeção nos últimos meses, sobretudo em meio ao processo de digitalização dos canais de venda. A China está muito a frente no uso de tecnologias ao vivo para vendas online registrando mais de 50 bilhões de visualizações somente no ano passado. No entanto, esse movimento ganha cada vez mais força no Brasil.

Amanda Barros, consultora da Natura que vem adicionando a estratégia de live às suas dinâmicas (Crédito: Divulgação)

O valor do mercado de compras ao vivo na China está avaliado em US$ 66 bilhões, de acordo com a iResearch. No Brasil, segundo dados do YouTube, a busca por conteúdo ao vivo cresceu 4.900% durante a quarentena. De olho nesses movimentos, a Natura lança, nesta semana, o Natura LiveShopping, plataforma de compras ao vivo que passa a funcionar dentro do Espaço Digital dos consultores e consultoras da marca.

O grupo há havia experimentado, em 2020, o recurso ao vivo por meio de uma live da The Body Shop e, desde abril deste ano, conduzia um projeto piloto que resultou na nova plataforma.

“O Live Shopping é um passo na formação de um ecossistema digital”

Agenor Leão, VP da Natura & CO (Crédito: Divulgação)

Segundo Agenor Leão, vice-presidente da Plataforma de Negócios da Natura &Co Latam, o lançamento do Natura LiveShopping é um movimento natural na jornada de digitalização da marca. “Temos mais de 2 milhões de consultoras na América Latina, que, em breve, atenderão 20 milhões de consumidores online e que, por sua vez, formarão parte de uma rede de 200 milhões de consumidores no mundo”, calcula Agenor, destacando outros pontos dessa jornada à Fast Company Brasil.

Como foi o processo interno, envolvendo as áreas da empresa no desenvolvimento dessa plataforma?
Temos os times de inovação focados em tendências, relacionamento com o ecossistema de startups e tecnologias emergentes, como é o caso do Live Shopping. Ao mapear, no início de 2020, que essa forma de comunicação estava crescendo de maneira exponencial na China e com potencial de ganhar o mundo, os times de inovação mobilizaram as equipes internas para estruturar a melhor forma de ofertar esta ferramenta para a nossa rede, começando com uma etapa de testes, mas indo rapidamente para a escala. A oportunidade de implementar a novidade surgiu com a The Body Shop, em 2020. Agora, estamos expandindo o recurso no Espaço Digital das Consultoras de Beleza Natura, um desafio ainda maior.

“Nós, latino-americanos, somos um povo para o qual as relações humanas são fundamentais e soluções como o Live Shopping reúnem fatores que são muito valorizados localmente, como a proximidade, conectividade, redes sociais e entretenimento”

A China se tornou uma referência em Live Shopping, o que dá para tirar de aprendizados e o que é muito diferente quando olhamos para o Brasil?
O tempo gasto nas redes sociais globalmente aumentou quase 60%, em média, nos últimos sete anos e o Brasil ocupa o segundo lugar no ranking, depois das Filipinas, segundo uma pesquisa divulgada em 2019 pela empresa inglesa de mercado GlobalWebIndex. Isso significa que, ainda que a população brasileira seja muito menor do que a chinesa, gastamos mais tempo nas redes sociais do que eles. Além disso, o Brasil lidera o uso de smartphones entre as economias emergentes, segundo um relatório também divulgado em 2019 pelo Pew Research Center. Soma-se a esses dados a crescente necessidade de uma experiência de compra personalizada, tendência que foi intensificada com a chegada da pandemia em todo o mundo. E esse potencial é ainda maior quando olhamos para Natura &Co. Juntas, Natura, Avon, The Body Shop e Aesop.

Diogo Antônio da Silva, consultor Natura e um dos usuários da nova plataforma de lives (Crédito: Divulgação)

Como essa iniciativa se complementa a outras tecnologias já utilizadas pela Natura como voice-commerce e a própria estrutura do app?

Desde 2019, decidimos estruturar uma estratégia para entender e aprender formas de conectá-la com o nosso negócio, cujo primeiro movimento foi lançar ao mercado uma experiência de Meditação na Alexa, assistente de voz da Amazon, que na época chegava ao Brasil. A experiência foi 100% desenvolvida pelo nosso time interno. Depois de termos aprendido com estas primeiras experiências, evoluímos para lançar o comércio por voz, o Voice Commerce, em parceria com o Google Assistente. Basta dizer “Ok Google, falar com Natura” para realizar busca por produtos, adicioná-los ao carrinho e finalizar a compra. Para o grupo, no entanto, a jornada da digitalização é muito mais ampla do que uma relação comercial online.

“Desde 2019, decidimos estruturar uma estratégia para entender e aprender formas de conectá-la com o nosso negócio, cujo primeiro movimento foi lançar ao mercado uma experiência de Meditação na Alexa”

Quais as complexidades envolvidas neste tipo de interação e as ferramentas e possibilidades de conversão?

Em nosso projeto piloto ficou provado que o fato de o cliente não precisar sair da live para concluir a sua compra, somado a um atendimento personalizado e próximo, faz toda a diferença. Vale destacar que, diferentemente de disponibilizar uma sessão de compras ao vivo dentro de um site de marca, como foi o caso da The Body Shop, implementar uma tecnologia inovadora dentro do superapp das consultoras exigiu dos times um intenso trabalho para garantir que a interface e a usabilidade fossem simples. Esse, eu diria, ser o nosso grande diferencial, já que as consultoras conseguem, de maneira muito ágil e intuitiva, fazer o próprio setup da sua live, escolhendo os produtos que querem exibir, incluindo seu número de WhatsApp e demais detalhes de personalização que tornam a experiência única para elas e seus clientes.

SOBRE O AUTOR

Luiz Gustavo Pacete é editor-contribuinte da Fast Company Brasil