Ambev cria projeto para capacitar empreendedoras trans e travestis

Além de aulas e materiais, a empresa destinou R$3 mil de capital semente para cada um dos 10 projetos

Crédito: Fast Company Brasil

Redação Fast Company Brasil 3 minutos de leitura

A Ambev anunciou, neste mês de outubro, uma nova ação de apoio à comunidade LGBTQIA+, por meio de seu programa de voluntariado, o VOA. Em parceria com a organização não-governamental TODXS, a empresa está impulsionando 10 projetos de empreendedorismo de pessoas trans e travestis. A diversidade na escolha das microempresas é interseccional: 50% dos participantes são do Norte e Nordeste e 80% são pessoas não brancas.  

Além do acompanhamento e de mentorias remotas, as organizações apoiadas têm acesso a aulas em vídeo, apostilas e outros materiais de suporte. Os mentores da Ambev receberam um letramento da TODXS antes de começar o programa para fomentar a pauta da diversidade entre os líderes da companhia.

No início do programa, a Ambev destina um capital semente de R$3 mil para cada um dos participantes. O objetivo é fazer com que eles consigam começar seus negócios para depois poderem caminhar sozinhos.

Thayná Nascimento (Crédito: Ambev/ Divulgação)

“O primeiro passo para nosso comprome- timento com essa causa já foi dado por meio do projeto ‘Me chame pelo meu nome (e pronome também)’, no qual estamos retificando os nomes de todos os colaboradores trans que desejarem, de forma gratuita e com todo o suporte necessário. Também realizamos uma ação externa de retificação de nomes”, conta Thayná Nascimento, especialista em impacto social da Ambev.

“Ajudar outras pessoas trans/ travestis a terem a visibilidade que merecem e seus talentos valorizados através de investimento financeiro e educacional é inspirador e gratificante. Precisamos cada vez mais de iniciativas como essas, que unem o setor privado com o terceiro setor, para transformar a realidade de pessoas que ainda são marginalizadas na sociedade, no corporativo e no empreendedorismo”, afirma Gabriel Romão, gestor do projeto na TODXS.

OPORTUNIDADE PARACRESCER

As 10 pessoas empreendedoras trans e travestis selecionadas para as mentorias são:

● Luiza Cruz, do Ateliê da Lu, que pretende produzir bandeiras e calcinhas direcionadas a pessoas trans e travestis;

● Naju Castro, do Beleza sem Rótulos, que tem como objetivo tornar cosméticos e produtos de beleza acessíveis a todas as pessoas;

● João Daniel Dionísio da Silva, do Bibere Lori Ateliê, que produz roupas e acessórios com temática LGBT+;

● Guilherme Alvez, da CacauMel, e Shirley Araújo, da Trans Delícia, que idealizaram e tocam uma confeitaria artesanal com bolos e chocolates;

● Bruna Rocha, da Feijoadeira, responsável por preparar e entregar refeições em sua região;

● Dante Kuma, do Quintal do Kuma, que visa criar um café com espaço de bem-estar;

● Pietra Sousa, do O Retorno à Encantaria, que pretende criar um livro de contos e poesias;

● Nathan Formigosa, do Transburguer, que visa criar uma hamburgueria delivery;

● Vahnessa de Oliveira Ferreira, do Tupinambá: Turismo de Resgate, projeto de guia e fotografia turística de resgate aos povos indígenas.

João Daniel (Crédito: Divulgação)

João Daniel, um dos selecionados, já começou a dar atenção a detalhes que estava deixando passar, mas que fazem toda diferença. “Eles têm me ajudado muito, tirando dúvidas e se colocando à disposição caso eu precise de ajuda em outro momento. Estou cheio de ideias e ciente de que, com tudo o que tenho aprendido, os próximos passos da minha loja terão uma direção e um objetivo certo”, afirma.

Segundo Daniel, o projeto vem para ajudar em um dos maiores desafios dessa comunidade, que é a falta de apoio, reconhecimento e de espaço para que mostrar seu trabalho. “Muitas vezes precisamos escolher entre investir no nosso trabalho ou utilizar o pouco que temos para continuar tendo o mínimo”, diz o empreendedor.

“Não é fácil lutar tanto, correr tanto e ainda sim, muitas vezes, parecer não ser o suficiente para que a gente tenha a mesma visibilidade que pessoas cis – principalmente brancas – têm. Mas, com esse programa, espero obter ferramentas para executar meu trabalho da melhor maneira possível, saber como me comunicar melhor com meu público para oferecer sempre o melhor atendimento e entregar o melhor produto.”


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