Clonagem de sites de abuso sexual infantil rende dinheiro a quadrilhas, dizem especialistas

De acordo com o relatório foram identificados 15.031 sites comerciais ligados à exploração sexual infantil em 2025

Homem no computador
Foto: Freepik

Joyce Canelle 2 minutos de leitura

Desde o ano passado organizações criminosas ampliaram sua atuação na internet com sites usados para vender material de abuso sexual infantil.

Com base no levantamento da Internet Watch Foundation (IWF) divulgado pelo The Guardian, a facilidade de circulação desse conteúdo e o uso de sistemas de pagamento online explicam o avanço do esquema.

De acordo com o relatório, foram identificados 15.031 sites comerciais ligados à exploração sexual infantil em 2025. No ano anterior, o total havia sido de 7.028 páginas.

O crescimento de 114% indica, segundo analistas, que grupos criminosos estão reproduzindo e espalhando plataformas ilegais em ritmo acelerado para ampliar receitas e dificultar o rastreamento.

CONTEÚDO CIRCULA EM REDES SOCIAIS

Um especialista que participou do estudo afirmou que esse tipo de material pode ser localizado com facilidade em diversas plataformas digitais.

Segundo ele, há uma falsa percepção de que esse conteúdo fica restrito a áreas escondidas da internet. Na prática, o material circula em ambientes comuns e pode ser acessado rapidamente por meio de buscas simples.

O relatório mostra que aumentou o número de sites que cobram diretamente pelo acesso ao conteúdo criminoso. Em 2024, esse modelo representava 2% dos casos identificados. Em 2025, passou para 5%.

As formas de pagamento mais usadas foram criptomoedas, além de transferências financeiras e cartões. Para especialistas, esse sistema facilita o lucro das quadrilhas e dificulta a identificação dos responsáveis.

ESQUEMA DE AFILIADOS E GANHO COM CLIQUES

Investigadores também apontaram o uso de links de afiliados para gerar receita. Nesse formato, páginas e canais atraem visitantes para conteúdos ilegais e recebem comissões por acessos, anúncios ou novas assinaturas.

A prática funciona como uma rede de distribuição, em que diferentes participantes lucram com o aumento do tráfego.

Os pesquisadores identificaram ainda tentativas de criminosos de localizar vítimas para expô-las a outros usuários envolvidos nesses crimes.

Especialistas alertam que a permanência de imagens online provoca novos traumas e amplia os danos sofridos por crianças e adolescentes.

Outro dado do levantamento mostra aumento de 127% nas denúncias de sextorsão envolvendo menores de 18 anos em 2025, na comparação com o ano anterior.

Esse crime ocorre quando uma pessoa ameaça divulgar imagens íntimas para forçar pagamentos, envio de novos conteúdos ou outras exigências. Segundo o estudo, crianças de apenas sete anos já relataram ter sido alvo desse tipo de chantagem.

Entidades de proteção infantil defendem ações mais rígidas sobre empresas de tecnologia, serviços financeiros e plataformas com criptografia.

Entre as medidas cobradas estão a remoção rápida de conteúdos ilegais, bloqueio de pagamentos suspeitos e ferramentas capazes de impedir o compartilhamento de imagens de abuso infantil.


SOBRE O(A) AUTOR(A)

Bacharel em Jornalismo, com trajetória em redação, assessoria de imprensa e rádio, comprometida com a comunicação eficiente e a produç... saiba mais