Mulheres vão salvar o mundo? Conheça personalidades que estão fazendo a diferença

Movimentos conservadores tentam colocar tudo que é feminino na posição de fragilidade e submissão, o que não poderia estar mais longe da realidade

Mulheres vão salvar o mundo? Conheça personalidades que estão fazendo a diferença
divulgação e freepik.com

Larissa Crippa 6 minutos de leitura

Nesses últimos anos, a violência contra a mulher cresceu significativamente. Segundo a Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, cerca de 3,7 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de violência doméstica ou familiar em 2025. 

Esse cenário é impulsionado por movimentos conservadores que tentam, cada vez mais, colocar tudo que é feminino na posição de fragilidade e submissão, o que não poderia estar mais longe da realidade.

Mesmo cercadas de violência e vulnerabilidades, as mulheres continuam lutando dia após dia para serem melhores, não só para si mas para a sociedade como um todo. Essas especialistas contribuem ativamente em descobertas revolucionárias em áreas cruciais, desde regeneração de tecidos até a conservação ambiental, redefinindo entendimentos científicos.

CONHEÇA MULHERES QUE ESTÃO FAZENDO A DIFERENÇA

1. Tatiana Coelho de Sampaio (Brasil)

A cientista brasileira Tatiana Coelho de Sampaio, pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), desenvolveu uma abordagem promissora para o tratamento de lesões na medula espinhal, como tetraplegia e paraplegia. 

Após cerca de três décadas de estudos, ela criou a polilaminina, uma proteína capaz de estimular a regeneração de circuitos nervosos danificados. A substância atua reorganizando estruturas celulares e funcionando como uma espécie de “ponte biológica” que ajuda a reconectar neurônios lesionados.

Em testes iniciais realizados com uso compassivo, alguns pacientes com lesões graves relataram recuperação parcial de movimentos e sensibilidade, indicando o potencial do tratamento. 

O método é aplicado por meio de injeções e vem sendo estudado com apoio de instituições como UFRJ, CNPq, Capes, Faperj e o laboratório Cristália. Recentemente, Tatiana declarou em entrevista ao portal G1 que o artigo divulgado sobre a pesquisa foi um pré-print, versão que não tem revisão de outros pesquisadores. Ainda segundo a pesquisadora, um dos pontos com erro, que passará por revisão, é um gráfico que mostra a evolução de um paciente.

Atualmente, a polilaminina ainda passa por etapas de testes clínicos e depende de avaliações regulatórias da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) antes de uma possível aplicação em larga escala, que Tatiana já expressou querer disponibilizar gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

2. Miranda Wang (Canadá)

A poluição causada pelo plástico se tornou um dos grandes desafios ambientais do planeta, e a pesquisadora Miranda Wang tem se destacado na busca por soluções para esse problema. 

Cofundadora da empresa Novoloop, ela desenvolveu uma tecnologia capaz de reaproveitar plásticos considerados difíceis de reciclar, como sacolas de supermercado e embalagens flexíveis, convertendo esses resíduos em compostos químicos de alto valor, entre eles o poliuretano termoplástico (TPU). 

Além de dar novo uso a materiais que normalmente seriam descartados, o processo criado pela empresa também reduz custos e pode diminuir em até 41% a pegada de carbono associada a esses produtos.

3. Joy Buolamwini (Gana)

A pesquisadora Joy Buolamwini se tornou uma das principais vozes globais no debate sobre ética e justiça na inteligência artificial.

 À medida que sistemas de IA passaram a influenciar áreas importantes da vida cotidiana, como processos de contratação, segurança pública e reconhecimento facial, surgiram preocupações sobre possíveis falhas e desigualdades nessas tecnologias. 

Foi justamente ao perceber que softwares de reconhecimento facial tinham dificuldade em identificar pessoas com pele mais escura que Joy decidiu investigar o problema de forma mais profunda.

A partir dessa experiência, ela fundou a Algorithmic Justice League, organização dedicada a estudar e denunciar vieses presentes em sistemas de inteligência artificial. 

Por meio de pesquisas e campanhas de conscientização, Buolamwini passou a pressionar empresas de tecnologia e governos a adotarem regras mais claras para o desenvolvimento e o uso dessas ferramentas. Seu trabalho ajudou a ampliar o debate internacional sobre transparência, responsabilidade e impacto social da IA.

As discussões levantadas por Joy também reforçam a importância da diversidade nas áreas de ciência e tecnologia. Quando diferentes grupos participam da criação dessas ferramentas, aumenta a chance de identificar falhas e reduzir injustiças embutidas nos algoritmos. 

4. Kristina Olson (EUA)

A psicóloga do desenvolvimento Kristina Olson dedica sua carreira a compreender como crianças constroem sua identidade e interagem com o mundo ao seu redor. 

Suas pesquisas analisam de que maneira fatores sociais, familiares e culturais influenciam o desenvolvimento emocional e psicológico na infância. 

Parte importante de seu trabalho envolve estudos sobre crianças transgênero e com diversidade de gênero, destacando como o apoio familiar e escolar desde cedo pode contribuir para o bem-estar e a construção de ambientes mais acolhedores.

A importância desse tipo de pesquisa fica ainda mais clara quando se observa o cotidiano das escolas e o impacto que o apoio adequado pode ter na vida das crianças. 

Profissionais da área da psicologia e da educação têm reforçado a necessidade de reconhecer precocemente diferentes condições do desenvolvimento, como dislexia, TDAH e dispraxia, para que estudantes recebam o suporte necessário no momento certo. 

Estudos conduzidos por pesquisadoras como Olson ajudam a ampliar o entendimento sobre inclusão e desenvolvimento infantil, incentivando práticas educacionais mais sensíveis às diferentes formas de aprender e se desenvolver.

5. Zhenan Bao (China)

A engenheira química Zhenan Bao é uma das principais especialistas mundiais em eletrônica orgânica e no desenvolvimento de materiais flexíveis. 

Professora na Universidade de Stanford, ela lidera pesquisas voltadas à criação de polímeros e semicondutores que reproduzem características da pele humana, como elasticidade, sensibilidade ao toque e até capacidade de autorregeneração. 

Esses estudos possibilitam o avanço da chamada “pele eletrônica”, além de sensores vestíveis e dispositivos biomédicos ultrafinos capazes de monitorar continuamente sinais do corpo.

As inovações de seu laboratório podem transformar a forma como dispositivos eletrônicos interagem com o corpo humano, abrindo caminho para próteses mais inteligentes, sistemas de saúde mais precisos e novas formas de integração entre tecnologia e biologia. 

6. Mariangela Hungria (Brasil)

A engenheira agrônoma Mariangela Hungria é reconhecida internacionalmente por suas contribuições à microbiologia do solo e à agricultura sustentável. 

Pesquisadora da Embrapa, ela dedicou mais de 40 anos ao estudo de microrganismos capazes de realizar a fixação biológica de nitrogênio, processo natural que permite às plantas obter esse nutriente essencial sem a necessidade de grandes quantidades de fertilizantes químicos. 

Essa tecnologia ajudou a transformar a produção agrícola no Brasil, especialmente no cultivo da soja, ao mesmo tempo em que reduziu custos e impactos ambientais.

A relevância de suas pesquisas foi reconhecida mundialmente quando Mariangela se tornou a primeira brasileira a receber o World Food Prize, prêmio frequentemente comparado ao “Nobel da Agricultura”.

 

Ao longo de toda a história, mulheres têm sido figuras essenciais em movimentações positivas para o mundo. A tendência é que o “sexo frágil” continue mostrando sua força, cada vez mais intensa, ano após ano.


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