Austrália proíbe músicas totalmente criadas por IA nas paradas
Decisão ocorre após uma versão de “Like a Prayer”, de Madonna, feita com IA, passar 16 semanas entre as 20 mais ouvidas do país

A indústria fonográfica da Austrália vai impedir que músicas geradas integralmente por inteligência artificial concorram nas paradas oficiais do país, em uma reação ao avanço das tecnologias generativas que ameaça a subsistência dos artistas.
A decisão ocorre enquanto uma versão do hit pop “Like a Prayer”, de Madonna, criada por um produtor local com vocais e bateria gerados por IA, continua há 16 semanas no Top 20 australiano, alimentando o debate sobre o espaço da IA generativa na música.
A faixa chegou ao segundo lugar na parada de singles de maio da Associação da Indústria Fonográfica Australiana (ARIA, na sigla em inglês).
Músicas totalmente geradas por IA serão proibidas nas paradas da ARIA a partir da próxima segunda-feira (31 de agosto), mas algumas faixas produzidas com auxílio de IA continuarão elegíveis, informou a entidade em comunicado.
Para serem elegíveis, as músicas deverão atender, entre outros requisitos, à condição de que “seres humanos tenham escrito a canção e executado os vocais principais e os instrumentos primários”. Músicas geradas por IA também não poderão concorrer aos prestigiados prêmios da indústria musical australiana.
“Essas mudanças refletem nossa intenção de continuar dinâmicos e promover a natureza humana da expressão artística em um espaço que está, para dizer o mínimo, evoluindo rapidamente", afirmou a CEO da entidade, Annabelle Herd.
“As paradas da ARIA sempre serão uma medição transparente da música que a Austrália consome. Mas uma parada que recompense produções de IA não licenciadas enfraqueceria a própria base da música gravada que existimos para representar”, acrescentou Herd.
As músicas elegíveis também deverão ser produzidas com serviços de IA legalmente autorizados. Havia músicas aparecendo em serviços de streaming que aparentemente tinham sido desenvolvidas com ferramentas de IA treinadas com músicas de artistas sem autorização.
REGRAS INTERNACIONAIS
As regras australianas estão alinhadas aos novos princípios divulgados em julho pela Federação Internacional da Indústria Fonográfica, com sede em Londres. A federação representa o setor em nível global.
As diretrizes internacionais estabelecem que, para se qualificar para as paradas musicais oficiais, uma faixa precisa ser “substancialmente criada por humanos”.
Alexis Weaver, compositora e professora do Conservatório de Música de Sydney, disse à Australian Broadcasting Corporation que o debate sobre IA na música era “extremamente complexo e muito emocional para muitos músicos, e por isso cada um terá uma opinião diferente”.
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Weaver elogiou a decisão da ARIA como um “passo maravilhoso para a frente”, que transmite a mensagem de que a entidade quer “priorizar e valorizar a criatividade humana”.
“Pode ser bastante difícil evitar as ferramentas de IA no cenário atual”, afirmou Weaver. “É possível usá-las sem deixar de estar no comando e de tomar as principais decisões criativas.”