FIFA anula suspensão de Balogun após intervenção de Trump
Decisão da FIFA gera forte reação entre seleções da Copa e levanta dúvidas sobre futuras revisões de cartões vermelhos

O presidente Donald Trump interveio em favor do atacante da seleção dos EUA Folarin Balogun, cuja suspensão por cartão vermelho foi anulada em uma decisão que vai permitir sua participação na partida contra a Bélgica, válida pelas oitavas de final da Copa do Mundo, nesta segunda-feira (6 de julho).
Balogun, artilheiro da seleção dos Estados Unidos no torneio com três gols, recebeu cartão vermelho por uma entrada no tornozelo direito de Tarik Muharemović, da Bósnia e Herzegovina, durante a vitória por 2 a 0 nas oitavas de final na quarta-feira (1º de julho). A expulsão gerou suspensão automática de um jogo.
A FIFA anunciou neste domingo (5 de julho) que a punição foi suspensa para a partida das oitavas, em uma medida extraordinária que provocou elogios de Trump e indignação da seleção belga.
É a primeira vez desde 1962 que um cartão vermelho em uma Copa do Mundo não resulta em suspensão automática. Segundo uma pessoa com conhecimento da conversa, que falou sob condição de anonimato, Trump telefonou para o presidente da FIFA, Gianni Infantino, após a partida para pedir que a entidade revisasse a expulsão.
"Obrigado à FIFA por fazer o que era certo e corrigir uma grande injustiça!", escreveu Trump em uma rede social.
A Real Associação Belga de Futebol afirmou estar "estarrecida". "Para resguardar os direitos legítimos de todas as seleções participantes e proteger os princípios fundamentais do fair play em nosso esporte, tanto nesta Copa do Mundo quanto nas futuras edições do torneio, a federação belga está avaliando todas as opções possíveis", informou a entidade em comunicado.
A Federação de Futebol dos Estados Unidos (USSF, na sigla em inglês) recebeu a confirmação da decisão por meio de uma mensagem enviada pela FIFA em seu portal oficial às 10h31 (horário local).
"A aplicação da suspensão da partida fica suspensa por um período probatório de um ano", informou a FIFA. "Caso Folarin Balogun cometa outra infração de natureza e gravidade semelhantes durante esse período probatório, a suspensão será restabelecida e a punição aplicada, sem prejuízo de qualquer sanção adicional decorrente da nova infração."

O técnico dos Estados Unidos, Mauricio Pochettino, elogiou a decisão da FIFA. "Já fomos suficientemente punidos contra a Bósnia e Herzegovina ao jogar com 10 homens por 30 minutos por causa de uma decisão completamente injusta", afirmou.
O técnico da Inglaterra, Thomas Tuchel, questionou se outras decisões disciplinares também poderão ser contestadas daqui para frente, citando cartões amarelos recebidos por Declan Rice, da Inglaterra, e Michael Olise, da França. "Agora podemos discutir isso eternamente: eu acho que não era para cartão amarelo", disse. "Onde isso termina? Qual é o limite?"
REGRA E EXCEÇÕES
Aos 25 anos, jogador do Mônaco, Balogun nasceu em Nova York, filho de pais nigerianos que viviam em Londres. Em 2023, decidiu trocar sua elegibilidade internacional e passou a defender os Estados Unidos, depois de representar a Inglaterra nas categorias de base até o sub-21.
A USSF não disponibilizou o atacante para entrevistas no domingo. Mas Balogun publicou nas redes sociais uma foto diante da torcida dos EUA com a música "Bad", de Michael Jackson, ao fundo. Na sexta-feira (3 de julho), ele havia afirmado que "um cartão amarelo, em vez do vermelho, teria sido justo".
É a primeira vez desde 1962 que um cartão vermelho em uma Copa do Mundo não resulta em suspensão automática.
A FIFA informou que sua decisão se baseou no Artigo 27 do regulamento do Comitê Disciplinar. "O órgão judicial pode decidir suspender total ou parcialmente a aplicação de uma medida disciplinar", afirma a regra. "Ao suspender a aplicação da sanção, o órgão judicial submete a pessoa punida a um período probatório de um a quatro anos."
Em novembro, a FIFA já havia adiado o cumprimento de uma suspensão de três jogos aplicada ao português Cristiano Ronaldo por um cartão vermelho contra a Irlanda nas Eliminatórias da Copa do Mundo, permitindo que ele atuasse desde o início do Mundial.
Em abril, o zagueiro argentino Nicolás Otamendi e o meio-campista equatoriano Moisés Caicedo também tiveram suspensões de um jogo adiadas após expulsões nas Eliminatórias, ficando liberados para estrear na Copa do Mundo.
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"E o próximo cartão vermelho? O que vai acontecer?", questionou o técnico da Noruega, Ståle Solbakken. "Terá algum comitê que simplesmente vai retirar esse cartão? É uma decisão muito, muito, muito, muito ruim, que vai prejudicar a Copa do Mundo."