Fraude de investidores: defesa de Elon Musk afirma que juri está zombando de réu e pede revisão de veredito

Julgamento decidiu que declarações públicas de Musk influenciaram negativamente o valor das ações da empresa

Crédito: Getty Images

Joyce Canelle 3 minutos de leitura

A defesa do empresário Elon Musk pediu, na última quinta-feira (26), a revisão do veredicto que o considerou culpado por fraude contra investidores na compra do antigo Twitter, em julgamento realizado em tribunal federal de São Francisco.

O pedido foi feito após o júri decidir, em 20 de março de 2026, que declarações públicas de Musk influenciaram negativamente o valor das ações da empresa.

De acordo com a Reuters, os advogados alegam que a decisão pode ter sido contaminada por comportamento inadequado dos jurados.

DEFESA QUESTIONA CONDUTA DO JÚRI

Segundo o advogado Alex Spiro, que representa Musk, o formulário do veredicto levanta dúvidas sobre a imparcialidade da decisão.

Ele afirma que os jurados teriam incluído o número “4h20” em destaque no documento, em referência associada ao empresário, o que indicaria uma tentativa de ironia.

A numeração está associada à cultura do consumo de maconha, e a defesa de Elon Musk sustentou que o júri escolheu esse número como uma forma de “brincadeira” ou provocação para ironizar o bilionário em um veredito sobre fraude.

A menção faria alusão a um polêmico tuíte de 2018, no qual Musk sugeriu fechar o capital da Tesla por US$ 420, valor que, segundo ele afirmou na época, não tinha relação com a droga.

A defesa sustenta que esse detalhe não é trivial e pode demonstrar que o júri quis enviar uma mensagem pessoal ao réu. Para os advogados, isso compromete o caráter técnico e imparcial que se espera de um julgamento dessa natureza.

O pedido encaminhado ao juiz Charles Breyer solicita uma análise mais profunda do caso.

VEREDICTO ENVOLVE IMPACTO NAS AÇÕES

O júri concluiu que Musk fez declarações enganosas ao comentar publicamente, logo após anunciar a compra da plataforma, sobre a presença de contas falsas e robôs no sistema. Essas falas teriam afetado a confiança do mercado e provocado queda no preço das ações.

Por outro lado, os jurados não consideraram o empresário culpado em todas as acusações. Ele foi absolvido em parte das alegações, incluindo uma acusação de conspiração para fraude.

INVESTIDORES APONTAM PREJUÍZOS

Os investidores que moveram a ação afirmam que as declarações de Musk foram estratégicas. Segundo eles, o objetivo seria pressionar a empresa a renegociar os termos da compra ou até mesmo permitir a desistência do negócio.

De acordo com o processo, muitos acionistas venderam seus papéis por valores menores após as falas do empresário, acumulando perdas financeiras.

O veredicto abre caminho para indenizações que podem chegar a bilhões de dólares.

REAÇÃO DOS ADVOGADOS DOS INVESTIDORES

Os representantes dos investidores rejeitaram as críticas da defesa. Em nota, os advogados Frank Bottini e Mark Molumphy afirmaram que o pedido de revisão não tem fundamento e criticaram a postura de Musk.

Para eles, a tentativa de questionar o júri desvia o foco das evidências apresentadas durante o julgamento. A defesa, no entanto, insiste que o caso precisa ser reavaliado para garantir que a decisão tenha sido baseada exclusivamente nos fatos.

A aquisição do Twitter, concluída em outubro de 2022 e posteriormente rebatizada como X, foi marcada por controvérsias desde o início. Musk chegou a questionar publicamente dados da empresa, especialmente sobre o número de contas falsas, o que gerou instabilidade no mercado.

A junção dos números quatro e vinte (4 e 20) citada pela defesa de Elon Musk já apareceu em outras ocasiões ligadas ao empresário, inclusive em decisões comerciais e comunicações públicas. Esse histórico foi usado como argumento para sustentar que a referência no veredicto não foi acidental.


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Bacharel em Jornalismo, com trajetória em redação, assessoria de imprensa e rádio, comprometida com a comunicação eficiente e a produç... saiba mais