Escrita à mão volta às escolas e pode ajudar o cérebro

Estudos apontam que escrever à mão ativa uma rede ampla de regiões cerebrais envolvidas no processamento motor, sensorial e cognitivo

escrita à mão
Crédito: CSA Images/ Getty Images

Jennifer Mattson 2 minutos de leitura

A escrita cursiva está voltando com força às salas de aula nos EUA, especialmente entre os alunos da geração Alpha (nascidos entre 2010 e 2025).

Nova Jersey e Pensilvânia são os exemplos mais recentes de um número crescente de estados norte-americanos que estão resgatando a caligrafia tradicional no currículo escolar. Este ano, os governadores de ambos sancionaram leis que obrigam as escolas a ensinar a escrita à mão.

Em Nova Jersey, a exigência havia sido abandonada em 2010, mas uma nova legislação agora determina que alunos de oito a 11 anos, do terceiro ao quinto ano, aprendam cursiva.

O estado se junta a cerca de duas dezenas de outros que já tornaram o ensino obrigatório, incluindo a Califórnia, que aprovou em 2024 uma lei exigindo que estudantes do primeiro ao sexto ano aprendam a escrever em cursiva como parte do currículo público.

Hoje, mais da metade dos estados dos EUA exige ou incentiva fortemente o ensino da escrita à mão, segundo a Education Week. Trata-se de uma reversão da tendência da última década, quando a ascensão dos computadores priorizou a digitação, transformando a caligrafia quase em uma arte em extinção entre os jovens.

Mas a letra cursiva pode oferecer benefícios que vão além da nostalgia. Um estudo recente publicado na revista "Nature" aponta que escrever à mão e digitar ativam o cérebro de formas diferentes, especialmente nas áreas ligadas ao controle motor, à percepção sensorial e às funções cognitivas superiores.

Pesquisa aponta que escrever à mão, além de ler e jogar, pode atrasar o início do Alzheimer em até cinco anos.

“O ato de escrever à mão ativa uma rede mais ampla de regiões cerebrais envolvidas no processamento motor, sensorial e cognitivo”, afirma o estudo. “A digitação, por sua vez, aciona menos circuitos neurais, resultando em um engajamento cognitivo mais passivo.”

A pesquisa conclui que, “apesar das vantagens da digitação em termos de velocidade e conveniência, a escrita manual continua sendo uma ferramenta importante para o aprendizado e a retenção de memória, especialmente em contextos educacionais”.

Em resumo: escrever à mão estimula centros do cérebro ligados à memória e à linguagem, essenciais para o desenvolvimento neural, de acordo com a Universidade da Califórnia.

PREVENÇÃO CONTRA ALZHEIMER E DEMÊNCIA

Outros estudos sugerem que a escrita cursiva também pode ajudar a retardar o surgimento do Mal de Alzheimer. De acordo com uma pesquisa do Centro Médico Universitário Rush, publicada na revista "Neurology", escrever à mão – e não digitar –, além de ler e jogar, pode atrasar o início da doença em até cinco anos.

Os pesquisadores acompanharam 1.903 participantes, com idade média de 80 anos, que relataram suas atividades cotidianas, como visitar bibliotecas, escrever cartas, montar quebra-cabeças e jogar damas ou jogos de tabuleiro.

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“Nosso estudo mostra que pessoas que se envolvem mais em atividades cognitivamente estimulantes podem estar adiando a idade em que desenvolvem demência”, afirmou o autor do estudo, Robert S. Wilson.

“Nossos dados sugerem que a relação entre atividade cognitiva e o momento em que a demência se manifesta é, em grande parte, influenciada pelo que você faz mais tarde na vida.”


SOBRE A AUTORA

Jennifer Mattson é colaboradora da Fast Company e escreve sobre trabalho, negócios, tecnologia e finanças. saiba mais