Empresas brasileiras investem em metaversos

Realidades estão sendo usadas como modelo de negócio ou mesmo como espaço para colaboradores em trabalho remoto

Crédito: eXp/ Divulgação/ Devin Pickell/ Unsplash

Redação Fast Company Brasil 4 minutos de leitura

As empresas brasileiras não perdem tempo quando o assunto é metaverso, realidades que misturam diferentes elementos do real e do virtual, usando diferentes tecnologias e a expertise de muitos profissionais.

“Acredito muito nos metaversos no Brasil. Já somos o segundo país em número de compradores de NFT no mundo inteiro. O que precisa ainda é educar os possíveis compradores, pois se trata de um tema complexo e que gera muitas dúvidas”, afirma Leonardo Bartz,  sócio e fundador da Mint Studios. Para ele, outro ponto importante para a adoção em massa é tornar mais fácil e intuitiva a compra de NFTs.

Recentemente, a Mint Studios anunciou investimento de R$ 1 milhão no metaverso Myland, com a criação de um empreendimento imobiliário virtual. São três torres com um total de 10 mil unidades, incluindo apartamentos, unidades comerciais, marketplace de serviços e lazer. Batizado como Gênesis, será o primeiro projeto de NFT na rede Ethereum nesse universo. A modelagem do metaverso e dos avatares customizados foi criada por meio do software 3Ds Max da Autodesk.

Myland, metaverso do Mint Studios (Crédito: Divulgação)

O Myland será um universo lúdico com foco em negócios. Os usuários terão acesso a várias áreas do projeto baixando um aplicativo para computador e, futuramente, para celular e consoles de videogame.  Áreas e utilidades específicas serão abertas apenas para os holders (compradores do NFT).

Dentro do Gênesis será possível, por exemplo, comprar uma roupa para o seu avatar e receber a mesma peça na sua casa ou ter desconto na loja física. Dará até para alugar e comprar unidades comerciais para ter interações com pessoas que não poderiam acessar de forma presencial o escritório físico.

Crédito: Divulgação

Serão criados ainda distritos (os bairros, no mundo real) ligados a temas como moda, música, mercado imobiliário, design, educação etc. Ao adquirir uma unidade, o dono pode mobiliá-la, decorá-la, alugá-la, revendê-la, organizar festas ou eventos de trabalho, contratar serviços, entre outras infinitas possibilidades.

Segundo Bartz, a previsão de faturamento é ampla, pois depende das condições de mercado e da cotação do Ether (a criptomoeda da rede Ethereum) no dia da venda. “Com o Gênesis, esperamos faturar algo entre R$ 10 milhões a R$ 20 milhões com a venda inicial, sem contar os royalties no mercado secundário”, explica o fundador do Mint Studios, especializado em imagens e filmes 3D para o mercado imobiliário.

METAESCRITÓRIOS

Empresas brasileiras também estão aproveitando a difusão dos metaversos para usá-los como ambiente para que o trabalho remoto seja mais interativo. “É mais um espaço que facilita o contato entre as pessoas e proporciona melhor experiência nas interações sociais. É um local de descoberta, por isso as ferramentas de trabalho devem ser cada vez mais pensadas no ambiente digital, principalmente depois das mudanças trazidas pela pandemia”, afirma Elisa Tawill, head de growth da eXp Brasil.

A eXp é uma imobiliária 100% digital que trabalha dentro de uma plataforma imersiva baseada na nuvem chamada eXp Realty. Os corretores atuam como em um escritório real, diretamente dessa plataforma. São 80 mil agentes espalhados por 18 países, todos trabalhando dentro de um metaverso e se conectando em questão de segundos com pessoas do mundo inteiro.

Ambiente virtual da eXp Realty (Crédito: Divulgação)

“Acredito que o metaverso seja uma dessas alternativas para nos relacionarmos melhor pensando no futuro do trabalho. É um mercado formado pela economia criativa, que consiste na venda de produtos reais no ambiente digital, além de possibilitar até mesmo a criação de avatares” diz, Elisa.

A Digio, plataforma digital de serviços financeiros, também criou um espaço virtual no moldes do metaverso. “Os metaversos são ambientes imersivos e digitais que permitem interações entre as pessoas. Sob essa premissa, a experiência de vivência na plataforma do escritório virtual funciona como um metaverso em 2D, no qual o colaborador só precisa de um dispositivo para interagir, sem a necessidade de uso de hardware ou óculos de realidade virtual/ aumentada, por exemplo”, afirma Beatriz Nóbrega, superintendente executiva de gente, gestão e experiência do cliente.

No Digio, parte dos mais de 420 funcionários retomaram o trabalho no modelo híbrido (40% remoto, 60% presencial) em maio de 2022, mas o desenvolvimento do escritório virtual teve início ainda no final de 2021. Começou com uma longa etapa de construção e validação, em parceria com a Gather Town.

O novo espaço foi lançado em junho, em um projeto piloto, com participação inicial de 100 colaboradores e reproduz quase que na íntegra o escritório físico. “O principal objetivo do escritório virtual, para nós, é ser um catalizador da cultura. Por esse motivo, em pouco tempo 100% dos colaboradores e parceiros poderão usufruir dele cotidianamente”, afirma Beatriz.


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