Humanização dos pets favorece crescimento do setor

Entre as principais tendências está o aumento da aquisição de planos de saúde para animais de estimação

Créditos: Karsten/ Unsplash

Redação Fast Company Brasil 4 minutos de leitura

O Brasil é o segundo maior mercado do mundo em população animal: são 54 milhões de cães, 24 milhões de gatos, 40 milhões de aves e 19 milhões de peixes, segundo a Abinpet (Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação). Um cenário que favoreceu o crescimento do fervilhante segmento pet.

Entre os fenômenos que contribuíram especialmente para este boom está a chamada “humanização” cada vez maior dos bichinhos, tendência que favoreceu o lançamento de novos produtos e serviços – de alimentação natural e acupuntura a acessórios de moda a planos de saúde.

Nessa onda favorável, um player vem se destacando não só pelo crescimento acelerado, mas também pela aposta em novos serviços. O grupo PetLove iniciou suas atividades em 1999 com um e-commerce e hoje se consolida como um ecossistema que inclui forte atuação no segmento B2B. O grupo chegou à liderança em planos de saúde pet, com uma carteira de mais de 90 mil vidas – área que a sua CEO, Talita Lacerda, considera das mais promissoras.

Fonte: Abinpet

“Dentro da tendência de humanização dos pets, o segmento de saúde é um dos que apontam para o futuro. Saúde está entre as principais preocupações dos tutores, o que fez surgir o plano de saúde para pets, área em que somos líderes”, diz Talita. 

Grandes empresas como Procter & Gamble e Coty já oferecem planos de saúde pet para seus funcionários e a PetLove está em negociações com outras 60 empresas.

O crescimento da empresa neste segmento foi de mais de 80% desde o início do ano, sendo que a meta é chegar a 150 mil vidas ainda em 2022. E ainda há muito espaço para crescer.

PLANO DE NEGÓCIOS 

Talita chegou ao grupo como CEO no ano passado, depois de dois anos no conselho, assumindo o lugar do fundador da PetLove, o médico veterinário Marcio Waldmann. Ela veio com o fundo investidor Kamaroopin, em 2018. Sob a sua batuta, a empresa fez uma série de aquisições, como o aplicativo VetSmart, que ganhou uma série de novos serviços para veterinários, como prescrição digital, calculadoras inteligentes e ensino à distância.

Talita Lacerda (Crédito: Divulgação)

A empresa adquiriu também o marketplace de serviços DogHero, que conecta pessoas dispostas a hospedar pets a tutores, revolu- cionando o segmento de hospedagem para animais de estimação.

Depois, a PetLove adquiriu a Vetus, empresa de sistemas de gestão para clínicas e hospitais veterinários e também petshops de bairros.

Ao ingressar no segmento de planos de saúde, entraram em cena Porto.Pet e Nofaro, hoje respectivamente líder e vice-líder no segmento de planos de saúde.

A ideia é relançar os planos dessas duas empresas com a marca PetLove, dentro da estratégia de unificar as marcas, mantendo a PetLove com foco no tutor e produtos e VetSmart com foto no veterinário, conta Talita.

“Nossa meta é conectar o que chamamos de ecossistema de pets, tutores, vendedores e prestadores de serviços de modo que, por exemplo, um cliente de plano de saúde tenha frete grátis no e-commerce da PetLove ou desconto na DogHero. Para o cliente PetLove a ideia é simplificar, para que ele encontre tudo ali mesmo”, explica a executiva. 

CONSOLIDAÇÃO DO MERCADO 

A expansão das lojas físicas faz parte do plano, investindo em unidades de bairros que procuram fugir da comoditização e impessoalidade tão presentes no segmento. Hoje existem no Brasil mais de 40 mil petshops de bairro, número que, segundo Talita, vem caindo a partir da consolidação e do amadurecimento do mercado. 

“A ideia é ter lojas de bairro dentro do conceito phigital, com um sortimento maior do que das lojas com este perfil e uma experiência completamente diferente. É um ambiente mais aconchegante, criado pela be.bo. arquitetura (dos arquitetos Bel Lobo e Bob Neri)”, conta Talita. 

Loja da PetLove no Tatuapé, em São Paulo (Crédito: Divulgação)

Além de integrar todos as aquisições em uma proposta de valor única, um dos desafios do grupo para o futuro é reforçar a profissionalização da gestão, atraindo mais talentos.

Nos próximos 12 a 18 meses, a empresa quer crescer no segmento de planos de saúde, expandir o plano de assinaturas e as lojas no modelo omnicanal (entre próprias e franquias) e ampliar o número de marcas vendidas exclusivamente na plataforma, como True e FuturePet. Tudo isso mantendo-se firme na jornada ESG, que tem metas bem agressivas.

“Somos carbono zero, compensando, mas estamos com uma plataforma importante de redução olhando para a cadeia inteira. Nos colocamos metas agressivas para reduzir as emissões, além de compensar”, afirma a CEO. A empresa também tem como meta o lixo zero, eliminando o plástico nas embalagens.


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