POR REDAÇÃO FAST COMPANY BRASIL

Diferente de redes sociais como Instagram e Facebook — frequentemente criticadas por consumirem o tempo e a saúde mental dos usuários — a recém lançada rede social Minus é baseada em pensar antes de postar. Contrariando a lógica dos algoritmos, com uma proposta minimalista e já apelidada por alguns de “anti-Twitter”, ela oferece a cada novo usuário o limite de 100 postagens para usar ao longo de uma vida inteira. 

Ao comemorar seu 100º aniversário, a Nestlé decidiu tornar-se a primeira marca no Brasil a criar um perfil na nova rede, estreando o projeto “100 anos de Nestlé, 100 posts de história”.  As 100 publicações destacam curiosidades, informações e nomes icônicos que marcaram a história da marca e fazem parte de uma estratégia idealizada pelo Content Studio Nestlé (É possível acessar o perfil @Nestle_Br cadastrando-se no Minus).

Explorando mídias alternativas para se conectar às novas gerações, a Nestlé reproduziu uma fórmula que foi testada com a marca Nescau. No início deste ano, a marca de achocolatado abriu uma sala de bate-papo na plataforma ClubHouse e busca manter um contato mais profundo com o público gerando engajamento em canais de comunicação “mais autênticos”. A Minus, no entanto, subverte toda a lógica daquilo que as outras redes oferecem. A começar pela impossibilidade de estabelecer conversas com o público. Parece ter sido exatamente isso que atraiu a empresa, que não pagou nada para estar ali – e, portanto, terá a mesma visibilidade de qualquer outro usuário. 

E SE UMA REDE SOCIAL QUISESSE MENOS, NÃO MAIS DE VOCÊ?

Encomendado pela arebyte Gallery de Londres, a rede social Minus foi criada pelo artista e professor da Universidade de Illinois, Ben Grosser, como parte da exposição individual Software for Less

Grosser estuda os efeitos culturais das redes sociais há duas décadas, especialmente a forma como colocam a segurança dos usuários em risco explorando o desejo de gratificação instantânea. A provocação de Minus é não ser projetada para ser viciante

Não há curtidas, seguidores, notificações ou conteúdo monetizado, a ideia é que o engajamento e o crescimento não sejam a palavra de ordem para motivar os usuários a participar. Na realidade, Minus gira em torno da questão do que aconteceria se a rede social trabalhasse efetivamente para limitar a participação das pessoas. Alguns especialistas enxergam a novidade mais como um “statement artístico” do que como uma rede social propriamente dita. A ideia em si é muito bem vinda, ainda que não esteja clara a monetização — e, portanto, o futuro do projeto. 

Em entrevista à FAST COMPANY BRASIL, Grosser disse que fundamental para o design da plataforma é a rejeição dos métodos de extração de dados do Vale do Silício para lucrar. E por isso mesmo ela não é lucrativa, e nunca será. 

“Essa rejeição do lucro é parte do que me permite (e a comunidade Minus) experimentar alternativas radicais – porque não estamos em dívida com VCs ou IPO ou mesmo apenas com investidores privados.”, diz.

Crédito: https://bengrosser.com/ 

No caso da Nestlé, ele diz que qualquer publicação da marca terá a mesma visibilidade de qualquer pessoa presente ali – e não receberá qualquer “tratamento especial” como curtidas, dados sobre suas postagens ou seguidores/usuários com quem falar diretamente. Gross diz ainda que se a marca pretende postar blocos de conteúdo programados,  neste caso  não parece ter como objetivo abrir conversas, somente a transmissão de conteúdos.

“Ao mesmo tempo, se a Nestlé quiser que alguém leia suas postagens, ela terá que fazer algo que as pessoas queiram ler. Caso contrário, eles escaparão do feed sem resposta. Pensando de forma mais ampla, considerei uma proibição total de postagens de publicidade pura, e ainda pretendo manter isso. Mas devo dizer que a Nestlé parece interessada no estilo e nos limites do Minus, e até agora está colocando um conteúdo que se encaixa no tema do site.”, avalia.