Guerra no Irã deve afetar rota de petróleo: conheça o Estreito de Ormuz
Em 2024, cerca de 20 milhões de barris de petróleo atravessaram o estreito, volume correspondente a aproximadamente 20% de todo consumo mundial do insumo

Em meio ao avanço das tensões envolvendo o Irã, o mercado internacional de energia voltou a se preocupar com o Estreito de Ormuz.
Mesmo sem registro de bloqueio naval, a simples possibilidade de interrupção elevou rapidamente o preço do petróleo tipo Brent, que saltou de US$ 69 para US$ 74 por barril em 2025. O movimento evidenciou o peso estratégico da região para o abastecimento global.
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ONDE FICA E POR QUE É TÃO IMPORTANTE
Localizado entre Omã e Irã, o Estreito de Ormuz liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico. A passagem é larga e profunda o suficiente para receber os principais navios petroleiros do mundo, segundo a U.S. Energy Information Administration (EIA).
Ainda assim, trata-se de um corredor estreito dentro de uma das áreas mais instáveis do cenário geopolítico.
Em 2024, cerca de 20 milhões de barris de petróleo por dia atravessaram o estreito. O volume correspondeu a aproximadamente 20% de todo o consumo mundial de líquidos de petróleo.
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No primeiro trimestre de 2025, o fluxo permaneceu praticamente estável, mesmo diante das turbulências políticas na região.
COMO O ESTREITO IMPACTA O MERCADO GLOBAL
O Estreito de Ormuz é classificado como ponto de estrangulamento, expressão usada para definir rotas marítimas estreitas e essenciais ao comércio internacional. Quando há risco de interrupção, os custos de transporte sobem e os contratos futuros reagem quase de imediato.
Mais de um quarto de todo o comércio marítimo mundial de petróleo passou por ali em 2024. O estreito também concentrou cerca de um quinto das exportações globais de gás natural liquefeito, com destaque para cargas originadas do Catar.
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Grande parte desse volume segue para países asiáticos, como China, Índia, Japão e Coreia do Sul, que juntos absorveram a maior parcela do petróleo embarcado na região.
QUEM MAIS DEPENDE DA ROTA?
A Arábia Saudita lidera o fluxo de petróleo bruto e condensado pelo Estreito de Ormuz. Em 2024, o país respondeu por 38% de todo o volume de petróleo bruto transportado pela passagem, o equivalente a 5,5 milhões de barris diários. Kuwait e Emirados Árabes Unidos também figuram entre os principais exportadores que utilizam a rota.
Entre 2022 e 2024, houve redução de 1,6 milhão de barris diários no trânsito de petróleo bruto e condensado, reflexo dos cortes voluntários de produção promovidos pela Opep+. Parte dessa queda foi compensada pelo aumento nas cargas de derivados de petróleo.
EXISTEM ROTAS ALTERNATIVAS?
Alguns países do Golfo investiram em infraestrutura para reduzir a dependência exclusiva do estreito. A Arábia Saudita opera o oleoduto Leste Oeste, que liga instalações próximas ao Golfo Pérsico ao porto de Yanbu, no Mar Vermelho, com capacidade de até 5 milhões de barris por dia.
Já os Emirados Árabes Unidos contam com um oleoduto até Fujairah, no Golfo de Omã, capaz de transportar 1,8 milhão de barris diários.
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Ainda assim, a capacidade disponível para desviar grandes volumes é limitada. Estimativas indicam que cerca de 2,6 milhões de barris por dia poderiam ser redirecionados por esses sistemas em caso de bloqueio, número insuficiente para compensar totalmente o fluxo médio de 20 milhões de barris que passa por Ormuz.
O Irã também inaugurou o oleoduto Goreh-Jask, projetado para evitar o estreito. No entanto, a capacidade efetiva gira em torno de 300 mil barris por dia e o uso recente foi reduzido.
GUERRA NO IRÃ ACENDE O ALERTA
Embora os Estados Unidos tenham diminuído sua dependência direta do petróleo que cruza Ormuz, importando cerca de 0,5 milhão de barris por dia da região em 2024, o impacto indireto permanece relevante.
O país responde por apenas 2% do seu consumo com petróleo que passa pelo estreito, mas os preços internacionais afetam toda a economia global.
Nesta quarta-feira (4), a EIA registrou um aumento de 4,7% do valor do barril de petróleo, sendo US$ 72,48, aproximadamente R$ 370,00.
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A eventual ampliação do conflito envolvendo o Irã pode comprometer o tráfego marítimo, ainda que temporariamente. Diante da escassez de alternativas viáveis e do peso da Ásia como principal destino das exportações, qualquer interrupção tende a pressionar os preços e ampliar a volatilidade do mercado de energia.