Dados de câmeras do Smart Sampa são expostos; Prefeitura contesta falha de segurança

A falha permitiu acesso indevido a imagens de câmeras municipais; Prefeitura de SP reforçou o sistema de segurança

Câmera de segurança
Créditos: Unsplash/Pexels

Lilian Campos 2 minutos de leitura
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Dados de acesso ao Smart Sampa, sistema de monitoramento por câmeras da Prefeitura de São Paulo, ficaram expostos na internet por cerca de um ano. 

A divulgação permitiu o acesso indevido a imagens de mais de 58 mil câmeras espalhadas pela cidade, incluindo equipamentos instalados em escolas, creches, hospitais e unidades de atendimento público.

Entre as informações encontradas estavam logins, senhas e dados de milhares de agentes de segurança. A Prefeitura de São Paulo reconheceu que houve vazamento de dados, mas negou que a plataforma tenha falhas em seus mecanismos de proteção. 

Segundo a administração municipal, o órgão afastou um servidor e investiga o caso.

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EXPOSIÇÃO PERMITIU ACESSO A IMAGENS E DADOS SENSÍVEIS

As informações expostas estavam disponíveis em um repositório público na internet. Além de credenciais de usuários, o material incluía dados de 6 mil agentes de segurança. O arquivo também trazia instruções para reproduzir o sistema em outros dispositivos.

Com essas informações, o sistema permitiu acessar imagens de câmeras localizadas em diferentes regiões da capital, inclusive em locais sensíveis. A exposição também levantou preocupações sobre a possibilidade de consultar dados pessoais e informações relacionadas à segurança pública.

Após receber o alerta sobre o problema, a Prefeitura retirou o repositório do ar e reforçou medidas de proteção, incluindo a autenticação em dois fatores.

PREFEITURA NEGA FALHA NA PLATAFORMA

A Prefeitura de São Paulo atribuiu o episódio ao vazamento ilegal de dados por um servidor, cuja conduta está sob investigação da Corregedoria da Guarda Civil Metropolitana. 

A administração municipal sustenta que o caso não representa uma vulnerabilidade estrutural do Smart Sampa e afirma que não houve uso indevido da plataforma.

O município também declarou que o programa passa por fiscalização e têm obrigações contratuais relacionadas a testes de segurança, monitoramento e correção de vulnerabilidades. Além disso, informou que reforçou as regras de acesso após a divulgação do incidente.

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COMO FUNCIONA O SMART SAMPA

O Smart Sampa reúne cerca de 50 mil câmeras distribuídas pela capital paulista, incluindo equipamentos próprios e dispositivos privados integrados ao programa. 

Segundo a Prefeitura de São Paulo, o sistema utiliza inteligência artificial para identificar possíveis ocorrências, reconhecer placas de veículos roubados ou furtados e localizar pessoas desaparecidas e procuradas pela Justiça por meio do reconhecimento facial. 

Os alertas são encaminhados à central de monitoramento, onde agentes avaliam as situações e podem acionar equipes de segurança próximas.

Apesar desses recursos, os relatórios de transparência do programa registram casos em que pessoas foram conduzidas a delegacias após alertas do reconhecimento facial e liberadas posteriormente. 

Entre novembro de 2024 e maio de 2026, foram 268 casos, sendo 75 relacionados a inconsistências no reconhecimento facial, 181 a mandados de prisão desatualizados e 12 a problemas cadastrais.


SOBRE A AUTORA

Lilian Campos é jornalista colaboradora da Fast Company Brasil. saiba mais